Não existe lado certo, não existe desculpa pra uma guerra. Conflitos sempre têm resultados ruins, pessoas inocentes rejudicadas. São vidas ceifadas, familias dilaceradas.
Em Conto de Farida acompanhamos uma família sofrendo os horrores da guerra na Síria.
O pai, as filhss e uma prima/sobrinha. O pai é escritor famoso, viúvo; uma das filhas viúva por causa da guerra e doente, e a outra filha grávida. As filhas querer ir embora, o pai não consegue deixar as suas raízes, o lugar onde seu pai e seus avós viveram, os livros, heranças preciosas.
A outra moça ajuda quem precisa de apoio e também não quer deixar o seu país.
O amor é infinito, mas as filhas fazem a travessia para outro país. Sonhos e mais sonhos. Uma criança nasce em outro país. A saudade é imensa, mas o encontro da paz é um bálsamo.
A guerra cada vez mais destruidora impossibilita o reencontro ... mas os laços de amor são eternos.
Como essa família, milhates de outras, da Síria e de tantos putros países...algumas sobrevivem no próprio país, outras conseguem reconstruir os pedaços em outras terras, mas a saudade do país de origem e as mascas de sofrimento nunca desaparecem.
Conto de Farida é um grito pela paz através do teatro. Farida é a criança que nasce e representa a esperança, vida pulsando apesar de tudo. Luis Melo mestre da atuação e três ótimas atrizes. No cenário, uma sala com janelas e vidros quebrados , certamente por bombardeios, uma escrivaninha e os livros preciosos.
Um tapete vermelho recebe a travesdia das refugiadas, o tapete da esoerança, como se fosse um lugar que as recebesse com todo o resoeito que refugiados merecem, após tantas tragédias e medos.
A luz de Beto Bruel , com tons sóbrios,ajuda na ambientaçào de uma trama que, apesar de falar de um assunto tão triste, tem poesia, a poesia do amor, dos laços familiares e da tentativa de jamais perder a identidade e a esperança.
A trilha é um trunfo. Lindíssima, traz o espírito de lamento e força de modo brilhante. Os músicos são sírios, há 15 anos no Brasil, dão um depoimento comovente das suas origens e chegada ao Brasil, como um renascimento. Canções lindíssimas.
A direção é de Eduardo Ramos que imprime poesia nas cenas e guia os atores com precisão em cada cena. Interpretações fortes e tocantes.
Gratuito.
Imperdível!
Dados do ACNUR/ONU indicam que, entre o final de 2024 e o início de 2025, mais de 123 milhões de pessoas foram forçadas a se deslocar em razão de conflitos, perseguições e crises humanitárias, sobretudo em regiões como Sudão, Ucrânia e Gaza. Desse total, 83,4 milhões vivem como deslocadas internas e mais de 43 milhões como refugiadas; cerca de 40% são crianças e adolescentes, e 4,4 milhões de pessoas são apátridas. “Conto de Farida” transforma esses números em experiência sensível e concreta no palco.
Elenco:
Luís Melo interpreta Khaled Farah, o patriarca, acompanhado por Mayra Fernandes (a filha Aisha), Ciliane Vendruscolo (a filha Qamar) e Camila Ferrão (a sobrinha/prima Jamile), que dão voz às diferentes perspectivas de uma família fragmentada pelo avanço do conflito.
Direção Eduardo Ramus
Luz Beto Bruel
SERVIÇO
Local: Teatro José Maria Santos (Rua Treze de Maio, 655 - São Francisco)
Datas: 13 a 26 de março (terças, quartas, quintas e sextas às 20h; sábados às 17h e 20h; domingos às 11h e 17h)
Ingresso: Gratuito - retirada uma hora antes na bilhete do teatro)
Sessões com Libras: 14 e 21 de março (sábados às 20h)
Sessão com audiodescrição: 20 de março (sexta às 20h)
Classificação Indicativa: 14 anos
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