Elias Andreato e Claudio Fontana estão na lista dos melhores atores brasileiros.
Dois grandes talentos do nosso teatro que, no decorrer dos últimos 12 anos, trabalharam juntos em vários espetáculos e consolidaram também uma amizade onde impera o respeito e a admiração.
Elias dirigiu Claudio Fontana e Paulo Autran em Adivinhe Quem Vem Para Rezar (2005), texto de Dib Carneiro Neto. A partir desse primeiro encontro profissional, vários outros trabalhos merecem atenção: a comédia Amigas, Pero no Mucho, de Célia Forte (2007), direção José Possi Neto; Andaime, texto de Sergio Roveri - Elias dirigiu Fontana (responsável pela produção do espetáculo) e Cássio Scapin (no decorrer da temporada, Elias substituiu o ator).
Em 2009, Elias estreou o seu primeiro texto no teatro Vivo, Mãe é Karma, que contou com a produção de Claudio Fontana. No elenco, Miriam Mehler, Renato Borghi, Nilton Bicudo e Olívia Araújo.
Os dois atores voltaram a atuar juntos na tragédia grega Édipo, dirigido por Elias, mas Claudio participou somente das apresentações em Curitiba.
Em 2014, dividiram mais uma vez o palco no espetáculo Um Réquiem para Antonio, direção de Gabriel Villela e texto de Dib Carneiro Neto. Um belo acerto de contas entre os músicos Antonio Salieri (Elias) e Mozart (mais uma produção assinada por Fontana).
O encontro para fazer Esperando Godot aconteceu devido a uma bela coincidência. Segundo Andreato já declarou em várias entrevistas, no camarim de ¨Réquiem ¨ele questionou Fontana sobre qual peça ele gostaria de atuar e a resposta foi Esperando Godot. Tempos depois, a atriz e produtora Daíse Amaral convidou Claudio Fontana para atuar nessa peça e o ator prontamente sugeriu que Elias participasse do projeto e dirigisse o trabalho.
Esperando Godot é uma bela montagem que mostra uma cumplicidade tocante entre esses dois atores e que sela mais uma vez a frutífera amizade entre os dois artistas.
Nessa conversa para o De Olho Na Cena, os dois artistas ressaltam, a todo momento, as qualidades um do outro. Uma admiração profunda que precisa ser valorizada numa época em que a individualidade impera nas relações humanas.
Esperando Godot é um momento especial na carreira de Claudio e Elias e por esse motivo a entrevista tinha que ser realizada com a participação de ambos os artistas, numa conversa informal.
Claudio Fontana e Elias Andreato são artistas que acreditam na poesia como o meio mais eficaz para que o mundo melhore. Nesse trabalho, a delicadeza e a poesia estão presentes, sem deixar de lado a essência da obra de Samuel Beckett.
É muito bonita a forma como esses atores se entregam em cena. O mergulho nos personagens é intenso e eles se deixam levar por um caminho onde a alegria de estar em cena é visível.
A cada apresentação, os atores permitem que o texto os conduza a um espírito mais alegre ou mais triste (de acordo com a receptividade do público para com a obra), sem deixar de lado a essência da história e a poesia que a encenação emana.
Uma peça que, segundo esses artistas, está mais atual do que nunca, apesar de ser escrita no pós-guerra. Um texto que fala de questões ligadas à existência humana e que gera reflexões importantes.
¨A peça sempre acaba nos levando para um lugar bonito, sensível e que emociona. Nos leva a um momento de reflexão porque uma pessoa ao menos vai se identificar com a história. Ela fala das angústias do ser humano e estabelece um estado de comoção com a plateia¨ (Claudio Fontana)
¨Godot tem tudo a ver com o nosso momento. Em Godot estamos falando de uma possível transformação, de um grande amor, de uma grande amizade. Tem tudo a ver com a discussão sobre a amizade e o quanto precisamos da companhia do outro para trilharmos o nosso caminho, porque saber esperar é difícil e cabe a nós, artistas, falar disso¨ (Elias Andreato).
Já tive a oportunidade de entrevistar Claudio Fontana em duas ocasiões: na época em que o ator interpretou Lady Macbeth, no espetáculo Macbeth, direção de Gabriel Villela e, em 2005, nas vésperas da estreia de Adivinhe Quem Vem Para Rezar.
