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Entrevistas e dicas de espetáculos

Entrevista com Rafael Gomes diretor, dramaturgo e roteirista. O artista é um dos grandes nomes do teatro na atualidade, com sucessos também na TV e cinema
Publicado em 01/12/2016, 16:00
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Rafael Gomes é diretor, dramaturgo e roteirista. É formado em Cinema pela Faculdade Armando Álvares Penteado (FAAP) e já dirigiu curtas-metragens premiados e exibidos em diversos países. O antológico Tapa Na Pantera, com Maria Alice Vergueiro, por exemplo, fez enorme sucesso na internet, com mais de cinco milhões de visualizações.

No teatro, Rafael Gomes tem realizado trabalhos de visibilidade, com reconhecimento do público e da crítica. A sua estreia como dramaturgo e diretor teatral foi no espetáculo Música Para Cortar Os Pulsos, que foi editado na forma de livro e obteve um número de vendas excelente. O projeto foi realizado pela Cia. Empório de Teatro Sortido, que fundou em 2010, juntamente com Vinicius Calderoni.

Em 2012, estreou Cambaio [a Seco], com texto de Adriana Falcão e João Falcão e músicas de Chico Buarque e Edu Lobo. Em 2013, assinou a dramaturgia de Edukators, versão do filme de Hans Weingartner, com direção de João Fonseca, e Talvez Uma História de Amor, adaptação do homônimo de Martin Page, com direção de Vinícius Arneiro.

Em 2014, foi o responsável pela direção e dramaturgia de O Convidado Surpresa, versão teatral do romance homônimo do francês Grégoire Bouillier, a direção de "Gotas D’Água Sobre Pedras Escaldantes, texto do alemão Rainer Wainer Fassbinder, e Não Nem Nada, de Vinicius Calderoni.

Em 2015, dirigiu um dos maiores sucessos do teatro no ano: Um Bonde Chamado Desejo", de Tennessee Williams, com Maria Luísa Mendonça e Eduardo Moscovis (depois substituído por Juliano Cazarré) nos papeis principais..

Os seus últimos trabalhos são Os Arqueólogos, com a sua companhia de teatro e Gota D'Água [a seco], com Laila Garin e Alejandro Claveaux. As várias indicações e prêmios provam a qualidade e a excelente receptividade dessas montagens.

No momento, Gomes está prestes a estrear Jacqueline, uma peça-concerto que dialoga diretamente com a música erudita. Mais um trabalho cujo texto e direção ele assina. Natália Lage, Arieta Corrêa, Daniel Costa e Fabricio Licursi integram o elenco.

A história é livremente inspirada na trajetória da violoncelista britânica Jacqueline Du Pré, que teve a sua carreira colocada em xeque após uma tragédia.

Em cena, uma genial violoncelista e sua irmã, que vivem uma relação profunda, mas têm a relação ameaçada devido à música, os amores e a tragédia que abalou a sua vida.

A relação amistosa se transforma em um contato cheio de rivalidades e ambições. O talento, a vocação e a necessidade de sobrevivência ocasionam o desmoronamento de uma vida que era aprazível.

Entre os trabalhos mais recentes na TV, foi um dos roteiristas da série Louco Por Elas (TV Globo/2012/2013), sob direção geral de João Falcão. No ano seguinte, foi o autor principal da série 3 Teresas (GNT/2013-2014), direção de Luiz Villaça.

No cinema, assinou o roteiro do longa De Onde Eu Te Vejo, filme dirigido por Luiz Villaça, com Denise Fraga e Domingos Montagner (lançado recentemente).

Através da entrevista, é possível saber como surgiu o interesse de Rafael pelo cinema e teatro, saber que o vídeo Tapa na Pantera, com Maria Alice Vergueiro, que ¨bombou¨ na internet, surgiu de um improviso da atriz, além de informações sobre sucessos como Um Bonde chamado Desejo, o musical Gota D'Água [a seco] e, claro, sobre Jacqueline.


