Eva Wilma e Nicette Bruno estrelam a nova versão do clássico longa-metragem de 1962, que estreia no Teatro Porto Seguro.
A estreia de O que terá acontecido a Baby Jane? traz alguns dados interessantes: é a estreia da obra no teatro, mais de cinco décadas após o lançamento cinematográfico com a participação de Bette Davis e Joan Crawford. Henry Farel, autor do romance original que deu origem ao filme, também escreveu a peça.
A versão de Möeller e Botelho é a primeira montagem oficial dessa obra no teatro. A estreia no Teatro Porto Seguro, portanto, é mundial.
Além disso, a dupla Charles Möeller & Claudio Botelho assina pela primeira vez um espetáculo que não é musical e as atrizes Eva e Nicette contracenam pela segunda vez no palco (elas atuaram juntas em 1954 na peça Lição de Botânica, de Machado de Assis, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro).
Eva e Nicette interpretam as irmãs Jane e Blanche Hudson, vividas por Bette Davis e Joan Crawford no cinema.
Como a história acontece em três tempos, Jane e Blanche também serão vividas pelas crianças Sophia Valverde e Duda Matte (escolhidas por meio de testes) e também por Rachel Rennhack e Juliana Rolim, na juventude. Completam o elenco, Licurgo Spínola, Nedira Campos e Teca Pereira.
Na trama, Jane Hudson (Eva Wilma) foi estrela mirim, mas caiu no ostracismo. Precisa lidar com essa decadência e aceitar o sucesso da sua irmã, Blanche (Nicette Bruno), uma estrela do cinema hollywoodiano.
Após um acidente trágico e misterioso, que encerrou a carreira das irmãs, elas se encontram num velho casarão onde o cotidiano é complicado porque a relação entre as duas é pautada pelo ressentimento.
Jane viveu à sombra da irmã, nunca a perdoou e planeja uma vingança. Decide voltar aos palcos e retomar o personagem da infância, mesmo que para isso precise agir de maneira condenável.
Elas não conseguem se libertar uma da outra, apesar das desavenças. Vivem num cenário que remete o espectador ao labirinto interno das personagens e não se sabe muito bem quem é realmente a vilã da história.
O tempo na adaptação teatral não é linear. Passado, presente e fantasia se misturam em cena.
Para Charles Möeller, a peça fala da rivalidade na profissão e entre irmãs, e também evidencia um embate entre o teatro de vaudeville e o cinema.. ¨É um tratado da inveja¨, classifica.
¨Uma disputa entre o teatro de vaudeville para o que o teatro se tornou (com o surgimento do cinema falado), acrescenta Claudio Botelho, ressaltando que nesse momento o vaudeville teve o seu fim.
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Para Nicette Bruno, esse trabalho é um desafio e um exercício positivo para a sua carreira. ¨Cada personagem é um ensinamento para a caminhada profissional, diz, destacando que a direção do Charles proporcionou a segurança necessária para que ela e Eva Wilma conseguissem enfrentar o desafio de dar vida às irmãs que vivem ¨um conjunto de amor e ódio¨.
Indagada sobre o processo de criação de sua personagem, a atriz destaca que os atores aprendem a exercitar todas as gamas de emoções e individualidades. Destaca que o espetáculo é fruto de um trabalho psicológico intenso e que está fazendo esse espetáculo com ¨alegria, entusiasmo e muita paúra¨.
Eva Wilma frisa que o convite feito pela dupla foi atraente, sobretudo pela oportunidade em contracenar com a Nicette. ¨Nós nos sentimos meio irmãs", afirma.
¨O que me fascinou no texto foi o humor num drama terrível, mas nunca perder o humor. Isso sempre me encantou. O principal para a gente enfrentar a vida é o humor¨.
A atriz sinaliza que o ator encontra a sua maneira de viver os personagens mergulhando na proposta do autor e buscando uma maneira de interpretar com prazer, mesmo num universo difícil, trágico.
Ressalta a qualidade do texto e destaca que o entrosamento de todos no processo de criação é de suma importância, assim como o mergulho no drama sem perder a leveza e o humor.
Eva declara, assim como Nicette, que esse espetáculo é um grande desafio para ela. ¨Eu e Nicette estamos aprendendo. Estamos sempre aprendendo¨.
A peça marca a união de duas estrelas que carregam a história do teatro brasileiro. Foram escolhidas para os papéis, segundo Claudio Botelho, por serem duas atrizes populares e grandes artistas, como eram Bette Davis e Joan Crawford. ¨Elas trazem com elas Janes e Blanches do Brasil¨, afirma.
São duas atrizes de enorme experiência no teatro, conhecidas na TV e que . Foram casadas com atores e sempre produziram. Conhecem, portanto, ás glórias e percalços da profissão e têm o tablado como um lugar sagrado e se dedicam bastante aos ensaios para a conquista do sucesso.
Nos bastidores dos ensaios, o relacionamento conturbado entre as personagens é deixado para trás e as atrizes estabelecem um relacionamento amistoso e de admiração mútua.
EVA WILMA e NICETTE BRUNO em
O QUE TERÁ ACONTECIDO A BABY JANE?
Um espetáculo de CHARLES MÖELLER & CLAUDIO BOTELHO
Com LICURGO SPÍNOLA, NEDIRA CAMPOS, TECA PEREIRA, RACHEL RENNHACK, JULIANA
ROLIM e as crianças SOPHIA VALVERDE e DUDA MATTE.
Autor: HENRY FAREL
Adaptação: CHARLES MÖELLER
Tradução: CLAUDIO BOTELHO
Direção: CHARLES MÖELLER & CLAUDIO BOTELHO
Cenografia: ROGÉRIO FALCÃO
Figurinos: CAROL LOBATO
Iluminação: PAULO CÉSAR MEDEIROS
Visagismo: BETO CARRAMANHOS
Design de som: ADEMIR MORAES JR.
Coordenação Artística: TINA SALLES
Direção de Produção: BEATRIZ BRAGA
Produção Executiva: EDSON LOPES
Realização: MÖELLER & BOTELHO
SERVIÇO:
De 19 de agosto a 30 de outubro
Sextas e sábados, às 21h. Domingos, às 19h.
TEATRO PORTO SEGURO
Ingressos: R$ 120 (plateia) e R$ 90 (balcão).
Obs: A coletiva, que aconteceu no dia 15 de agosto, no Porto Seguro, foi transmitida ao vivo:
https://www.facebook.com/OQueTeraAcontecidoaBabyJane/
Destaque: Charles fala sobre a dedicação das atrizes de -3,24 até o final. Fala muito bonita sobre o ofício do ator.
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