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Entrevistas e dicas de espetáculos

Entrevista com a atriz Fernanda Cunha
Publicado em 04/11/2016, 23:00
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Fernanda Cunha é atriz e produtora. Formada em Interpretação pelo Departamento de Artes Cênicas da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e pós-graduada, também pela USP, tem realizados trabalhos de visibilidade na cena cultural paulistana.

Alguns dos espetáculo em que atuou: A Casa de Bernarda Alba, direção de Elias Andreato, Mulheres, com direção de Fernanda D´Umbra, Equus, sob direção de Alexandre Reinecke, A Famylia Monstro, direção de Pamela Duncan, O Papa e a Bruxa, de Dario Fo, U Fabuliô, de Hugo Possolo e Um Chopes, Dois Pastel e Uma Porção de Bobagens, de Mário Viana, todos esses trabalhos com o Grupo Parlapatões e sob direção de Hugo Possolo, entre outros.

Com a atriz Angela Figueiredo, produziu dois espetáculos: As Moças, direção de André Garolli, e Noites sem Fim, direção de Marco Antônio Pâmio.

Fernanda tem uma parceria duradoura com a autora Verônica Stigger e o diretor Henrique Stroeter. Entre os trabalhos, a leitura do texto Pat e Morg, no Dramamix das Satyrianas ( autoria e direção de Verõnica, em parceria com Eduardo Sterzi) e as seguintes leituras dramáticas, com direção de Stroeter: Os Canibais (2009); Casa do Brasil (2010); O Coração dos Homens, monólogo que integra o livro Sul, e Prólogo (2013).

No momento, a atriz está em cartaz com o espetáculo O Coração dos Homens, agora levado para o público na forma de uma montagem teatral.. A peça propõe reflexões sobre a violência implícita nas relações de gênero, classe e raça.

No palco, Fernanda vive uma mulher que relembra, com humor, passagens de sua infância e adolescência, nos anos da ditadura militar. Ela está nua e aos poucos vai se vestindo. A sua história vai ganhando forma e a sua personalidade vai sendo construída através da interpretação, dos gestos, das vestimentas e do uso de uma peruca.

Ela conta momentos emblemáticos de sua vida, em Porto Alegre, e em todos eles a menstruação acaba por deixar os fatos vividos com um significado especial. Algumas lembranças são familiares, mas a escola é o ambiente predominante.

O sangue que pode ser da redenção, também pode ser o sangue da violência e do sarcasmo. A chuva e a neve também têm significados emblemáticos na narrativa.

O cenário traz um sofá, que remete o espectador a uma espécie de divã onde a personagem conta a sua história, além de uma santa e outros objetos que contribuem para dar consistência à encenação. A cor vermelha está no desenho de luz e coloca o sangue em evidência.

Noites sem Fim reestreia dia 09 de Novembro, às terças e quartas-feiras às 21h00, no Teatro Eva Herz. Livraria Cultura – Conjunto Nacional - Avenida Paulista, 2073 – Bela Vista. Bilheteria: 3170-4059 / www.teatroevaherz.com.br. Terça a sábado, das 14h às 21h. Domingos das 12h às 19h. Formas de Pagamento: Dinheiro / Cartões de débito – Visa Electron e Redeshop / Cartões de crédito – Amex, Visa, Mastercard, Dinners e Hipecard. Não aceita cheque.. Vendas: www.ingressorapido.com.br. Terças e quartas às 21h00. Ingressos: R$ 40. Duração: 80 minutos. Recomendação: 14 anos. Reestreia dia 09 de Novembro de 2016. Curta Temporada: até 07 de Dezembro.

ENTREVISTA:

Nanda Rovere -Tanto o espetáculo As Moças quanto Noites sem Fim têm como foco o universo feminino. Foi uma escolha trabalhar com questões da mulher?
Fernanda Cunha - Na verdade, nos dois casos, foi uma coincidência muito bem vinda. Nossa busca inicial, minha e da Angela Figueiredo, minha sócia e parceira de cena na Cia. As Moças, era por um texto que tivesse duas personagens femininas interessantes para que duas atrizes de gerações diferentes pudessem atuar numa produção concisa. Encontramos As Moças e Noites Sem Fim praticamente na mesma época. As Moças, por indicação do amigo e diretor, Marcos Loureiro, e Noites Sem Fim, através da indicação do amigo e ator, Dan Stulbach. Optamos pelas Moças num primeiro momento porque estava mais ao alcance das nossas possibilidades. E foi com As Moças: O Último Beijo, sob direção de André Garolli, montagem muito bem recebida pelo público e pela crítica, que outras portas foram abertas para podermos fazer Noites Sem Fim, logo na sequência.

