Um casamento de 35 anos chega ao fim. Mauro, um dramaturgo e Júlia, ao que tudo indica sem profissão definida
O amor se transformae viver só após tantos anos não é fácil. Aí vem as lembranças dos momentos alegres, as brigas, sonhos, frustrações, e muita emoção de relembrar e precisar desenhar um futuro diferente do planejado, afinal, a ideia era " viver felizes para sempre" . Acompanhamos as fases da separação e das novas experiências - o passar dos tempos é sinalizado no palco -, os medos, os vazios e inseguranças do início e depois a coragem de alçar voos, com individualidade, novos amores.
O etarismo ainda é presente, mas é preciso enfrentar os preconceitos. A comédia romântica foi escrita por Miguel Falabella para os amigos Natália do Vale e Herson Capri.
É uma peça leve e divertida, mas traz reflexões sobre preconceitos arraigados. Além do etarismo, aborda a misoginia, a gordofobia, e as relações homoafetivas são mostradas com naturalidade assim como a transição da irmã de Mauro. Homofobia e transfobia não tem vez. Falabella sempre imprime um humor irônico nos seus trabalhos, com clichês sobre a vida e as relações humanas, como uma estratégia de comédia. Falabella sabe como conduzir os grandes atores em cena, seguros, transmitindo as nuances e camadas de personagens que retratam pessoas comuns que buscam sair do comodismo e viver um cotidiano sem muitos planos, deixando a vida os levar, como diz Zeca Pagodinho.
Um texto simples na estrutura , mas que explora o recomeçar. E o recomeçar pode até ser recomeçar o casamento...
O casal tem respeito pelo legado de seus pais, citam muito, com seus defeitos e qualidades, e querem deixar boas memórias para os filhos, para tanto, a separação é necessária.
Um casamento desgastado precisa ceder lugar a novas experiências. Tudo parecia bem, até o marido revelar que tem uma amante. Os dois atores comemoran 50 anos de profissão.
Já fizeram duas novelas juntos e contracenam pela primeira vez no palco.
A química é ótima, atores excelentes.
O cenário traz cortinas e projeções, de cenário e mudança de tempo (desnecessárias porque as mudanças de ambientes e as falas dos personagens já dão pistas da passagem dos meses e anos). Cadeiras enfileiradas ocupam a cena como se os personagens estivessem no teatro, como se tudo fosse uma peça dentro de uma peça, o metateatro.
A trilha sonora contribui para dar o tom de comédia romântica à montagem.
Senti falta de trilha nacional.
Texto e Direção: Miguel Falabella
Elenco: Natália do Vale e Herson Capri
Assistente de direção: Edwin Luisi
Cenário: Turíbio e Zezinho Santos
Arquitetura Luz: Paulo César Medeiros
Trilha Sonora: Leandro Lapagesse
Vídeo: Richard Luiz
Figurino: Marco Pacheco e Jemima Tuany
Assistente de Produção: Pillar Paiva
Assessoria de Comunicação: Dobbs Scarpa
Produção executiva: Robert Litig
Direção de Produção: Theo Falabella |