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ENTREVISTA - CLOVYS TORRES - Ator, dramaturgo e poeta
Publicado em 05/08/2022, 19:30
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"o teatro é o veiculo de comunicação mais potente que existe" - Clovys Torres

Clovys é ator, diretor, dramaturgo, jornalista, um poeta sensível e de olho na cena das artes.
Um artista que fala de amor, da vida, da morte, da arte, da saudade, da dor, da alegria. Um sonhador como deve ser um artista que encanta, mas com o pé no chão também porque está sempre se aprimorando.
Talentoso, no decorrer dos anos foi crescendo mais e mais como ator. Entre tantos diretores, já foi dirigido pelo Elias Andreato em Édipo e Esperando Godot e tem uma parceria de amizade e profissão com Aimar Labaki, Gabriela Mellão, Amir Haddad e Adriana Londono.
Me dá tua mão e Desolador são trabalhos recentes e que também merecem aplausos.
Por mais de dez anos produziu e apresentou o evento Letras em Cena, lançando dramaturgos e reverenciando os clássicos da dramaturgia nacional e internacional.
Durante a pandemia estreou de forma online o seu texto amanhã eu vou, com direção de Cristina Cavalcanti e Tuna Dwek e Lilian Blanc no elenco. Espetáculo muito belo, que fala da finitude humana, da tragédia, da empatia, do medo, da esperança. Em cena estão duas mulheres que são as únicas sobreviventes de um desastre natural causado pela peste e pelas queimadas.
Clovys fala sobre o teatro, o ato de escrever, parcerias, sobre a nova temporada de Saudade é uma brecha no vazio no tempo.
Clovys está sempre em atividade: está escrevendo o terceiro livro e ministra aulas num projeto de escola de teatro na comunidade de Paraisópolis, em São Paulo, com Clarice Niskier.

O artista fala também sobre novos projetos.

Entrevista:
Por Nanda Rovere

- De Olho na cena - Fale um pouco sobre poesia e teatro, poesia no teatro.

-Teatro é poesia pra mim é um casamento perfeito. Não me refiro a métrica e nem a falas "declamadas", mas no que tange ao sentimento e à maneira de ver o mundo. Teatro é poesia em cena, viva, pulsante, com sangue, músculo, respiração.

DC - Como andam juntos o ator e dramaturgo. Como é atuar num espetáculo de sua autoria...você está sempre mexendo no texto, consegue separar ator e criador....ou não?
CT - Agora eu consigo separar bem um do outro, quando estou no palco....Entrego o texto e "ele não é mais meu", mas claro que não quero ninguém mexendo no texto depois de pronto; porém, não reclamo como ator, se estou na peça. O exercício é o da entrega, tanto como autor, quando como ator. Em Saudade É Uma Brecha, eu confio no diretor Fernando Nistsch, então, fico livre pra realizar o meu melhor como ator. Mas, sinceramente, é sempre uma gangorra de emoções, fazer o próprio texto. Em Me Dá Tua Mão, eu fazia sempre o exercicio de esquecer que aquelas palavras eram minhas, mas durante três anos, poucas vezes eu esqueci disso. E quando acontecia, era simplesmente incrível. Era um solo! Era uma overdose de mim mesmo (risos).

DC-Você disse que está em dois longas. Já pode adiantar informações sobre eles?
CT - Eu participo do longa do Aimar Labaki, Cordialmente Teus, que deve estrear em breve. Estou também no longa (filmando agora), O Ar Que A Gente Respira, de Rafael Santin e em breve também começam as filmagem do longa Corações Entrelaçados, roteiro de Wismar Rabelo e direção de Rui Matteo Filho.

DC - Recentemente vc participou de novela. Como é a sua relação com a TV?
CT - Eu havia feito uma participação na novela Jezabel, da Record, em 2019. E ano passado eu fiz uma participação muito especial na novela Nos Tempos do Imperador, da Rede Globo. Eu simplesmente adorei ter feito o pajé Piatã, uma novela tão especial e com uma mensagem atual e necessária. Minha relação com a TV até o momento é essa, mas claro que quero fazer coisas bacanas, mas não estou sentado esperando, meu oficio me ocupa todos os dias. Ser ator é uma deliciosa e exigente aventura e há que se ter foco, fé e muita leveza para seguir adiante neste propósito.

DC - Vc é jornalista. Creio que isso te ajude na percepção do mundo, na percepção do ser humano, nas suas nuances....
CT - Minha formação como jornalista me ajudou muito a entender as relações de poder que governam e desafiam os seres humanos. Certamente este exercício de leitura social me ajudou muito a me formar como ator e como dramaturgo. A questão é sempre o ponto de vista que escolho para ver o mundo e para transformar ou provocar aquilo que creio não ser ideal, sempre com os olhos voltados para o bem estar do homem, da humanidade. No final das contas, percebi que o teatro é o veiculo de comunicação mais potente que existe. É quase uma contradição, mas ele é definitivo para quem faz e para quem assiste, quem se torna platéia, público de teatro.