ENTREVISTA RAFAEL GOMES

Nanda Rovere - Como surgiu o interesse pela arte e pela faculdade de Cinema? Você se dedica ao teatro, cinema e TV. Como concilia o trabalho nessas áreas?
Rafael Gomes - Surgiu de forma orgânica e natural, durante a adolescência. Não sei precisar um marco, um momento fundador. Realmente foram os caminhos naturais dos interesses que foram me levando pras artes, como espectador. De modo que, ao ter que escolher uma faculdade, minha relação forte com o Cinema, naquela altura, tornava esta a opção mais óbvia. Conciliar Cinema, TV (onde sou primordialmente roteirista) e Teatro acaba dando bastante certo porque eles têm tempos muitos diferentes. O Teatro acontece quando vai acontecer, ou seja, quando se tem a verba, a pauta, a equipe, e os ensaios vão começar. Então é um trabalho muito intenso, mas é concentrado. A TV, no âmbito do roteiro, é um trabalho um pouco mais solitário, como todos os de escrita. E é mais demorado, cada projeto leva muitos meses. Então ele consegue ser mais constante e se encaixar entre as outras demandas. E o Cinema demora muito para acontecer mesmo, são anos captando recursos. Esse espaçamento faz com que ele naturalmente encontre sua brecha, quando chega o momento.

NR - Como foi a ideia de Tapa na Pantera. Você e a Maria Alice imaginavam que o sucesso seria tão grande? Qual a sua relação com a internet?
RG - Minha relação com a internet é como a de qualquer outra pessoa, acho. A internet é uma espécie de 2º mundo, sem o qual já não se vive. Eu não luto contra isso, acabo me entregando. O que às vezes causa mais aflição, ansiedade e menos produtividade. Mas também proporciona tantas outras benesses. Tapa na Pantera foi uma espécie de "acidente", um improviso da Maria Alice, que deu muito mais certo do que qualquer um de nós poderia imaginar.

NR - E o teatro, como surgiu a oportunidade de se dedicar a ele? Fale um pouco sobre o seu início e a criação da Cia com o Calderoni.
RG - Eu sempre quis dirigir teatro, mas a estreia como dramaturgo se deu por acaso. "Música Para Cortar Os Pulsos" era uma ideia para cinema, que acabou virando uma peça porque o teatro é mais imediato, cabe na mão. E os sentimentos desse texto tinham pressa de ganhar o mundo. Logo, eu estreei na direção com uma dramaturgia própria, o que me dava mais controle e me livrava da responsabilidade de não estragar um grande texto. No momento de estrear essa peça, em 2010, eu sabia que aquele era o começo de algo duradouro, e que envolvia um projeto artístico continuado. Ao mesmo tempo, não me interessava ter uma companhia com elenco fixo, em que todos os trabalhos tivessem que se encaixar em pré-requisitos. Por isso pareceu a melhor das ideias juntar-me a outro autor-diretor. E o Vinicius já era, então, o que de mais perto eu consigo identificar dentro dessa expressão "alma-gêmea", artisticamente falando.

NR - E a direção de Um Bonde Chamado desejo? Qual o balanço que faz desse belíssimo trabalho e dos prêmios que recebeu por esse espetáculo, na sua carreira?
RG - Foi um projeto que eu desejei, elegi e pelo qual trabalhei muito, batalhando por todas as condições de realizá-lo (da primeira compra dos direitos autorais ao patrocínio, passando pelo convite a Maria Luísa e pela afluência de todas as demais parcerias incríveis sem a qual ele não existiria). É muito difícil também falar em "balanço". Eu penso nessa palavra e penso em indústria, comércio, compra e venda, entrada e saída. Não sei se no teatro as coisas podem ser medidas assim. Até porque o Bonde não foi, ele ainda está sendo. Ele é presente nas nossas vidas. Deu-nos muitas alegrias, encontros potentes e, acredito, fez muita gente feliz - todo o público que lotou todas as sessões, por 8 meses. Eu acho que isso é o melhor que se pode querer.

NR - Você já assinou a direção de duas obras para o teatro de Chico Buarque. Como foi encenar as obras de um dos nossos maiores artistas e adaptá-las num formato mais conciso (no caso de Gota D´ Água a seco?
RG - Chico é um transbordamento de generosidade (fora todos os outros predicados intrínsecos às obras, que não preciso listar). Trabalhar com sua matéria prima é escavar a mina mais preciosa que há, de tesouros humanos, intelectuais e poéticos. Não tem como não ser muito feliz fazendo isso.

NR - As produções de musicais conquistaram lugar no mercado, mas geralmente são espetáculos grandiosos, com elenco numeroso. Como é estar na contramão dessa tendência?
RG - É a única via possível, para mim. Não me enxergo encaixando um trabalho num formato já estabelecido, sem correr riscos. Se não for para jogar com o erro e com o perigo, então não acho que vale a pena sair de casa.

