A peça inédita no Brasil, escrita pelo francês Joël Pommerat , é composto por 18 cenas independentes que abordam o amor sob diversos pontos de vista, relações duradouras, entendimentos, desentendimentos, alegrias, tragédias, sonhos, desilusões. A vida pulsa através do amor. A música costura as cenas. Direção de João Fonseca e produção de Maria Siman, da Primeira Página Produções.
No palco, os atores Leticia Isnard, Bianca Byington, Solange Badim, Marcelo Valle, Gustavo Machado, Verônica Debom e Reiner Tenente se revezam em 47 diferentes personagens protagonizando 18 histórias sem ligação, mas que sem completam.
¨Todas as cenas têm nomes emblemáticos – Divórcio, Separação, Casamento. Bom frisar que o diretor evita o lugar comum, o clichê. A forma como aparecem as discussões e a questão do amor é sempre inusitada. Não é porque está na moda, mas eu acho tão necessário e tão bacana falar desse encontro e reencontro”, diz o diretor João Fonseca.
O título nos remete às questões políticas, mas o título é uma licença poética extraída da fala de uma das personagens que explica à mulher sem memória como os dois se amavam quando se conheceram: “Foi como se a Coreia do Sul e a Coreia do Norte abrissem suas fronteiras e se reunificassem e que as pessoas que tinham sido impedidas de se ver durante anos se reencontrassem”.
Maria Siman recebeu o texto de uma amiga francesa e assistiu a montagem original em Paris, dirigida por Pommerat e encenada por sua companhia, Louis Brouillard.
“Falar de amor em suas diversas possibilidades é urgente e necessário. Através da brilhante dramaturgia de Pommerat fazemos um passeio pelas diversas formas em que o amor, o afeto e a falta deles se manifestam”, declara a produtora Maria Siman.
Maria está certíssima. Vivemos um momento complicado, em que a celebração do amor é essencial para que se encontre a luz. Conviver nem sempre é fácil, mas o teatro pode nos ajudar a refletir e assim fica mais fácil guiarmos as nossas relação, sejam amorosas, o de qualquer outro tipo, de maneira saudável e produtiva.
Vale a pena ler:
A Reunificação das Duas Coreias segundo o elenco
Bianca Byington
Bianca considera Pomerrat um dos autores mais expressivos do teatro contemporâneo. Para ela, o desafio que ele impõe é o da atuação na fronteira entre o dramático e o cômico. “Para os atores é um tom bastante difícil de alcançar porque possui um falso coloquialismo, ficando numa zona de permanente ambiguidade”, diz.
Gustavo Machado
Na sua concepção, os personagens simbolizam muito do inconsciente humano. “Eles são concretos, mas abstratos na forma. Há mistério, elementos do absurdo, mas que mesmo assim não saem da seara do realismo”, opina.
Gustavo também destaca o fato da peça não permitir acúmulos: “Nos espetáculo tradicionais interpretamos um só personagem, então podemos nos ‘acumular’ dele durante o espetáculo. Nessa, não há essa possibilidade. Precisamos desligar de um para entrar em outro completamente diferente com rapidez”, destaca, ressaltando a carga dramática de uma de suas cenas, chamada Amizade, em que dois amigos começam uma discussão perturbadora e insólita sem motivo aparente.
Letícia Isnard
Segundo ela, as maiores dificuldades do texto estão nos seus tons, pois se tratam de situações limites, tragédias de vidas cotidianas. “É um texto complexo, violento e ao mesmo tempo sutil. As cenas não são óbvias, aliás são surpreendentes e muitas vezes misteriosas”, diz Letícia.
Afirmando que é um luxo dizer as palavras de Pomerrat, que já entrou para o “hall dos clássicos”, Letícia destaca algumas cenas em que participa: Divórcio, uma homenagem a um trecho de Cenas de um Casamento, do cineasta sueco Ingmar Bergman, Memória, em que um casal sofre pelo agressivo processo de perda de memória de uma mulher, e Valor, que recorta de forma original as disputas de valores e poder entre os sexos.