DC - É predileção fazer solos, e escrever, ou foi acontecendo?
CT - Escrever é dos oficios mais dificeis que eu conheço. Não se escreve só por prazer ou ideal. Há que se escrever com intensifdade, com todo o nosso ser, com nossas neuroses, medos, sonhos, dores e alegrias. É uma servidão...Não sei explicar, mas preciso escrever para não explodir e não estou falando que isso é bom, é especial ou isso e aquiilo, simplemente eu escrevo para me organizar e, por sorte, às vezes, algumas coisas são aproveitaveis como poesia, peça ou prosa. O resto é confusão interna (risos)

DC - Mais um trabalho com a Adriana Londono. Já estiveram 2 vezes no palco juntos, é isso? EJairo Mattos como diretor, o que pode falar do projeto?
CT - Eu e Adriana Londono temos uma parceria de doze anos. Fizemos dois espetáculos longos, com processos longos, com várias temporadas. O Grande Espíritco da Intimidade, de Leo Lama; E, Zibaldone, de Aimar Labaki e Carlos Baldin, a partir da obra do poeta italiano Giacomo Leopardi. E agora, para celebrar este tempo de parceria, porque o momento da vida é de celebração, estamos a passos de iniciar os ensaios de A MAR Aberto OU As Estrelas do Mondego: um canto pra Pedro e Inês, com direção de Jairo Mattos. Um namoro antigo que deve sair para o próximo ano. Celebrar uma parceria de tanto tempo no teatro e na amizade é mais que necessário.

-DC -SAUDADE É UMA BRECHA NO VAZIO DO TEMPO Fale sobre essa peça. Fale sobre saudade, vida e morte..
CT - É um poema cênico que escrevi por muito tempo e terminei durante a pandemia e que fortalece a minha parceria com a atriz e produtora Daise Amaral. Já fizemos outros projetos juntos e agora ela me deu a alegria de produzir este trabalho. Ela escolheu uma equipe de primeira e também me convidou para atuar. Temos os melhores profissionais em torno deste trabalho e eu considero um presente de retomada mesmo antes da pandemia acabar. A direção de Fernando Nitizch, direção musical de Sérvulo Augusto, cenário de Daniel Infantini, luz de Cesar Pivetti, assistencia de direção de Renato Vinicius de Moraes e ainda estar em cena com Daise Amaral e Roger Rodrigues, tem sido um prazer e um grande aprendizado. Um processo movido a afeto desde o iniciio e eu só agradeço. Estamos na segunda temporada, até final de agosto, no Teatro Viradalata e sempre digo que esta peça é um processo de cura de várias feridas, não só de saudade, mas de amores e amizades, de relações e afetos.

DC - E como foi a experiência de ver o seu texto “Amanhã eu Vou” encenado para o universo online...
CT - Um dia a atriz Tuna Dwek me ligou, no inicio da pandemia, e falamos sobre nossos medos, o isolamento, a saudade, etc. Ao final da conversa, ela me provocou: "Gostaria de fazer uma peça com a Lilian Blanc e queria que você escrevesse o texto porque você tem poesia e estamos precisando de poesia e afeto. Um tempo depois, eu liguei e disse, estou com a peça, vamos ler? Era isolamento, lemos, convidei a Cristina Cavalcanti para dirigir, inscrevemos no Proac, Aldir Blanc e montamos. Um processo absolutamente virtual. Foi outra cura. Um elenco maravilhoso, do coração: duas atrizes que amo, a diretora dos sonhos que trouxe o Rodrigo Menck, diretor de fotografia e iluminador, o assistente Henrique Pina. Foi lindo demais....Fizemos só duas apresentações presenciais depois, no Festival Vivo Em Casa, mas uma hora a gente volta. Precisamos voltar. Foi um presente que a Tuna me possibilitou e eu agradeço imensamente. Fomos bem recebidos pela critica, a imprensa, o público em geral que assistiu de suas casas.
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DE OLHO NA CENA BY NANDA ROVERE - TUDO SOBRE TEATRO, CINEMA, SHOWS E EVENTOS Sou historiadora e jornalista, apaixonada por nossa cultura, especialmente pelo teatro.Na minha opinião, a arte pode melhorar, e muito, o mundo em que vivemos e muitos artistas trabalham com esse objetivo. de olho na cena, nanda rovere, chananda rovere, estreias de teatro são Paulo, estreias de teatro sp, criticas sobre teatro, criticas sobre teatro adulto, criticas sobre teatro infantil, estreias de teatro infantil sp, teatro em sp, teatros em sp, cultura sp, o que fazer em são Paulo, conhecendo o teatro, matérias sobre teatro, teatro adulto, teatro infantil, shows em sp, eventos em sp, teatros em cartaz em sp, teatros em cartaz na capital, teatros em cartaz, teatros em são Paulo, teatro zona sul sp, teatro zona leste sp, teatro zona oeste sp, nanda roveri,

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