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Entrevista com Lucianno Maza - O artista dirige o texto Kiwi - a peça, do franco-canadense Daniel Danis
Publicado em 26/09/2016, 21:45
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No período das Olimpíadas, uma é família despejada e a garota Kiwi passa a viver nas ruas. A peça faz um retrato crítico e poético de crianças e jovens que enfrentam essa dura realidade.

Em cena, os atores Rita Batata e Lucas Lentini. Rita dá vida a Kiwi e Lentini interpreta o seu melhor-amigo-namorado-marido (Lichia).

Para eles conseguirem entrar para uma turma, precisam usar o codinome de frutas ou legumes e aprender a lidar com os percalços de um cotidiano onde vivem pessoas honestas, mas também existem diversos problemas: a venda de drogas, roubos, violência e prostituição.

O diretor Lucianno Maza fala um pouco sobre o seu trabalho. Ele carregava o sonho de montar esse texto há seis anos.

Kiwi - A Peça é a primeira tradução de maza que vai ser publicada e a primeira tradução feita do premiado texto do autor franco-canadense para a Língua Portuguesa. Inédita parceria entre a Editora Benfazeja e o novo selo de difusão da dramaturgia contemporânea Drama Tempo. Na estréia da peça os livros já estarão disponíveis.

Maza também é ator, dramaturgo, diretor, curador e crítico de teatro. Estreou em sua cidade natal, Rio de Janeiro, onde ainda mantém produção.

Sobre Lucianno Maza
Nasceu no Rio de Janeiro e tem dividido sua carreira entre a cidade natal e São Paulo.

Escreveu mais de 15 textos, entre eles “Três T3mpos”,“Restos”, “A Memória dos Meninos” e “Até o Sol Nascer”.
Peças de sua autoria foram publicadas pela editora Imprensa Oficial na Coleção Primeiras Obras (as obras foram organizadas por Ivam Cabral).

Como diretor, encenou textos de sua autoria e de outros autores como Gabriela Mellão (A História Dela e Parasita), Zen Salles (1,26 e Agridoce) e Fernando Ceylão (Quarto do Nada).

Também dirigiu leituras dramáticas de textos de Alcides Nogueira, Caesar Moura, Dionisio Neto, Walcyr Carrasco, Paul Zindel, Samuel Beckett, Sarah Kane e Rainer Werner Fassbinder, entre outros.

A apresentação do espetáculo Carne Viva no Festival Internacional de Teatro de Setúbal – XVII Festa do Teatro, em Portugal, marcou a estreia internacional de Lucianno Maza. No país, ele também lançou o livro intitulado Teatro, reunindo peças de sua autoria.

ENTREVISTA

De olho na cena – Nanda Rovere - Como você conheceu o texto de Daniel Danis e o que mais te impressionou na obra?
Lucianno Maza - Conheci em uma madrugada, pesquisando dramaturgia canadense escrita em francês. Para além de Robert Lepage e outros nomes mais conhecidos no Brasil, o de Daniel Danis me chamou atenção. Ele tinha recebido tantos prêmios e montagens mundo afora e ainda era um desconhecido para nós. Então fui buscar sua obra e me deparei com "Kiwi", um texto aparentemente curto, mas que dá conta de tantos acontecimentos, tantas denúncias, tantas jornadas. Me impressionou seu poder de concisão e seu estilo entre o dialógico e a narratividade, além de ser uma obra que, sem mudar uma palavra, pode se dirigir à adultos ou jovens e essa ambiguidade também me soou impressionante. Isso foi há seis anos.

NR - Você é dramaturgo e diretor. Como é dirigir uma obra que não é de sua autoria. Você fez adaptações?
Lucianno Maza - É maravilhoso! Já dirigi autores brasileiros contemporâneos como a Gabriela Mellão, o Zen Salles e o Fernando Ceylão, e agora trabalho com a obra do Daniel Danis, e sempre é muito rico o diálogo, a troca. O teatro é uma amálgama de diferentes visões: a do autor, a do diretor, a dos atores, a do músico, do figurinista e por aí vai. Como eu tenho uma proposta cênica quase sempre muito delineada, o que faço é preservar o texto e revesti-lo com a cena. Foi assim agora com "Kiwi", traduzi, fiz as adaptações imprescindíveis para a compreensão, mas não alterei nenhum sentido ou situação e nem fiz a transposição da história para o Brasil ou qualquer coisa do tipo.