NR- Como foi interpretar uma ex-presidiária no caso de Noites Sem Fim? Fale também da parceria com a Angela neste trabalho e em As Moças.
FC - Ainda está sendo um desafio fazer uma ex-presidiária. Vamos reestrear Noites Sem Fim no Teatro Eva Herz, dia 09 de novembro. O teatro tem isso. Ele é vivo e exige a nossa presença de corpo e alma quando estamos em cena e, muitas vezes, até fora dela. Fico trabalhando comigo mesma, dentro e fora de mim, como não vitimizar ou demonizar a personagem, tentando abordar as contradições humanas dela e, ao mesmo tempo, não negligenciar a responsabilidade que a personagem tem diante das suas próprias escolhas, as consequências nas quais essas escolhas implicam e as dificuldades desumanas que o meio impõe a elas. É bem complexo e acho que o Marco Antônio Pâmio, diretor do espetáculo, artista sensível e extremamente inteligente, soube conduzir o trabalho com muita competência.
A parceria com a Angela é um desses encontros felizes que acontecem na vida da gente e que permanecem. Nós duas somos completamente apaixonadas pelo que fazemos e toda paixão exige uma certa loucura e muita dedicação. Nós duas trabalhamos muito bem juntas.

NR - O que mais te instiga na obra da Veronica Stigger (levando-se em conta que a peça fala da questão feminina, que é muito trabalhada em diversos espetáculos, inclusive em muitos que vc já encenou, mas de uma maneira tão original?)
FC- O que mais me instiga na obra da Veronica, é a própria Veronica. Eu tenho uma admiração imensa por ela. Sou fã da Veronica-mulher. Pense numa mulher linda, inteligentíssima e bem-humorada. Essa é a Veronica Stigger. Além disso, eu me identifico muito com o que a Veronica escreve, o texto dela me comove e me faz rir com muita facilidade. Ela não apresenta mulheres dentro dos padrões estabelecidos pela sociedade, família ou religião. Os textos dela não são óbvios, tem uma estranheza que me atrai, tem humor e dor ao mesmo tempo. Tem muito dessa montanha russa que é a própria vida.

NR - Fale um pouco sobre o processo de criação do espetáculo, a parceria com o Henrique Stroeter e com a Veronica Stigger, a ampliação do texto e a transformação do mesmo em uma peça teatral.
FC - A autora Veronica Stigger e eu mantemos uma parceria artística desde 2008, quando ela me convidou para interpretar a personagem Morg de seu texto Pat e Morg, apresentado no Dramamix das Satyrianas e que foi por ela em parceria com Eduardo Sterzi. A partir daí, nossa parceria se repetiu sucessivamente e passou a contar com o talento de mais um integrante, o diretor Henrique Stroeter, que dirigiu as leituras dramáticas de Os Canibais (2009); “Casa do Brasil” (2010); O Coração dos Homens (2012) e Prólogo (2013).
Em 2012, após a leitura encenada de O Coração dos Homens, e com o incentivo de amigos e artistas, como Elias Andreato, Veronica, Henrique e eu decidimos seguir adiante com o projeto do monólogo, ampliando o texto e transformando-o em uma peça de teatro de fato. O Prólogo, escrito em 2013, como sugestão inicial para a peça “O Coração dos Homens” foi apresentado com sucesso como leitura dramática novamente na programação das Satyrianas e foi o passo seguinte nesse processo.
Em 2016, surgiu o convite do SESC para o espetáculo integrar a programação Escritoras na Boca de Cena, que destaca a presença da literatura feminina no palco, com trabalhos baseados na obra e vida de grandes escritoras. Nesse momento, O Coração dos Homens, veio a público como espetáculo, pela primeira vez.

