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Entrevistas e dicas de espetáculos

Palhaços marca o encontro entre Dedé Santana, famoso pela sua participação nos Trapalhões, e o ator Fioravante Almeida
Publicado em 01/04/2018, 22:00
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Depois de fazer a estreia nacional no Teatro I do CCBB Brasília, a montagem, baseada no texto de Timochenko Wehbi, está em cartaz no CCBB São Paulo.

A obra de Wehbi apresenta a história de um palhaço (Careta - Dedé Santana) que tem a sua rotina alterada ao se deparar com Benvindo, um espectador vendedor de sapatos que invade o seu camarim.

Esse encontro provoca discussões sobre a arte e a existência humana, com cenas bem humoradas e também com momentos mais dramáticos.

Os atores estabelecem um jogo provocador, colocando em xeque escolhas, crenças e valores.

Dedé Santana tem formação circense, é filho de artistas, cresceu no picadeiro. É um ícone do humor e leva toda a sua experiência para o palco. Um trabalho interessante porque mostra o talento de um artista que durante décadas integrou os Trapalhões, mas que mostra ao público um personagem diferente e que faz uma homenagem ao circo, sua beleza e dificuldades.

Entrevistar Dedé Santana é voltar à infância, sobretudo aos filmes clássicos dos Trapalhões, como Os Saltimbancos Trapalhões, Os Trapalhões na Serra Pelada, O Cangaceiro Trapalhão, A Filha dos Trapalhões e Os Trapalhões no Auto da Compadecida.

Esse artista está presente no imaginário de quem cresceu com Renato Aragão, Mussum (Antônio Carlos Bernardes Gomes), Zacarias (Mauro Faccio Gonçalves) e Dedé Santana ocupando as telas do cinema e a TV.

Sobre ter participado do grupo humorístico mais famoso do Brasil, Dedé declara emocionado: ¨ Tenho muita saudade da convivência com todos eles. Agradeço muito a Deus por ter convivido com esses caras e ter feito parte da vida deles. Isso para mim é uma felicidade, e muitas vezes eu nem acredito que eu era um deles¨.

Dedé diz que todos precisam ir vê-lo: ¨porque se não for dessa vez, eu já estou fazendo 83 anos... Então aproveite antes que se acabe…” Que nada! O seu carisma e a sua presença no palco impressionam, muito preparo físico, e mesmo muito gripado, segurou o espetáculo e recebeu os seus admiradores para fotos após a sessão.

Fiquem ligados, Dedé participou do filme Repartição do Tempo, que satiriza a burocracia das repartições governamentais. Com direção de , o elenco também conta com Eucir de Souza, Selma Egrei, Tonico Pereira André Deca, Bianca Muller , Andrade Jr., Rosanna Viegas, entre outros.

Também integrou o elenco de Antes que eu me Esqueça, com direção de Tiago Arakilian, que aborda a sexualidade na terceira idade, e conta com Danton Mello, Guta Stresser, Mariana Lima e Dedé, numa participação especial.

Fioravante Almeida começou no CPT de Antunes filho. Trabalhou com Zé Celso, foi premiado com Muro de Arrimo, de Carlos Queiroz Telles, que lhe rendeu o prêmio de Melhor Ator, também com direção de Alexandre Borges e traz para a cena uma faceta pouco conhecida por quem acompanha a sua trajetória.

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ENTREVISTA

NANDA ROVERE/DE OLHO NA CENA - COMO FOI O CONVITE PARA PARTICIPAR DE PALHAÇOS?
Dedé - Fioravante me chamou e eu fui pesquisar sobre a carreira dele e vi que foi premiado com Muro de Arrimo. O título me interessou muito e eu topei fazer. A minha palavra é uma só, não precisa estar nada assinado. Só que quando eu li o texto, eu fiquei um pouco receoso porque não tinha nada parecido comigo, com o palhaço que eu fui (minha família toda é circense, com sete anos de idade eu já era palhaço). Eu perguntei se ele achava mesmo que eu poderia fazer porque eu não tinha público de teatro...eu não sei como ele teve a ideia de me chamar.

