O espetáculo traz cenas rápidas, dança e suingue. As sessões acontecem dias 10 e 11 de abril, no Sesc da Esquina
Texto Por Sandoval Matheus
Livro lançado em 1971, “As Veias Abertas da América Latina”, do uruguaio Eduardo Galeano, se tornou rapidamente um clássico, leitura obrigatória para toda a esquerda do continente. O impacto pode ser medido pelo fato de o livro – que mistura história, economia e política num ensaio sobre as tragédias e percalços deste quadrante do mundo, uma análise baseada principalmente nos abusos e extorsões sofridos desde o descobrimento – ter sido proibido por todas as ditaduras militares do Cone Sul. Mesmo assim, em 2009 chegou às mãos do então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, presente de Hugo Chávez durante uma Cúpula das Américas.
E é provável que o porto-riquenho Bad Bunny tenha dado pelo menos uma folheada no material antes de virar a sensação do último Super Bowl, com uma apresentação em que defendeu e exaltou os países latino-americanos. Mais recentemente, o cantor lotou dois shows no Brasil.
Na Mostra Lucia Camargo da 34ª edição do Festival de Curitiba, essa espécie de enciclopédia do pensamento progressista inspira a peça “Veias Abertas 60 30 15 Seg”, produzida pela companhia teatral Aquela Cia e pelo grupo Corpo Rastreado. A montagem é dirigida por Marco André Nunes, com texto de Pedro Kosovski e Carolina Lavigne. O elenco conta com Carolina Virgüez, Matheus Macena e Rafael Bacelar, indicado ao Prêmio APCA de Melhor Ator pelo trabalho. As sessões acontecem nos dias 10 e 11 de abril, às 20h30, no Sesc da Esquina.
Os ingressos para o Festival estão à venda pelo site www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física no Shopping Mueller (Av. Cândido de Abreu, 127 – Piso L3, Centro Cívico).
No espetáculo, um funcionário da United Fruit Company, multinacional norte-americana que mandou e desmandou nas repúblicas do Caribe durante todo o século 20, se apaixona por um militar. No dia do casamento, no entanto, o exército colombiano promove o Massacre das Bananeiras, para pôr fim a uma greve dos trabalhadores da companhia, e os dois ficam em lados opostos do conflito.
Apesar do tema pesado e da sinopse dramática, a montagem não tem nada de sisuda ou professoral. Pra começar, as cenas, fragmentos de no máximo um minuto que se sucedem e também podem ocupar o palco simultaneamente, se desenrolam numa academia de dança (ao som de ritmos como salsa, bolero, mambo, samba e punta, gênero muito popular na América Central). É apenas à noite que o local se transforma em covil para reuniões subversivas.
“É uma peça bem imagética, poética mesmo. Tem um quê de melodrama também”, garante Pedro Kosovski. “O que a gente faz é conversar com o livro do Eduardo Galeano, a partir de um recorte. Até porque a escrita do Galeano nesse livro é muito dura, sociológica, árida. E eu acho que a festa, a arte e a beleza são resistência”, explica.
“A gente tinha muita coisa pra falar, então estávamos buscando um formato ágil, e chegamos nas cenas de no máximo um minuto. Só depois fomos nos dar conta de que esse modelo é também a sintaxe das redes sociais hoje”, completa o diretor Marco André Nunes: “Tudo com muita dança, latinidade, molejo”, brinca.
De cabo a rabo, a narrativa ainda é permeada por “Tudo Passará”, maior sucesso de Nelson Ned, o “pequeno gigante da canção”, sempre meio escanteado no Brasil, mas que arrastava multidões pela América Latina, cantando para estádios inteiros em países como México e Colômbia.
No momento em que o debate sobre o Brasil ser ou não um país latino-americano foi reaceso, a peça pretende levar a discussão além. “Não tenho dúvida de que a gente sempre esteve muito mais voltado pro Atlântico, pra Europa e até pra África, do que pra dentro, pros Andes, mas se você perguntar pro Departamento de Estado norte-americano, é tudo América Latina. Só não é latino quem não quer”, diz Pedro Kosovski. “Mas do ponto de vista histórico, falar em América Latina também é problemático, um marcador colonial. Os povos que viviam aqui não se reconheciam assim. Nada é uma coisa só.”
A Mostra Lucia Camargo no Festival de Curitiba é apresentada por Petrobras, Sanepar e Governo do Estado do Paraná, Prefeitura de Curitiba e Fundação Cultural de Curitiba, com patrocínio de EBANX, Viaje Paraná e Copel, com realização do Ministério da Cultura e Governo Federal - Do lado do povo brasileiro. Acompanhe todas as novidades e informações pelo site do Festival de Curitiba www.festivaldecuritiba.com.br, pelas redes sociais disponíveis no Facebook @fest.curitiba, pelo Instagram @festivaldecuritiba e pelo Twitter @Fest_curitiba.
Ficha técnica
Direção: Marco André Nunes
Texto: Pedro Kosovski e Carolina Lavigne
Elenco: Carolina Virgüez, Matheus Macena e Rafael Bacelar
Músico: Felipe Storino
Direção musical: Felipe Storino
Direção de movimento: Márcia Rubin
Cenário: Aurora dos Campos e Marco André Nunes
Cenógrafa assistente: Juliana Augusta Vieira
Figurino: Fernanda García
Iluminação: Renato Machado
Iluminador assistente: Paulo Denizot
Assistente de direção: Gabriela Ruppert
Assistente de figurino: Mag Pastori
Operação de luz: Juliana Moreira
Operação de som: Bob Reis
Produção: Corpo Rastreado, Gabi Gonçalves e Amanda Dias Leite
Concepção: Aquela Cia
Realização: Aquela Cia e Corpo Rastreado
Instagram: @aquela_cia @carolina.virguez @rafaellucasbacelar @matheusmacena
Serviço:
Veias Abertas– Mostra Lucia Camargo
34º Festival de Curitiba
Local: Teatro Sesc da Esquina
Rua R. Visc. do Rio Branco, 969 - Mercês
Data: 10 a 11 de abril
Horário: 20h30
Categoria: Teatro contemporâneo
Classificação: 16 anos
Duração: 60 min
34.º Festival de Curitiba
Data: De 30/3 até 12/4 de 2026
Valores: Os ingressos vão de R$00 até R$85 (mais taxas administrativas).
Ingressos: www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física exclusiva no Shopping Mueller - Piso L3 (Segunda a sábado, das 10h às 22h e, domingos e feriados, das 14h às 20h).
Verifique a classificação indicativa e orientações do espetáculo.
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