NR - Você alterna espetáculos em que a música é o ponto central e outros que valorizam o texto, o diálogo. Isso é proposital?
RG - Eu acho que é sempre música. Teatralmente falando, é sempre música. Porque mesmo quando é texto, isso é música. É movimento e pausa. É suspensão. É estrutura, ritmo, dinâmica. E, claro, o som em si, como trilha sonora. Ou os silêncios e as respirações, em peças que têm pouca ou nenhuma trilha. Mas, de uma forma ou de outra, eu me sinto sempre lidando com uma partitura. Logo, para mim, a música está sempre lá.

NR - E Jaqueline, como foi sair do universo da MPB e ir para o erudito. O que pode destacar com relação a esse novo trabalho?
RG - Juro que até ler essa pergunta, eu nunca nem tinha pensado nessa divisão, assim como uma dicotomia (ou, vá lá, uma ambivalência). Em outras palavras, nem racionalizei que saía de um universo tão marcado para outro. Acho que porque, de dentro, não há tanta separação assim, na maneira como eu me coloco. Mas Jacqueline é uma peça formalmente mais arriscada - e mais partiturada ainda. Nesse sentido, posso dizer que é um trabalho mais radical, talvez o mais radical até hoje. Nada hermético, pelo contrário. Banhado em sentimentalidade, pleno de exacerbações, sem medo dos sentimentos, como vários outros. Por esse lado, continuo habitando um mesmo universo. Mas, em forma e em seu recorte de dramaturgia, eu sinto que há uma pequena curva apontando para uma linguagem mais evidente, uma forma que se impõe.


JACQUELINE
TEATRO ANCHIETA – SESC CONSOLAÇÃO (280 lugares)
Rua Doutor Vila Nova, 245 – Consolação
Informações: 3234.3000
Ingressos à venda pelo Portal sescsp.org.br a partir do dia 22/11, às 18h, e nas bilheterias do Sesc São Paulo dia 23/11, às 17h30.
Sexta e Sábado às 21h | Domingo às 18h
Ingressos: R$ 40
R$ 20 (meia-entrada: estudante, servidor de escola pública, +60 anos, aposentado e pessoa com deficiência)
R$ 12 (credencial plena: trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes)
Duração: 90 minutos
Recomendação: 14 anos
Gênero: drama
Temporada 2016: de 02 a 18 de Dezembro
Temporada 2017: de 06 a 29 de Janeiro

Ficha Técnica:
Texto e Direção: Rafael Gomes
Elenco: Natália Lage, Arieta Corrêa, Daniel Costa e Fabricio Licursi
Cenário: André Cortez
Iluminação: Wagner Antonio
Figurino: Fause Haten
Direção de Movimento: Renata Melo
Assessoria de Imprensa: Daniela Bustos, Beth Gallo e Thais Peres - Morente Forte Comunicações
Projeto Gráfico e Foto: Laura Del Rey
Assistência de Direção: Marco Barreto
Assistência de Produção: Barbara Santos
Produção Executiva: Egberto Simões e Katia Placiano
Produção: Cia Empório de Teatro Sortido e Morente Forte Produções Teatrais (Selma Morente e Célia Forte)
Realização: Sesc São Paulo


O musical Gota D'Água [a seco] volta ao Rio de Janeiro com várias indicações e prêmios.
A partir do 5 de janeiro de 2017 no teatro Riachuelo
https://www.ingressorapido.com.br/compra/?id=54742#!/tickets

Algumas fotos de alguns trabalhos ilustram a matéria. Para saber mais:
Empório de Teatro Sortido
https://www.facebook.com/emporiodeteatrosortido/
Clique nas imagens para ampliar:



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DE OLHO NA CENA BY NANDA ROVERE - TUDO SOBRE TEATRO, CINEMA, SHOWS E EVENTOS Sou historiadora e jornalista, apaixonada por nossa cultura, especialmente pelo teatro.Na minha opinião, a arte pode melhorar, e muito, o mundo em que vivemos e muitos artistas trabalham com esse objetivo. de olho na cena, nanda rovere, chananda rovere, estreias de teatro são Paulo, estreias de teatro sp, criticas sobre teatro, criticas sobre teatro adulto, criticas sobre teatro infantil, estreias de teatro infantil sp, teatro em sp, teatros em sp, cultura sp, o que fazer em são Paulo, conhecendo o teatro, matérias sobre teatro, teatro adulto, teatro infantil, shows em sp, eventos em sp, teatros em cartaz em sp, teatros em cartaz na capital, teatros em cartaz, teatros em são Paulo, teatro zona sul sp, teatro zona leste sp, teatro zona oeste sp, nanda roveri,

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