Carregava o desejo de conversar com Elias há muito tempo e o resultado da conversa entre esses artistas, cuja trajetória tenho o privilégio de acompanhar, teve a paixão pelo teatro como o fio condutor.
Quem ainda não viu Esperando Godot, ou quer rever, só tem mais um final de semana para se dirigir ao Tucarena. A temporada termina no próximo domingo, 19, e o espetáculo não volta mais.
Claudio Fontana está na fase de produção de Boca de Ouro. O ator também estará em cena, ao lado de Eriberto Leão e Mel Lisboa. A direção será de Gabriel Villela e a estreia está prevista para setembro deste ano.
Elias está na fase de ensaios do espetáculo Num Lago Dourado, que conta com Ary Fontoura e Ana Lúcia Torre no elenco. Estreia agora em março.
Nanda Rovere - Comentem sobre o encontro profissional de vocês. São 17 anos de parceria desde Adivinhe quem vem para Rezar, correto?
CLAUDIO FONTANA- Eu já conhecia o Elias antes do Adivinhe. Os trabalhos do Elias que mais me fascinavam eram experimentais, de pesquisa, especialmente os monólogos. Eram alucinantes. A minha paixão pelo Elias começou através da Vivien Buckup, que trabalhou muito com o Elias e começou a fazer a preparação corporal dos espetáculos que eu fazia. Ela me levou para assistir pela primeira vez um trabalho dele e depois comecei a ver todos, porque o que me fascinava era o desafio do monólogo, que eu ainda não tive coragem de encarar na minha carreira, e o Elias faz maravilhosamente bem. Depois surgiu um convite para o Elias fazer o Adivinhe. Eu desejava trabalhar com ele há muito tempo, tamanha a admiração que eu tenho por ele como ator.
ELIAS ANDREATO - A primeira vez que eu vi o Claudio foi em Vem Buscar-me que Ainda sou Teu, no Sesc Anchieta. Sempre nos encontrávamos sem intimidade, mas, se não me engano, ele me convidou para fazer Pólvora e Poesia, antes do convite para dirigir Adivinhe Quem vem Para rezar, mas ele acabou não atuando na peça e quem fez esse espetáculo foi o Léo Pacheco e o João Vitti. Eu tinha feito um espetáculo baseado na relação do Rimbaud e Verlaine com o Ariel Borghi, Niltinho Bicudo e Vitória Camargo, estava bem familiarizado com a história e a achava bonita, mas acredito que as coisas acontecem no momento certo. O mais bacana é que o teatro promove encontros entre pessoas que acabam se tornando muito próximas mesmo quando não estão trabalhando juntas. Com o Claudinho aconteceu isso porque eu tenho uma memória cênica muito rara com relação a ele, tenho isso com poucas pessoas. Temos uma afinidade muito grande. É muito prazeroso estar ao lado dele.
CLAUDIO – Essa relação pessoal entre atores é importante. Uma das razões pelas quais eu resolvi produzir teatro é para tentar trabalhar com pessoas com as quais tenho afinidade artística, e isso contribui para que um espetáculo dê certo.
NR- Essa admiração que vocês têm um pelo outro e essa afinidade cênica está muito nítida em Esperando Godot. Poucas vezes vi uma sintonia tão forte em cena...
ELIAS - Tenho afinidade com muitas pessoas que já trabalhei, mas não é o mesmo tipo de relação que estabeleço com o Claudinho. Isso é inexplicável, acontece.
CLAUDIO – Acredito que conseguimos estabelecer uma ótima relação no palco porque fizemos textos com dois personagens. O começo dessa parceria em cena foi em Andaime, onde o Elias substituiu o Cássio Scapin, e a nossa relação era de confiança mútua nos movimentos e nos tempos da cena. Depois, essa relação se aperfeiçoou em Um Réquiem para Antonio, e agora, em Esperando Godot, foi essencial essa nossa relação pessoal porque os personagens estão juntos esperando há muitos anos e nós também estamos juntos nesse caminho, esperando fazer mais teatro, mais arte... Estamos juntos porque eu admiro a paixão que o Elias tem pelo teatro. Dedica toda a sua vida a ele, sem descanso, tamanha a sua paixão e a vontade que tem de trabalhar. O nosso ofício é muito difícil e eu me identifico muito com esse grande sentimento que ele tem pelo palco.
