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Entrevistas e dicas de espetáculos

Entrevista com diretor e elenco do espetáculo Um Berço de Pedra
Publicado em 04/05/2017, 23:00
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Um Berço de Pedra faz a sua segunda temporada na capital paulista (até o próximo domingo).

A produção já está em contato com festivais e teatros de várias cidades para levar a peça Brasil afora.

Fiquem ligados no site De olho Na Cena porque a agenda do espetáculo será sempre informada.

Montagem vencedora do Prêmio Shell de melhor iluminação e indicada em seis categorias aos prêmios SHELL, APCA e Aplauso Brasil, Newton Moreno assina o texto e William Pereira é o responsável pela direção, cenografia e pela trilha.

No elenco estão Luciana Lyra, Débora Duboc, Lilian Blanc, Cristina Cavalcanti, além de Sônia Guedes e Jairo Mattos, que entraram para essa temporada substituindo Agnes Zuliani e Eucir de Souza.

Os atores encenam cinco textos escritos em tempos e espaços diferentes com um tema em comum: A maternidade como resistência.
A montagem mostra gritos de mães que, por motivos diversos, estão em situações em que elas procuram os seus filhos, situações em que eles correm perigo ou em que elas precisam deixá-los em nome da sobrevivência.

Além da entrada dos atores, que já provoca mudanças naturais no andamento da peça, o diretor fez algumas modificações nas cenas, para deixá-las mais coesas - um trabalho realizado em conjunto com o autor.

O palco está coberto de areia e o espaço cênico se transforma em jardim, deserto e prisão.

São encenados cinco textos. A figura masculina entra em dois momentos – em O Caminho do Milagre e Tráfego; em CANTEIRO, no jardim de uma residência, estão duas mulheres - uma delas busca o filho desaparecido durante a ditadura e a outra é a mulher do general que possivelmente é o culpado pela tragédia. O CAMINHO DO MILAGRE mostra o diálogo entre um presidiário e sua vítima de estupro, grávida. Em MEDEA, uma presidiária, condenada por infanticídio, fala das duas dores: UM BERÇO DE PEDRA é um pungente poema sobre a condição; Por fim, em TRÁFEGO, uma mãe vende o filho em um semáforo e o filho, que dormiu em berço de pedra, expõe as suas remotas lembranças.

Realizei um bate-papo informal com elenco e diretor. Eu os deixei livres para exporem as suas emoções com relação ao espetáculo e para que contassem detalhes que considerassem importantes sobre o processo de criação dos personagens e da encenação.
As falas aconteceram de acordo com a disponibilidade de cada artista, antes e após a sessão do domingo, 30.

Se você ainda não foi ver Um Berço De Pedra, tem que ver! É a última semana.

Vale a pena conferir (as entrevistas e o espetáculo)!