NANDA ROVERE - FIORAVANTE, E COMO DECIDIU CHAMAR O DEDÉ?
Fioravante - Eu fiquei dez anos no teatro Oficina e lá eu fiz Os Sertões, de Euclides da Cunha. Depois de lá, eu fui fazer o Noviço de Martins Pena e Muro de Arrimo, com direção do Alexandre Borges, que é um clássico do teatro, e entrei numa onda de descobrir dramaturgos que seriam legais para eu fazer no teatro. Na busca de textos brasileiros para montar, cheguei no Palhaços e pensei em quem poderia fazer o espetáculo comigo. O Dedé foi quem veio primeiro na minha cabeça. Achei que ele não fosse ter tempo para fazer, pensei que se ele aceitasse fazer seria lindo, mas pensei também em outras pessoas caso ele não pudesse. Isso foi há três anos, quando eu estava fazendo Muro de Arrimo. Quando consegui o patrocínio, entrei em contato com ele e era para o projeto acontecer. Ele tinha acabado de fazer um trabalho com os Trapalhões e de fazer um musical e quando o convidei ele estava com tempo para fazer a peça com a gente. Juntou o útil ao agradável. Com esse trabalho, conhecemos o lado de ator do Dedé, que ele já mostrou num filme que fez com o Eucir de Souza (A Repartição do Tempo, de Santiago Dellape). Ele está ótimo e de uns tempos para cá ele começou a brincar mais e a sair do universo do palhaço, muito presente nos Trapalhões.
Nessa montagem você vê várias facetas dele, o lado de ator cômico, o ator trágico, o burlesco e o próprio Dedé brincando de atuar. Essa montagem foi criada a partir da imagem mítica de Dedé.

NANDA ROVERE - O TEXTO VAI DO HUMOR AO DRAMA AO FALAR DO ARTISTA, FALEM UM POUCO SOBRE ELE.
Dedé Santana – É uma tragicomédia, com adaptação do Alexandre Borges, para trazer a história para os dias atuais. A peça ficou muito boa porque é rapidinha, não cansa o público e fala tudo o que precisa ser falado: é um debate entre o cara da plateia que é fã do palhaço e invade o seu camarim. O palhaço mostra para ele o outro lado, mostra que o artista não é só glamour, mas que é um ser humano normal, que tem problemas amorosos e financeiros. Na minha primeira entrada no palco eu fico sempre emocionado porque eu vejo a fisionomia das pessoas olhando para mim, como se eu fosse um parente afastado que voltou de uma viagem. Até me atrapalho na primeira cena por causa disso.

NANDA ROVERE – VOCÊ DISSE QUE NUM PRIMEIRO MOMENTO FICOU COM MEDO DE ENCENAR O TEXTO. COMO VOCÊ SE CONVENCEU A CONCORDAR EM FAZER A PEÇA?
Dedé Santana – Como eu tinha dado a minha palavra, resolvi ir até o fim. Consultei o Vitor Lustosa, que cuida das minhas coisas e foi roteirista de filmes dos Trapalhões, se eu deveria aceitar o projeto e ele disse que eu deveria fazer para poder apresentar ao público um lado que eu ainda não havia mostrado como artista. O Fioravante apostou na minha capacidade, só eu que não estava apostando.

NANDA ROVERE – DEDÉ, PALHAÇOS É A SUA PRIMEIRA EXPERIÊNCIA NO TEATRO COM PERSONAGEM, CORRETO?
Dedé Santana - Sim, eu fiz o musical Os Saltimbancos Trapalhões, mas lá eu era o Dedé mesmo. O espetáculo foi lançado no Rio, ia ficar um mês na cidade, um mês em São Paulo e viajar para algumas capitais, mas o teatro estava lotando e foram quatro meses de sucesso, aí não deu tempo de viajar.