NR - ELIAS, você disse que fez Esperando Godot em homenagem ao Claudio...
Godot tem tudo a ver com o nosso momento. Em Godot, estamos falando de uma possível transformação, de um grande amor, de uma grande amizade. Tem tudo a ver com a discussão sobre o quanto precisamos da companhia do outro para trilharmos o nosso caminho, porque saber esperar é difícil e cabe a nós artistas falar disso. Nos dias de hoje produzir uma peça é muito árduo. Quando um ator se propõe a produzir para que os outros possam ter o prazer de estar em cena brilhando, essa iniciativa precisa de um amor muito grande ao ofício. O Claudinho faz isso como ninguém, e isso tem que ser valorizado. Nem sempre é fácil lidar com um ator. As pessoas aprendem a ser muito egoístas na nossa profissão e fiz esse espetáculo para ele porque ele é muito talentoso e generoso como produtor. Ele valoriza os artistas e sempre vou falar isso dele.
NR – CLAUDIO, como é estar em cena com o Elias e ao mesmo tempo ser dirigido por ele?
CLAUDIO - Não me vejo como diretor e por isso admiro quem consegue ler um texto e imaginar como ele pode ser encenado. E quando um artista consegue atuar e dirigir ao mesmo tempo, acho mais fascinante ainda. Em Godot, foi a primeira vez que vi o Elias atuar e dirigir ao mesmo tempo - e o resultado foi maravilhoso. Eu sinto que o ¨Elias ator¨ está crescendo em cena a cada dia, descobrindo coisas novas, e isso é incrível. Apesar do seu talento imenso, ele só começou a crescer mais quando ele já estava tranquilo com relação à sua direção.
ELIAS – Eu estabeleci o compromisso de cuidar de todos, principalmente do Claudinho. Eu queria que ele estivesse muito bem e que esse trabalho fosse extremamente prazeroso para ele. Em alguns momentos, eu fiquei tenso porque ele dependia de mim em cena e eu não podia falar para ninguém que eu estava nervoso..
CLAUDIO - A ideia do tempo é única nessa montagem, um diferencial, e o Elias só relaxou quando ele conseguiu marcar as cenas e percebeu que a sua concepção com relação ao texto era possível. Uma curiosidade sobre esse processo de criação é que já no primeiro dia de ensaio ele já pediu para que fôssemos para o palco. Isso nunca tinha acontecido comigo antes e mesmo sem saber ainda o que fazer no palco, começar a pensar no personagem foi incrível.
NR- ELIAS, fale mais sobre o processo de criação de Esperando Godot, que segundo você já declarou em entrevistas, achava que não tinha competência para montar.
Antes de começar os ensaios, fiquei estudando esse texto uns oito meses. Sou muito CDF e talvez por não ter formação acadêmica, me cobro muito e me dedico muito aos meus trabalhos. Eu me preparei e sabia o que eu queria. Claro que sempre tudo pode mudar de acordo com o talento dos atores, mas eu sempre tenho uma visão definida, uma proposta concreta para a cenografia, para a luz e para a música.
NR- CLAUDIO, você carregava a vontade de fazer Esperando Godot faz tempo. O que mais te encanta nesse trabalho e no texto?
CLAUDIO – O Elias tem a habilidade de despertar o lado poético dos textos. Esperando Godot é o mais importante que eu já fiz na minha carreira e acho que todo ator precisa mergulhar nele um dia. É uma obra onde o importante é exatamente o que não é dito e nem o que os atores estão fazendo em cena. O que importa é a espera, porque tudo o que os personagens fazem é para passar o tempo. E o entendimento do que é o espetáculo e a função dos personagens não é para qualquer um. Creio que seja preciso ter uma certa maturidade para interpretar esse texto porque ele é muito profundo. O texto me emociona muito porque ele é a própria vida da gente. Quando estou interpretando, não vejo somente a relação entre o Vladimir e o Estragon, mas a relação entre dois atores. Vejo a minha relação com o Elias e a minha história no teatro (e nesse teatro). Esperando Godot é tão existencialista que simboliza a nossa espera. Dois atores que estão na batalha, que estão passando a sua vida fazendo teatro, esperando que ele comova as pessoas e que as transforme. Esperando também que novos projetos apareçam... Enfim, Esperando Godot é nossa vida e é muito emblemático e nos emociona. O Elias permitiu que essa emoção aparecesse em cena. A peça sempre acaba nos levando para um lugar bonito e sensível. Nos leva a um momento de reflexão porque uma pessoa ao menos vai se identificar com a história. Ela fala das angústias do ser humano e estabelece um estado de comoção com a plateia. Se eu tocar uma pessoa que seja, já estarei cumprindo a minha função como ator. O espetáculo tem muitas metáforas. O teatro tem a função de não trabalhar com o realismo e ele é maravilhoso porque estimula a capacidade de imaginação do espectador.