NR - Você trabalha também no Rio de Janeiro e já trabalhou em Portugal. Fale um pouco da sua experiência profissional, sobretudo no exterior e o registro de peças de sua autoria.
Lucianno Maza - Eu nasci e comecei a trabalhar no Rio de Janeiro, de onde me mudei em 2007, mas sempre continuei a trabalhar lá esporadicamente. Parte dos autores que hoje fazem sucesso foram meus colegas e outros eu tive a oportunidade de fomentar seus inícios em um projeto chamado Drama Tempo, então minha ligação com o teatro carioca é bastante forte, mesmo que eu fique anos sem montar nada por lá (minha última peça na cidade foi "Até o Sol Nascer" de 2013). Quanto a Portugal, foi um convite muito especial, minha estreia internacional, dirigindo uma companhia com 30 anos de existência, o Teatro Estúdio Fontenova, na encenação de um texto de minha autoria ainda inédito no Brasil chamado "Carne Viva". Foi uma responsabilidade e desafio dirigir um grupo com tamanho lastro e ainda assim impor uma dramaturgia e estética autorais, foi muito interessante. Quanto ao registro das minhas peças eu tenho o orgulho e privilégio de ter sido publicado no Brasil dentro de um projeto muito bonito, a Coleção Primeiras Obras, da Imprensa Oficial, onde há um volume dedicado a cinco textos de minha autoria, e lá em Portugal também foi lançado um livro com minha dramatugia chamado "Teatro" pela Chiado Editora. Me sinto muito honrado, porque nós brasileiros pouco publicamos (e lemos) dramaturgia. Por isso mesmo fiz questão de publicar em livro a tradução que fiz para "Kiwi", numa parceria com a Editora Benfazeja.

NR - A peça fala da dura realidade vivida pelos moradores de rua e problemas como drogas, roubos e violência. Como foi o processo de criação para retratar com competência esse universo?
Lucianno Maza - A peça fala sobre todos esses temas e muito mais: fala sobre união, sobre identidade, sobre sobrevivência. Porque tudo isso faz parte da realidade dos moradores de rua. E nesse sentido, o texto é muito poderoso, é incisivo na representação social desses momentos críticos, mas também carrega uma mensagem de esperança. Então "Kiwi", o texto, em si já faz um retrato poético competente disso tudo. Durante as minhas pesquisas, recorri a livros, documentários e reportagens, sobretudo de casos brasileiros, para entender o diálogo do conteúdo com a nossa realidade. Nesse sentido, um amigo dramaturgo, com formação também em Ciências Sociais, o Marcos Gomes, contribuiu numa interlocução sobre esses temas comigo.

NR - Você é crítico de teatro. Isso faz com que você tenha uma maior cobrança com relação às suas criações. Consegue separar o Lucianno artista e o crítico?
Lucianno Maza - Eu sempre defendi uma crítica horizontal, que dialoga com a cena de igual para igual, somos espectadores com uma formação e informação talvez mais privilegiadas e contribuímos para a decodificação e interpretação da obra artística com um olhar externo. Justamente por isso, acho interessante que tenhamos críticos de origem artística, além de jornalistas. Então, eu enquanto crítico, não estou tão distante do que faço quanto artista e vice-versa. É claro que eu erro e como artista não permito que o crítico torne-se censor de mim mesmo. Cada coisa, uma coisa. Como artista estou sempre em busca de algo novo, me arriscar, experimentar, "falhar melhor", e, quem sabe, achar alguma coisa nesse percurso.

NR - Como vê o teatro hoje, o que tem te chamado a atenção (atores, espetáculos...)?
Lucianno Maza - Nas últimas décadas, o teatro vive um "boom" no Brasil, não é? São escolas e mais escolas, todo mundo querendo ser ator, teatros abrindo e fechando. Acho que é uma fase muito positiva em termos de números. Com uma oferta tão grande é claro que é possível encontrar qualidade em qualquer gênero, o que é bom para o teatro. Alguns encenadores têm me chamado especialmente atenção na última década. No Brasil, eu preciso citar o trabalho do Roberto Alvim e do Márcio Abreu, com as suas companhias (Club Noir e Cia. Brasileira de Teatro) ou em colaborações com outros artistas, ambos têm apresentado o que há de mais autoral e provocativo no teatro brasileiro hoje, na minha opinião. E mais: têm saído de suas zonas de conforto e experimentado riscos interessantíssimos. O Alvim agora adaptando um Chico Buarque contemporâneo para falar do Brasil. E o Abreu, que apresentou o que foi o melhor espetáculo do ano, na minha opinião: "Nós", com o Grupo Galpão, uma instituição teatral se jogando na distinta linguagem do encenador e ele dialogando com a História deles, enfim, uma coisa linda de se ver!

NR - O que te instiga enquanto artista? Quais as suas influências, especialmente na dramaturgia?
Lucianno Maza - Ah, muita coisa me instiga, nos últimos tempos tem sido a comoção. O que é capaz de me fazer sair do meu lugar (eu) e movimentar-me em outras direções e me fazer me sentir como o outro, essa alteridade, que gera uma emoção, um sentimento profundo de comunhão com uma realidade que não é a minha, mas me toca profundamente, é o que tem mais me interessado enquanto artista. Quanto a influências, eu precisaria começar pela literatura: de Hilda Hilst à Haruki Murakami, em lugares diferentes, eles ecoam em mim. Na dramaturgia, eu admiro tanta gente daqui e de outros países! Mas, vejamos, o meu "autor de cabeceira" é o Alcides Nogueira, que tem uma vasta e densa obra teatral que deveria dar orgulho a qualquer brasileiro.