NANDA ROVERE – FIORAVANTE - FALE SOBRE A SUA FORMAÇÃO NO CPT E TEATRO OFICINA. E o circo, esteve sempre presente na sua vida?
Fioravante Almeida – Eu me formei no CPT e foi no Oficina que eu virei ator. Eu me formei no CPT e decidi fazer sonoplastia. Quando eu cheguei no Oficina o Zé me chamou para atuar e eu fiquei com dúvida, mas a vontade estava tão dentro de mim que estreei no espetáculo Boca de Ouro, o mesmo que o Reynaldo Gianechini começou como ator, depois fiz Os Sertões. Foi lá que conheci o Alexandre (Borges ) e a Julia Lemmertz. Eles eram ídolos para todos nós, pois foi lá que eles se conheceram e fizeram Hamlet. Ficamos amigos, ele gostava de me ver em cena e eu disse a ele que gostaria que ele me dirigisse. Com relação ao circo, apesar do teatro Oficina não ter considerado realizar um trabalho considerado circense, o Zé sempre falou sobre esse universo pra gente. Na montagem de. Assassinato do Anão do Caralho Grande nós fizemos um circo. A peça conta a história de um circo que vai numa cidadezinha e o prefeito quer expulsar os artistas de lá porque acredita que são todos vagabundos. Nesse espetáculo é que eu comecei a me apaixonar pelo circo, mas o que me pegou nesse texto, que sempre foi encenado por atores com a mesma idade, foi a possibilidade de trabalhar pela primeira vez com alguém mais maduro, com muita experiência para ensinar, pois ainda me considero um ator iniciante. A possibilidade de aprender com um grande mestre tem como resultado um jogo muito bonito.

NANDA ROVERE – ANTES DE SÃO PAULO O ESPETÁCULO PASSOU POR BRASÍLIA. COMO FOI A RECEPTIVIDADE NA CIDADE?
Dedé Santana – Foi um sucesso, foi a estreia nacional. Quando ele me convidou para a peça e disse que a estreia ia ser na cidade, isso chamou a minha atenção. Três anos antes da inauguração de Brasília eu fui para lá. Inaugurei e trabalhei na TV Brasília e depois também inaugurei o primeiro teatro de lá. Foi muito bom me apresentar na cidade. Eu não esperava que fosse tanto sucesso. Todas as sessões estavam esgotadas.

NANDA ROVERE – DEDÉ, ALÉM DA TV E CINEMA, VOCÊ FEZ RÁDIO TAMBÉM....
Dedé Santana - Eu trabalhei na Rádio Tupi do Rio, em Brasília e em Barra Mansa. Eu acho muito difícil rádio, trabalhar com a voz, porque eu sou um palhaço e o que eu gosto é de fazer rir, cair, levar tapa, correr, e tudo isso na rádio você tem que fazer só com a sua voz.

NANDA ROVERE – DEDÉ, COMO VOCÊ VÊ O CIRCO HOJE?
Dedé Santana - Eu sou embaixador do circo. O circo é uma arte popular, é a mãe de todas as artes. Acabei de chegar de uma cidade em que o dono do circo estava desesperado porque o prefeito queria que levantassem a lona num terreno longe da cidade, num lugar onde as pessoas só chegam de carro. Circo não é isso. Circo é para chamar o povão, para ele ver o que é o palhaço, o que é arte. Está difícil. Os grandes artistas foram abandonando a carreira.

NANDA ROVERE – DEDÉ, E COMO FOI A VOLTA DOS TRAPALHÕES NA GLOBO?
Dedé Santana - Eu fiquei muito feliz. Foi uma grande homenagem que a Globo fez e muitas pessoas não entenderam porque acharam que a intenção era substituir Zacarias e Mussum. A Intenção nunca foi essa! Sou muito agradecido à Rede Globo por essa segunda homenagem a nós, (a primeira foi nos seus cinquenta anos e foi muito marcante). O programa bateu toda a audiência na TV. E os atores que participaram eram excelentes. Só o Bruno Gissone, que fazia o Dedé, eu não gostei, porque ele era muito bonito (rsrsrsrrs).