Considero também importante citar o Esperando Godot que está em cartaz no Viga. Quando duas montagens estão em cartaz ao mesmo tempo, as pessoas têm a oportunidade de ver visões diferenciadas sobre o mesmo texto, e isso é muito rico.
NR - Quem é o CLAUDIO hoje, depois desse espetáculo?
Mais sensível no sentido de estar aberto a vibrações que não sejam tão racionais. Eu construo os meus personagens começando pela forma. Nesse trabalho, eu lutei contra isso e acredito que consegui um resultado diferente, deixando de lado um pouco a razão e deixando que o texto me conduzisse, sobretudo nas cenas finais do espetáculo. Todos os dias eu me abro para as emoções, para as trocas de olhares com o Elias e para perceber como o Elias está conduzindo a cena.
NR- E o que você pode dizer, ELIAS, de seu aprendizado nesse momento em que completa quarenta anos de profissão?
Todo esse processo de trabalho me deixou muito sensível por perceber o quanto ele é importante para a minha história e para muitas pessoas. Tenho um prazer como artista e orgulho de poder realizar esse trabalho que tem tanta profundidade. É um privilégio nos dias de hoje e não tem dinheiro que pague. Ele é tão significativo dentro da minha trajetória que é difícil explicar.
ELIAS – Foi uma experiência transformadora porque eu me sentia completamente despreparado para dirigir esse texto e, sem nenhuma pretensão, digo que depois dessa peça eu posso dirigir qualquer coisa.
CLAUDIO – O texto de Beckett é tão bonito... A ideia dele ao produzir esse texto era de nos tocar e ele conseguiu me provocar e provocar o Elias. Beckett queria falar sobre o ser humano e ontem a frase da lua que o Elias fala em cena (¨a lua cansada de escalar o céu e de espiar a nossa gente¨) me veio na cabeça porque o Beckett escreveu essa frase após a Segunda Guerra, num momento em que o sentimento de desilusão do homem era muito grande. E ao ver uma reportagem sobre Vitória, pensei: ¨a nossa lua também deve estar cansada de ver esse Brasil destruído, em que as pessoas não conseguem sair de casa porque têm medo de levar um tiro... até a lua está envergonhada dessa situação¨. Isso mostra o quanto esse texto é atual e que estamos falando em cena da nossa vida. O ser humano precisa evoluir muito ainda e Beckett falava disso. Eu gostaria que as pessoas que vissem o nosso espetáculo tivessem essa reflexão.
NR- ELIAS, a espera sempre te incomodou muito?
Para eu me tornar um artista eu tive que esperar muito e isso na juventude gerou angústia. Sofri muitas adversidades, com pessoas me dizendo que o meu lugar não era no palco e que deveria tentar outra profissão. Eu ficava num cantinho, espiando, mas diziam que eu não podia estar ali. Levou muitos anos para alguém achar que eu podia dar certo. Isso no começo foi muito difícil e depois eu comecei a saber lidar melhor com a dificuldade. Fui trabalhando a minha angústia e a espera. E hoje eu entendo que o teatro é como a vida: você tem que ir lapidando aquilo que é interessante...o tempo... Eu fui tentando me aprimorar para tentar ser mais bacana...
NR – O profissionalismo de vocês sempre chamou a minha atenção, mas, ao mesmo tempo, vocês estão sempre de bom humor, brincando um com o outro.
ELIAS – O Claudio sempre busca fazer o melhor para as pessoas e ele propõe uma leveza no teatro que nem todo mundo tem. Ele tem o lado mais prazeroso do teatro que é o da brincadeira. Traz a brincadeira que o teatro precisa porque tudo fica solar, mais gostoso e lúdico. Isso é uma característica que tem que ser valorizada.
