O Céu da Língua – Gregório Duvivier
Curitiba – Teatro Guaíra (Guairão)
O Céu da Língua, com Gregório Duvivier, é uma celebração da nossa língua-mãe e de suas vertentes, em formato próximo ao stand-up, com falas bem-humoradas, inteligentes e profundamente poéticas.
Falar sobre o espetáculo O Céu da Língua é complicado por um ótimo motivo: somente assistindo a esse trabalho de Gregório Duvivier é possível compreender plenamente a qualidade de seu conteúdo textual e cênico.
O Céu da Língua é estrelado por Gregório Duvivier e dirigido por Luciana Paes. Ambos assinam a dramaturgia.
A montagem é um trabalho repleto de generosidade e criatividade efervescente, que exalta a poesia e a riqueza da língua portuguesa. Gregório, formado em Letras e apaixonado pelo idioma, é ator, humorista, dramaturgo, cantor, escritor e verdadeiro encantador das palavras. Além disso, imprime em suas realizações uma crítica social oportuna e certeira.
Em O Céu da Língua, ele disseca o nosso idioma de forma divertida e extremamente inteligente. Ocupa o palco com competência, e cada gesto e movimento têm um propósito, dando vida e significado a tudo o que é dito.
As palavras ganham vida, cor, som, cheiro e dimensão. Aguçam a imaginação do público e despertam a vontade de ler poesia e aprender mais sobre a língua portuguesa. “Muxoxo”, por exemplo: quem já usou ou ouviu essa palavra?
Duvivier domina a plateia com sua desenvoltura e expressividade corporal.
Ele narra, conversa, conta “causos” sobre a língua tanto no Brasil quanto em Portugal, canta e traz a comédia na veia para exaltar a arte, a poesia e a valorização das palavras.
Está vestido como um nobre elisabetano, usando um colarinho inspirado no estilo associado a Camões.
O palco apresenta detalhes em azul, como se estivéssemos em um espaço intergaláctico de palavras antigas, no princípio de tudo, cercados por expressões obsoletas, mas também em um universo moderno, povoado por termos e expressões extremamente atuais.
Você já pensou que “cadeira” tem esse nome apenas por convenção e poderia muito bem se chamar “uva”? Pois é... Essa é apenas uma das inúmeras reflexões que Duvivier, sempre ávido por aprender, pesquisar e transformar percepções cotidianas em arte, nos convida a fazer durante o espetáculo e mesmo após o seu término.
Quem ganha com isso? O público, presenteado com o fervilhante O Céu da Língua.
Só cabem superlativos para definir esse solo.
O encerramento, ao som de “Livros”, de Caetano Veloso, demonstra que Duvivier está sempre conectado ao que existe de mais inteligente e refinado na cultura brasileira.
Para ilustrar, dar mais dinamismo e ampliar os significados da interpretação de Gregório, projeções de letras e imagens são realizadas por sua irmã, Theodora Duvivier, que também atua como assistente de direção.
O uso do retroprojetor é particularmente interessante e criativo.
A direção musical e a execução da trilha sonora, assinadas por Pedro Aune, também constituem um dos grandes trunfos do espetáculo.
A peça estreou em Portugal, percorreu diversas cidades brasileiras, retornou ao país europeu e está em Curitiba pela terceira vez — a primeira participação ocorreu durante o Festival de Curitiba do ano passado.
Em poucas palavras, O Céu da Língua revela a paixão de Duvivier pela poesia, pelas frases e pelas palavras da língua portuguesa. Evidencia seu encantamento pelos sons, pelas grafias e pelos significados de expressões e vocábulos extraordinários.
Gregório nos apresenta a riqueza do idioma português, permitindo que conheçamos palavras e significados raramente utilizados ou mencionados.
É uma verdadeira aula de interpretação e de língua portuguesa por meio do teatro, explorando toda a sua riqueza, musicalidade e humor. Afinal, existem palavras e expressões muito curiosas — e não faltam palavras belas em nosso idioma.
O Céu da Língua é um espetáculo para ver e rever.
A Biblioteca Pública do Paraná (BPP) recebeu, no palco do Auditório Paul Garfunkel, Gregorio Duvivier, para uma conversa com o diretor da BPP, Luiz Felipe Leprevost, sobre o tema: “O que a poesia tem a ver com tudo isso?”. O encontro aconteceu na última terça-feira, dia 23, às 11h da manhã. Auditório lotado, com sessão de autógrafos após a conversa ( iniciativa do próprio artista)
Ficha Técnica
Texto: Gregório Duvivier e Luciana Paes
Interpretação: Gregório Duvivier
Direção: Luciana Paes
Assistente de Direção: Theodora Duvivier
Direção Musical e Execução da Trilha: Pedro Aune
Criação Visual e Projeções: Theodora Duvivier
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