NANDA ROVERE – DEDÉ E FIORAVANTE, GOSTARIAM DE ACRESCENTAR ALGO PARA FINALIZAR A ENTREVISTA? JÁ AGENDARAM NOVAS TEMPORADAS DA PEÇA?
Fioravante - É um espetáculo que tem que ser visto por todo mundo, tem que ser visto também pela classe, pois Dedé é um grande artista. É importante agradecer o Patrocínio do CCBB, que desde o primeiro momento acreditou no projeto. Ainda não podemos falar muito sobre novas temporadas porque estamos fechando ainda viagens, são nove capitais.
Dedé Eu tenho me assustado muito quando eu saio para tirar fotos após o espetáculo. O que as pessoas mais falam é porque eu não fiz teatro antes. Eu respondo que nem eu sabia que deveria ter feito. A vida era muito corrida. Eu fazia dois filmes por ano e fui diretor de vários deles. Eu dirigi A Filha dos Trapalhões com Miriam Rios e Ronnie Von, que era sobre uma menina de circo e pela primeira vez eu vi crianças chorando no cinema. Na minha vida eu sonhei em ser duas coisas, piloto de avião e diretor de cinema.

NANDA ROVERE – DEDÉ, PARA TERMINAR A ENTREVISTA, QUANDO VOCÊ PENSA NOS TRAPALHÕES, O QUE VEM NA SUA MEMÓRIA?
Dedé - A saudade que eu tenho deles, do Mussum e Zacarias, especialmente do Mussum, que era muito meu amigo. Ele nunca me chamou de Dedé, ele me chamava de compadre. Tenho muita saudade da convivência com todos eles. Agradeço muito a Deus por ter convivido com esses caras e ter feito parte da vida deles. Isso para mim é uma felicidade! Eu muitas vezes eu nem acredito que eu era um deles!

FICHA TÉCNICA:
Texto: Timochenco Wehbi
Direção: Alexandre Borges
Elenco: Dedé Santana e Fioravante Almeida
Cenografia: Marco Lima
Figurino: Fábio Namatame
Iluminação: Domingos Quintiliano
Trilha Sonora: Otto e Dipa
Preparação Vocal: Madalena Bernardes
Coaching: Selma Kiss e Yasmim Sant’ Anna
Diretor de Palco: Mauro Nascimento
Contra Regra: David Nicholas
Fotos: Tatiana Coelho
Vídeo: Rústica Produções
Assessoria de Imprensa: Fabio Camara
Direção de Produção: Camila Bevilacqua
Produtor Executivo Brasília: André Deca
Produtor Executivo São Paulo: Bruna Rosa
Coordenação do Projeto: F L O Produções
Idealização: F L O Produções e LadyCamis Produções

SERVIÇO:
LOCAL: CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil SP
Aberto de quarta a segunda, das 9h às 21h
Rua Álvares Penteado, 112 – Centro – SP
Próximo às estações Sé e São Bento do Metrô
Informações: (11) 3113-3651/3652
Teatro: 140 lugares.
Acesso e facilidades para pessoas com deficiência física // Ar-condicionado // Cafeteria e Restaurante.
Estacionamento conveniado: Estapar Rua Santo Amaro, 272
Valor: R$ 15,00 pelo período de 5 horas (Necessário validar o ticket na bilheteria do CCBB). Traslado gratuito até o CCBB. No trajeto de volta, tem parada no Metrô República.
DATA: 16/03 até 07/05 (Sábado 20h. Domingo 18h e Segunda 20h)
INGRESSOS: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia).
DURAÇÃO: 70 min
CLASSIFICAÇÃO: 12 anos





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DE OLHO NA CENA BY NANDA ROVERE - TUDO SOBRE TEATRO, CINEMA, SHOWS E EVENTOS Sou historiadora e jornalista, apaixonada por nossa cultura, especialmente pelo teatro.Na minha opinião, a arte pode melhorar, e muito, o mundo em que vivemos e muitos artistas trabalham com esse objetivo. de olho na cena, nanda rovere, chananda rovere, estreias de teatro são Paulo, estreias de teatro sp, criticas sobre teatro, criticas sobre teatro adulto, criticas sobre teatro infantil, estreias de teatro infantil sp, teatro em sp, teatros em sp, cultura sp, o que fazer em são Paulo, conhecendo o teatro, matérias sobre teatro, teatro adulto, teatro infantil, shows em sp, eventos em sp, teatros em cartaz em sp, teatros em cartaz na capital, teatros em cartaz, teatros em são Paulo, teatro zona sul sp, teatro zona leste sp, teatro zona oeste sp, nanda roveri,

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