Ele fala sério quando tem que ser sério, é corretíssimo em tudo, mas da maneira mais alegre possível. É prazeroso vir para o teatro. É o encontro para a brincadeira e quando não se tem isso, tudo fica chato.
NR- É bonito ver o amor que vocês têm pelo teatro e o respeito para com o público.
CLAUDIO – O ator é aquele que tem a capacidade de cutucar o espectador, de estimular a emoção das pessoas. No teatro isso é arrebatador porque a relação entre ator e plateia é pura. Se você é tocado por um espetáculo, você jamais vai esquecer daquele momento, de tão poderosa que é essa relação. O ator tem nas mãos o poder de transformar o outro, um instrumento que é divino. Quando eu estava em cartaz com Feliz Ano Velho, um time de basquete formado por tetraplégicos foi conferir o espetáculo. Ele falava da história do Marcelo Rubens Paiva, que é tetraplégico e é uma pessoa muito alegre. Eles nos esperaram após a apresentação e um deles disse que no teatro ele entendeu que era possível ser feliz mesmo sendo tetraplégico. Esse fato me marcou profundamente porque ele se emocionou e eu fui o instrumento para que a história transformasse o rapaz.
NR- E como é fazer comédia? Vocês trabalharam juntos na comédia Amigas, Pero No Mucho, da Célia Forte, e Elias encenou o ano passado Dona Bete, com o Niltinho Bicudo. Como é interpretar mulheres e fazer o público rir?
CLAUDIO – O tempo da comédia é matemático e maravilhoso. ¨Com Amigas e Andaime eu trabalhei muito com a comédia. Amigas¨ era uma peça com quatro homens que falavam sobre as características da mulher, e isso era muito interessante. Por trás do humor havia a ironia do olhar do homem sobre a mulher e por isso as pessoas gostavam.
ELIAS – A comédia também é transformadora. Existe um preconceito com relação aos comediantes, como se fosse uma coisa menor, e isso não é verdade. Fazer rir é uma arte maravilhosa, ainda mais nos dias de hoje.
CLAUDIO – Quando a gente fazia Andaime era risada do começo ao fim. O espetáculo falava de seres invisíveis, de prestadores de serviço que ninguém vê. Tinha uma crítica social interessante e poderosa porque eles limpavam o vidro e ninguém notava que eles estavam ali. Isso era mostrado de forma brilhante pelo Sergio Roveri. Depois, as pessoas percebiam que estavam rindo de uma situação que não deveriam rir. Eu também tenho que falar que eu tive o privilégio de produzir uma comédia com o Elias, o Mãe é Karma, que falava da história de um filho homossexual através do humor. Foi ótimo produzir esse texto.
ELIAS - O artista tem um papel essencial nos dias de hoje porque ele pode pensar o seu papel na sociedade de um jeito poético, bem humorado e transformador. Creio que estamos exercendo muito bem o nosso ofício e ocupando o nosso espaço.
Em Esperando Godot vocês contam com um elenco e uma equipe primorosa. Como é dividir o palco com atores tão talentosos?
CLAUDIO – O Gui Bueno é o primeiro espetáculo dele e através dele eu também lembro um pouco do meu começo de carreira, como se comportar perante a repetição diária e entender a rotina de um espetáculo. O Clovys também tem um trabalho de corpo maravilhoso, o que é fundamental para o personagem dele. O Raphael Gama também é talentosíssimo.
ELIAS – O Rapha e o Gui são muito talentosos e foram meus assistentes no ¨Wolf¨ (Escola de Atores Wolf Maya). Com o Clovys, eu já tinha feito Édipo. É bacana ver o talento dos outros. Somos muito privilegiados porque tem muitos artistas bons.
CLAUDIO – É uma produção muito requintada. Fabinho (Namatame) no cenário, o figurino do Gabriel (Villela), a Luz do Wagner (Freire), a música, tudo contribui para que o espetáculo tenha qualidade.
ELIAS - Tudo é muito harmônico...
NR - Queria terminar a nossa conversa com vocês falando dos novos projetos no teatro.
