O teatro evocando a importância da nossa História para que a arte e a vida tenham sentido.
Curitiba - Com o instigante espetáculo História, Cia Brasileira de Teatro faz a sua estreia nacional no Guairinha e propõe reflexões sobre o papel do teatro na valorização da memória como o meio mais potente para, ao recuperar fatos do passado, entender melhor o presente e assim cpnseguir realizar ações em pról de um futuro mais justo e harmônico.
Não podemos deixar a vida passar em vão. Vamos valorizar e reverenciar a memória porque quem não conhece a sua História não tem identidade e não consegue perceber o quanto num mundo tão caótico é essencial emanar empatia e pensar no bem-comum. Não somos de preservar a memória e valorizar a nossa história, mas ainda bem que existe um grupo de teatro como a Cia Brasileira, dirigida por Marcio Abreu, que coloca no palco memórias e histórias baseadas em experiências pessoais dos atores, retratando momentos importantes do Brasil e colocando também a ficção como forma de suportarmos as dores do dia a dia.
A Cia curitibana hoje é patrimônio nacional da nossa arte e História, novo trabalho da trupe, segue a tradição criativa de espetáculos como Ao vivo dentro da cabeça de alguém e Sem Palavras, para citar trabalhos recentes,entre outros, para falar da vida, da arte, sem panfletarismo, mas com uma visão do quanto a preservação do coletivo é essencial para um cotidiano mais prazeroso.
Num mundo tão carente de amor e empatia, o relato de experiências individuais, através de falas de alta carga dramática e que resgatam fatos, emoções e sensações que revelam aspectos sociais, políticos e artísticos do passado e do presente.
Ora sozinhos, ora em conjunto, em cena estão a atriz Carolina Virgüez e o ator Rafael Bacelar.
As falas dos atores, ora formando frases concisas, ora citações fragmentadas que juntas ganham um significado, provocam reflexões sobre a nossa existência num universo em ebulição e pós pandemia da Covid.
Para dar força e suporte ao que é falado no palco, a peça conta com uma estrutura multimídia.
Muito interessante a presença de enormes caixa de sons com design antigo. É como se entrássemos num túnel de memórias e percepções sobre a vida num show de luzes e som alto.
O metateatro se faz presente. No início são falas, pensamentos e movimentos, depois vemos que é o ensaio de uma peça entre mãe e filho.
Como é também de praxe no teatro realizado por Márcio Abreu, o corpo fala, a fisicalidade é impressionante e vigorosa e ajuda a expor o que se passa na cabeça dos atores, que em conjunto com a música, executada ao vivo pelo músico Felipe Storin, ajuda a construir as lembranças narradas e as explosões de pensamentos . Apesar de quebrar a quarta parede poucas vezes, com algumas perguntas direcionadas ao público, o espectador se sente parte da História todo o tempo porque o texto é pulsante e traz percepções urgentes e oportunas sobre o nosso dia a dia.
A montagem conta com a direção de movimento de Key Sawao, figurinos que reforçam a ideia de metateatro e de uma encenação cheia de simbologias de Luiz Cláudio Silva e cenografia de Marcelo Alvarenga também simbólico, visto que o teatro de Marcio Abreu apresenta ideias e reflexões que não contém respostas, mas nos provocam a sair da sala de espetáculos com mais questionamentos sobre a arte e a vida .
25 anos é uma vida de realizações e a Cia merece todos os aplausos. Fazia anos que não havia estreia de peças da trupe em Curitiba (participaram muitas vezes do Festival de Curitiba e agora, felizmente, a capital paranaense ganha esse presente teatral de acompanhar o início de uma jornada importante na trajetória de uma cia que nasceu em Curitiba e ganhou o mundo!
SERVIÇO: “História” – nova peça da companhia brasileira de teatro
Apresentações: dias 6, 7 e de 10 a 14 de junho de 2026
Horários: quarta a sábado, às 20h | domingos, às 16h e 20h
Local: Auditório Salvador de Ferrante (Guairinha)
Duração: 90 minutos
Classificação etária: 18 anos
Ingressos: R$ 33,90 (meia) e R$ 67,80 (inteira).
Vendas: www.diskingressos.com.br/grupo/3215/2026-06-10/pr/curitiba/historia |