NR - Para a escolha do elenco você fez audições. O que mais chamou atenção nas atuações de Rita Batata e Lucas Lentini?
Lucianno Maza - É verdade, fiz audições, apesar de não ser nenhum musical ou espetáculo de grande porte, mas eu buscava atores jovens que pudessem contar essa história como eu imaginava, e nesses encontros pude conhecer muita gente talentosa e ampliar minhas referências de jovens atores. O que mais chamou minha atenção na Rita e no Lucas foi a disponibilidade, compreensão e emoção dos dois e como funcionaram juntos no dia do teste, apesar de nunca terem se visto antes. A Rita é uma atriz jovem, mas experiente, premiada, um grande nome do cinema paulistano; o Lucas é um menino talentosíssimo que já foi dirigido pelo Ulysses Cruz. Enfim, são atores de um enorme talento e foi uma alegria buscá-los e encontrá-los, como tem sido ao longo dos ensaios dirigí-los com minha assistente Náshara Silveira.

NR - E como a peça tem como pano de fundo uma Olímpiada, você acompanhou os jogos? Qual o balanço você faz do evento no Brasil?
Lucianno Maza - Não pude acompanhar os jogos, porque estava justamente ensaiando "Kiwi". Assisti uma coisa ou outra e claro que com os devidos investimentos e qualidade humana do brasileiro, me parece que o evento correu sem maiores transtornos por aqui, o que é ótimo, sempre torcemos pelo melhor, não é?

NR - Você carregava o sonho de montar o texto há seis anos e ele aconteceu no ano da Olimpíada. Foi algo pensado?
Lucianno Maza - Sim, foi premeditado. Eu sabia que as pessoas estariam anestesiadas ou extasiadas por causa dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro e que devia aproveitar o momento para estrear o texto e, assim, convidá-las a refletirem como esses grandes eventos internacionais também são excludentes, não apenas para as vítimas que sofrem com os processos de gentrificação que eles provocam, mas também para boa parte dos moradores da cidade-sede que ficam à margem da realização, já que a maioria não pode participar. "Kiwi" reflete essa marginalização, a gentrificação e tudo aquilo que uma cidade, um país, tenta esconder do mundo em um grande evento como uma Olimpíada. É hora de nos lembrarmos.

Ficha Técnica:
Texto: Daniel Danis
Direção e tradução: Lucianno Maza
Elenco: Rita Batata e Lucas Lentini
Assistência de direção: Náshara Silveira
Trilha-sonora: Dr. Morris
Figurino: Anne Cerutti
Cenário e iluminação: Lucianno Maza
Assistência de iluminação: Melissa Guimarães
Arte gráfica: André Kitagawa
Projeto (programação visual): Caesar Moura
Fotos de divulgação: Arô Ribeiro
Fotos de cena: Bob Sousa
Assessoria de imprensa: Canal Aberto - Márcia Marques
Produção executiva: Berenice Haddad
Produção e idealização: Lucianno Maza
Realização: Projeto Grande Elenco

Serviço:
De 1 º de Outubro a 27 de Novembro de 2016
Sábados, às 21h30, e domingos, às 19h
Teatro Augusta (Sala Experimental)
Endereço: Rua Augusta, 943 - Cerqueira César
Informações: (11) 3151-4141
Capacidade: 50 lugares
Duração: 50 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Ingressos: R$30,00 (inteira) / R$15,00 (meia-entrada: estudantes; jovens de baixa renda entre 15 e 29 anos; idosos acima de 60 anos; portadores de necessidades especiais e acompanhante; e professores da rede municipal e estadual)
Horário da bilheteria do teatro: Quarta a sexta, de 14h às 21h; e sábados e domingos, de 13h às 21h.
Os ingressos também podem ser adquiridos pelo site e televendas: www.compreingressos.com e (11) 2122-4070.

http://www.luciannomaza.com/
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DE OLHO NA CENA BY NANDA ROVERE - TUDO SOBRE TEATRO, CINEMA, SHOWS E EVENTOS Sou historiadora e jornalista, apaixonada por nossa cultura, especialmente pelo teatro.Na minha opinião, a arte pode melhorar, e muito, o mundo em que vivemos e muitos artistas trabalham com esse objetivo. de olho na cena, nanda rovere, chananda rovere, estreias de teatro são Paulo, estreias de teatro sp, criticas sobre teatro, criticas sobre teatro adulto, criticas sobre teatro infantil, estreias de teatro infantil sp, teatro em sp, teatros em sp, cultura sp, o que fazer em são Paulo, conhecendo o teatro, matérias sobre teatro, teatro adulto, teatro infantil, shows em sp, eventos em sp, teatros em cartaz em sp, teatros em cartaz na capital, teatros em cartaz, teatros em são Paulo, teatro zona sul sp, teatro zona leste sp, teatro zona oeste sp, nanda roveri,

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