CLAUDIO - O Boca de Ouro era um projeto que o Gabriel tinha com o Marcelo Antony, que fez Vestido de Noiva com ele, mas ele não poderá fazer porque surgiu uma oportunidade de trabalho na TV. Ele teve que abandonar o projeto e o Eriberto (Leão) entrou. O Eri tem uma história bonita. Começou na coxia do teatro vendo a montagem de A Vida é Sonho, com a Regina Duarte e a Ileana Kwasinski. Fascinado por teatro, disse para o Gabriel (Villela) que queria entrar em cena. Depois, o Gabriel dirigiu o Eriberto no espetáculo Alma de Todos os Tempos, e quando ele voltou para São Paulo, para a temporada de Jim, ele foi ver Peer Gynt e falou para o Gabriel que queria voltar a trabalhar com ele e se dedicar mais ao teatro. O Eriberto é uma pessoa muito bacana e ele se encaixou nesse espetáculo porque o papel tinha que ser pra ele. O texto tem uma estrutura muito interessante e o elenco é ótimo. Tem também a Mel Lisboa, uma menina também muito especial, que fez Peer Gynt e está se dedicando ao teatro. Assim como Godot, acho que Boca de Ouro vai ser lindo, pelas pessoas que estão envolvidas no projeto.
ELIAS – Num Lago Dourado é uma graça de peça, poética e simples. O filme é mais dramático porque foi feito para a resolução de um problema pessoal entre o Henry e a Jane Fonda... Já a peça é mais bem humorada e conta a história de amor entre dois velhos que estão juntos há cinquenta anos. Eles têm uma filha com problemas no relacionamento. Traz uma história familiar que mexe com todos nós. O Ary Fontoura está num momento lindo e tem um tempo maravilhoso para a comédia e ao mesmo tempo uma densidade impressionante. É prazeroso estar junto com uma pessoa mais velha, que está produzindo e que optou pelo lado leve da vida. A Ana Lúcia Torre também é uma atriz deslumbrante.
Ficha Técnica:
Texto: Samuel Beckett
Direção: Elias Andreato
Elenco: Elias Andreato (ESTRAGON), Claudio Fontana (VLADIMIR), Clovys Torres (LUCKY), Raphael Gama (POZZO) e Guilherme Bueno (O MENINO)
Figurino: Gabriel Villela
Assistente de Figurino: José Rosa Neves
Bordadeira: Maria do Carmo Soares
Produtora de Figurino: Clissia Morais
Cenografia: Fábio Namatame
Trilha Sonora: Jonatan Harold
Coreografia: Melissa Vettore
Iluminação: Wagner Freire
Técnico de Luz e Som: Cleber Eli
Cenotécnico: Cláudioboi
Diretor Assistente: André Acioli
Assistente de Direção: Daíse Amaral
Fonodióloga: Edi Montecchi
Camareira: Ana Lúcia Laurino
Produção: DNA Produções Artísticas
Direção de Produção: Daíse Amaral
Produtor Executivo: Jefferson Pedace
Assistente de Produção: Paula Tonolli
Identidade Visual: Elifas Andreato
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio
Programação Visual: Dib Carneiro Neto, Jussara Guedes e Suely Andreazzi
Fotos: João Caldas
Assistência de Fotografia: Andréia Machado
Serviço:
Sinopse de Esperando Godot: Em cena, dois personagens, Estragon e Vladimir, aparentemente esperam um sujeito de nome Godot. Nada é esclarecido a respeito de quem é Godot ou o que eles desejam. Os dois iniciam longos diálogos só interrompidos com a entrada de Pozzo e Lucky e com a entrada do menino que avisa que Godot virá no dia seguinte.
Duração: 80 min.
Onde: TUCARENA (Entrada pela Rua Bartira) Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes
Telefone: 3670-8455
Temporada: Sextas e sábados às 21h / domingos às 19h
Ingresso: R$ 50,00.
Classificação: 12 anos
Estreia: 21de janeiro a 19 de fevereiro de 2017.
Vendas online: www.ingressorapido.com.br / Central de Vendas: 4003-1212
Para ir além:
Claudio Fontana vive Lady Macbeth no teatro - Aplauso Brasil aplausobrasil.ig.com.br/2012/07/10/claudio-fontana-vive-lady-macbeth-no-teatro
SP Escola de Teatro - Cláudio Fontana por Nanda Rovere
spescoladeteatro.org.br/noticias/ver.php?id=1819
Esperando Godot reestreia no Tucarena
http://www.deolhonacena.com.br/index.php?pg=3a1b&sub=68#linha
Observações sobre o poético espetáculo Esperando Godot
http://www.deolhonacena.com.br/index.php?pg=3a1b&sub=52#linha
|