NR - Como é dar vida a um monólogo num trabalho intimista e que trabalha com a memória de uma maneira bem-humorada e ao mesmo tempo incisiva, corrosiva e que traz a expressão corporal como um dos destaques?

FC- É um presente maravilhoso. É um privilégio ter um texto tão versátil escrito pAra mim por uma escritora com o talento da Veronica Stigger e ao mesmo tempo poder contar com a experiência do artista Henrique Stroeter para dirigir esse trabalho. Como o Henrique é ex-bailarino e um ator muito talentoso e generoso, ao mesmo tempo que ele dá espaço para a criação do ator , ele também conduz a cena com bastante precisão. Toda a equipe foi fundamental no trabalho. A luz linda que o Fran Barros concebeu para peça é pura poesia. O cuidado do Marco Lima, na escolha de cada detalhe do cenário e figurino, é um luxo. Soma-se a isso, a força da produtora Cristiani Zonzini (uma das melhores que conheci na vida e que divide a produção comigo) e os técnicos competentes e queridos, Armando Júnior e Rodrigo Bella Dona. Tudo isso sem contar com a assessoria da Morente Forte e com o sonho de poder estrear o trabalho na sala Beta do Sesc Consolação.
Dar vida a esse monólogo exige o trabalho de toda uma equipe, e nisso, estou muito bem amparada.

NR - Na sua trajetória você tem experiências em espetáculos onde a comédia se destaca, especialmente com os Parlapatões, e trabalhos densos ( Noites Sem Fim, As Moças, Equus, A Casa de Bernarda Alba, entre outros). Como é transitar nesses universos?
Poder transitar nesses universos é tudo o que eu sempre quis. Nunca quis ser atriz disso ou daquilo, desse gênero ou daquele outro. Queria ser atriz. E acho que estou conseguindo. E isso é o que realmente me faz muito feliz.


Ficha Técnica
Texto de Veronica Stigger
Direção Henrique Stroeter
Assistente de direção Daniel Mazarollo
Atriz Fernanda Cunha
Designer de luz Fran Barros
Cenário e figurino Marco Lima
Assessoria de imprensa Morente Forte Comunicações
Técnico de som: Armando Junior
Técnico de luz: Rodrigo Bella Dona
Fotos: Erik Almeida
Coordenação de produção: Cristiani Zonzini e Fernanda Cunha
Idealização Fernanda Cunha, Henrique Stroeter e Veronica Stigger
Realização Sesc SP

FOTOS DE ERIK ALMEIDA E MATHEUS JOSÉ MARIA

Serviço
SESC CONSOLAÇÃO / ESPAÇO BETA (50 lugares)
Rua Doutor Vila Nova, 245 – Consolação
Informações: 3234.3000
Ingressos à venda pelo Portal sescsp.org.br a partir do dia 11/10, às 18h, e nas bilheterias do Sesc São Paulo dia 13/10, às 17h30.
Segundas e Terças às 20h30
Ingressos: R$ 20
R$ 10 (meia-entrada: estudante, servidor de escola pública, +60 anos, aposentado e pessoa com deficiência)
R$ 6 (credencial plena: trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes)
Duração: 50 minutos
Recomendação: 16 anos
Estreou dia 17 de Outubro de 2016
Curta Temporada: até 08 de Novembro
Clique nas imagens para ampliar:



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DE OLHO NA CENA BY NANDA ROVERE - TUDO SOBRE TEATRO, CINEMA, SHOWS E EVENTOS Sou historiadora e jornalista, apaixonada por nossa cultura, especialmente pelo teatro.Na minha opinião, a arte pode melhorar, e muito, o mundo em que vivemos e muitos artistas trabalham com esse objetivo. de olho na cena, nanda rovere, chananda rovere, estreias de teatro são Paulo, estreias de teatro sp, criticas sobre teatro, criticas sobre teatro adulto, criticas sobre teatro infantil, estreias de teatro infantil sp, teatro em sp, teatros em sp, cultura sp, o que fazer em são Paulo, conhecendo o teatro, matérias sobre teatro, teatro adulto, teatro infantil, shows em sp, eventos em sp, teatros em cartaz em sp, teatros em cartaz na capital, teatros em cartaz, teatros em são Paulo, teatro zona sul sp, teatro zona leste sp, teatro zona oeste sp, nanda roveri,

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