Dos momentos mais arrebatadores e potentes do nosso teatro e do Festival de Curitiba.
A cegueira humana gerando o caos.
Com direção de Rodrigo Portella, que acabou de ganhar o Prêmio Shell, o renomado Galpão encena a história de pessoas comuns que com a cegueira branca são obrigadas a conviverem num alojamento, sanatório, e lá expõem a crueza do ser humano, mas também mostram que ainda existe empatia.
A distopia extremamente atual nas comemorações dos 30 anos desse livro genial.
A Cegueira de quem não vê o outro é o principal foco do romance que se mostra potente e gera tantas reflexões.
O teatro nos salvando através da percepção do olhar e a ação.
O clima é tenso, mas o nervoso gera o humor irônico.
A trilha sonora, com execução ao vivo, o que é de praxe dos trabalhos do Galpão, faz com que o público respire um pouco.
Portella idealizou esse espetáculo que fala de todos nós e para deixar isso bem claro, 14 espectadores participam do espetáculo, com inscrição prévia.
Impossível não arrepiar com a cena em que as mulheres são abusadas, algo tão horrendo e que tem acontecido com uma frequência absurda. Como alguém num momento frágil pode explorar, sem nenhuma empatia, o próximo??!
Um ensaio sobre a cegueira é pulsante, dinãmico, tocante. É a potência do Galpão e a sensibilidade eterna de Saramago em comprrender o mundo.
Teatro feito com esmero, com um olhar contemporâneo e que termina com atores e público no saguão do teatro, celebrando o poder do teatro em nos fazer pensar e assim podemos agir em prol de um mundo melhor.
Cada cena, cada palavra, tem uma intenção, um olhar atento, com interpretações memoráveis.
Os silêncios dizem muito, mais do que palavras muitas vezes. O medo, a angústia, o limite tênue entre vida e morte, o homem exposto à crueldade, vivendo na imundice, implorando pelo mínimo de atenção, higiene e dignidade.
São os atores que movimentam cenário, basicamente mesas e cadeiras, são eles que ocupam o palco com um talento ímpar! Eles narram e interpretam, o que não vemos, imaginamos. O teatro na sua essência de contar algo e o público imaginar e embarcar junto com os atores. Orgulho de ser brasileira e acompanhar a trajetória
Teuda Bara não está no palco fisicamente, mas a sua alma está!. "Teuda é uma base para todos nós". O circo tem um mastro e Teuda é o nosso mastro de alegria, de nunca desistir. Sentimos a presença dela em todos os lugares".
Guairinha - 1 de abril de 2026
Ficha técnica
Ficha Técnica: Elenco: Antonio Edson, Eduardo Moreira, Fernanda Vianna, Inês Peixoto, Júlio Maciel, Luiz Rocha, Lydia Del Picchia, Paulo André e Simone Ordones; Direção e Dramaturgia: Rodrigo Portella; Diretores Assistentes: Georgina Vila Bruch e Paulo André; Direção Musical, Trilha Original e Paisagem Sonora: Federico Puppi; Cenografia: Marcelo Alvarenga (Play Arquitetura); Figurino: Gilma Oliveira; Interlocução Dramatúrgica: Bianca Ramoneda; Iluminação: Rodrigo Marçal e Rodrigo Portella; Adereços: Rai Bento; Visagismo: Gabriela Dominguez; Desenho Sonoro, Programação e Mixagem: Fábio Santos; Assistência de Direção: Zezinho Mancini; Assistência de Figurino: Caroline Manso; Assistência de Cenografia: Vinícius Bicalho; Construção Cenário: Artes Cênica Produções; Costuras: Danny Maia; Fotos: Igor Cerqueira e Mateus Lustosa; Registro e Cobertura Audiovisual: Luiz Felipe Fernandes; Comunicação: Letícia Leiva e Fernanda Lara; Projeto Gráfico: Filipe Lampejo e Rita Davis; Consultoria de Acessibilidade: Oscar Capucho; Operação de Luz: Rodrigo Marçal; Operação de Som: Fábio Santos; Técnico de Palco: William Bililiu; Assistente Técnico: William Teles; Assistente de Produção: Zazá Cypriano; Produção Executiva: Beatriz Radicchi; Direção de Produção: Gilma Oliveira; Produção: Grupo Galpão.
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