Marcelo Valle
Marcelo se divide em oito personagens no espetáculo de Pomerrat. O ator destaca que a peça não tenta dar conta de trajetórias e que seus 18 quadros violentos trabalham pungências e entrelinhas, destacando muito no que não está em cena.
Reiner Tenente
“O humor é uma evidência clara no meu trabalho e, nesta peça, mesmo que haja cenas bem humoradas, tudo é muito ponderado”, explica.
O ator ressalta que tem sido muito especial encarar diversos papeis tão diferentes num só espetáculo, pontuando relações muito profundas com pouco tempo para estabelecê-las. Reiner se diz especialmente impactado pela cenaValor, em que uma prostituta interpretada por Letícia Isnard começa a pechinchar serviços com o seu personagem.
Solange Badim
O que mais fascina Solange no processo de criação de Pomerrat é que ele escreve a partir dos ensaios com a companhia. “O texto vem de uma experimentação, dialoga com o ator”, explica. Nesta peça, Solange encara o texto como uma folha em branco, algo que não dá ideia de onde pode levar. “Não há nenhuma pista”, enfatiza.
Verônica Debom
A atriz diz que mesmo apresentando temas universais, como desencontros amorosos, confusões sentimentais, desvalorizações e frustrações, a peça é inteiramente atravessada por ambiguidades. “Justificativas psicológicas não permeiam as ações e as falas dos personagens, e isso certamente é um desafio. Me sinto numa corda bamba entre o psicologismo e o esvaziamento”, diz.
Contracenando com Bianca Byington em uma história intitulada Grávida, Verônica ressalta o grande prazer trabalhar com a atriz, um ídolo para ela.
Ficha Técnica
Texto: Joël Pommerat. Tradução: Beatriz Ittah. Direção: João Fonseca. Direção de produção: Maria Siman e Ana Lelis. Elenco: Leticia Isnard, Bianca Byington, Solange Badim, Marcelo Valle, Gustavo Machado, Veronica Debom e Reiner Tenente. Luz: Renato Machado. Figurinos: Antonio Guedes. Cenários: Nello Marrese. Direção Musical: Leandro Castilho. Direção de movimento: Alex Neoral. Assistente de Direção: Reiner Tenente e Pedro Pedruzzi. Produção executiva e administração: Ana Lelis. Assessoria de imprensa: Arteplural. Designer gráfico e fotos: Victor Hugo Cecatto. Realização: Primeira Página Produções. Gênero: Comédia Dramática. Facebook: A reunificação das duas Coreias.
O projeto A Reunificação das duas Coreias é viabilizado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura – Ministério da Cultura e conta com o Patrocinio Porto Seguro.
Serviço
A Reunificação das Duas Coreias. Estreia dia 16 de setembro, sexta-feira, às 21h, no Teatro MorumbiShopping. Temporada: Sextas e sábados, às 21h, e domingos, às 18h. Até 23 de outubro. Ingressos: Sextas e domingos: R$ 50,00 (inteira) e R$ 25 (meia). Sábados: R$70 (inteira) e R$35 (meia). Classificação: 12 anos. Duração: 105 minutos. Capacidade: 250 lugares.
Horário de funcionamento da bilheteria: de terça a quinta, das 13h às 20h. Sexta e sábado, das 13h às 21h e domingo, das 13h às 19h. Telefone: 5183-2800. Estacionamento Comum: até 2 horas – R$ 15,00. Demais horas: R$ 3,00. Estacionamento Valet: até 1 hora – R$ 18,00. Demais horas ou fração adicional – R$ 8. Estacionamento Motos: a cada 4 horas – R$ 10. Teatro MorumbiShopping. Endereço: Av. Roque Petroni Junior, 1089, Estacionamento do Piso G1, Jardim das Acácias, São Paulo.
|