ENTREVISTAS

DIRETOR WILLIAM PEREIRA
Um dos mais importantes e representativos diretores de teatro e ópera no Brasil, graduou-se em Direção Teatral pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo em 1987.
Entre seus principais trabalhos em teatro destacam-se: Uma relação Tão Delicada, de Lolleh Bellon; Senhorita Julia, de A. Strindberg; Eu Sei Que Vou Te Amar, de A. Jabor; Romeu e Julieta, de Shakespeare; Primeira Pessoa, com Eva Wilma; Dom Juan, de Molière, com Rodrigo Lombardi; Aula Magna com Stalin, de David Pownall. Dirigiu nas principais casas de ópera do país e entre os inúmeros prêmios recebidos destacam-se o Prêmio Governador do Estado-SP, Troféu Mambembe, APCA e Prêmio Shell.
O diretor está sempre presente nas apresentações. Além de ser um dos produtores, ele acompanhou os atores nos ensaios durante as substituições no elenco e realizou, em conjunto com Newton Moreno, algumas alterações nas histórias.
Um Berço de Pedra é o primeiro espetáculo que o diretor William Pereira, o dramaturgo Newton Moreno e o produtor Leo de Leo Jr. fazem juntos. Eles são sócios e administram a empresa de produção (LNW), mas ainda não tinham trabalhados juntos num mesmo espetáculo.
O projeto começou a ser gerado há alguns anos, mas ele demorou para ser concretizado porque as pessoas se assustavam com o teor do assunto. Eles venceram um Proac e foi por causa desse prêmio que eles conseguiram estrear o espetáculo e viabilizar a temporada.
O autor Newton Moreno apresentou ao diretor uma série de textos pequenos que ele tinha escrito em diferentes épocas e indagou se os seus escritos tinham algum tema em comum e dariam para ser encenados.
Segundo William Pereira, o que mais o empolgou para a realização da encenação é que existe um tema muito forte que permeia todos os textos - a questão da maternidade e de perda de identidade - e as histórias trazem uma série de referências mitológicas e arquetípicas que lhe interessam muito.
¨O texto é uma tragédia brasileira e o que mais chamou a minha atenção desde o início foi a presença de ecos de todos os mitos gregos e a possibilidade de realizar uma encenação que não fosse realista. Tem Antígona, que quer enterrar o irmão; Medeia, que mata os filhos, Édipo, na cena final (por isso eu fiz o personagem da cena final tirar os sapatos com o pé enfaixado). Não tem de ser óbvio na hora de contar a história e isso me interessa muito. Tanto que eu falo que esse texto é mais um poema cênico do que uma peça de teatro, e me interessa muito a articulação da cena com a poesia¨. Se fosse uma peça realista eu não ia querer fazer. É um tipo de dramaturgia que eu acho interessante, mas não gosto de dirigir¨.
Sempre falo que ele é um Plínio Marcos misturado com os poetas. O Plínio traz uma crueza que é bonita no teatro dele, e o Newton pega esse universo de criação realista, filtra e consegue transformar essa crueza em poesia. ¨O flerte com a literatura, com o texto poeticamente bonito, e a capacidade genial que o Newton tem de jogar imagens o tempo todo, me encanta¨, elogia.
Sobre o processo de criação, como o tempo de ensaio foi pequeno, fez questão de que todos os atores já chegassem com o texto decorado. Destaca que houve muita experimentação até que tudo o que é mostrado em cena soasse verdadeiro: “Experimentamos tonalidades, ritmos, tempos até acharmos um tom para fugir dos gestos realistas... A maravilha do teatro é a repetição¨, conta.
Também sinaliza que escolheu a dedo o elenco e equipe: ¨Isso para mim é o primeiro trabalho do diretor para que seja possível formar uma equipe harmônica. Se a coxia não for boa, por melhor que seja o espetáculo, ele vai se detonar na primeira semana. Uma coxia onde as pessoas se curtem faz com que o espetáculo flua maravilhosamente bem¨.
Para finalizar a conversa, fiz questão de pedir para que o diretor falasse sobre a sua experiência como diretor de óperas e a escolha para a trilha de Um Berço de Pedra.
Como antes de fazer teatro fez Conservatório e estudou piano, a música claramente influencia todas as suas direções. ¨A música nos meus espetáculos é texto, é quase um personagem. Eu digo muita coisa através da música porque é um universo muito familiar para mim. E a ópera foi uma consequência natural. A minha linguagem teatral é muito influenciada pela ópera”, destaca.
¨Quando terminei a Eca (direção teatral) sabia que queria trabalhar nessa área, e como no Brasil não tem campo de trabalho, fiquei dois anos estudando e fazendo estágio na Royal Opera House. Quando voltei para o Brasil, as pessoas já me conheciam do teatro e aí foi mais fácil abrir as portas para a ópera. Sempre digo: eu, no teatro, eu faço ópera, e na ópera, eu faço teatro¨, complementa.
Com relação à trilha de Um Berço de Pedra, a narrativa musical começou com a necessidade de escolher uma composição que melhor representasse o Brasil, já que as primeiras histórias fazem referência ao Brasil. ¨Na minha opinião, quem melhor traduziu a alma brasileira, e criou de uma maneira linda e poética, foi o Villa Lobos. Ele permeia quase o espetáculo inteiro com a composição As Bachianas. Em outros momentos, que eu queria sons e ruídos, descobri o compositor Max Richter, que pegou alguns trechos de As Quatro Estações do Vivaldi e fez algumas variações que são usadas para criar alguns ambientes e climas. Uso esse trabalho no monólogo da ditadura e na cena em que Medeia descreve a morte dos filhos. Na cena em que as mulheres são apedrejadas, uso no fundo um lamento grego cantado pela Irene Papas. E para terminar o espetáculo, tem a canção Stabat Mater, que em latim significa a dor da mãe. Ela é baseada em um texto medieval que vários compositores musicaram e fala da dor de Maria aos pés da cruz. Um Berço de Pedra é um ¨Stabat Mater¨, com as mães lamentando a perda e as mortes dos seus filhos, e por isso ela fecha o espetáculo de maneira potente e emocionante.


ELENCO:

SÔNIA GUEDES
Sônia Guedes, que entrou pela segunda temporada do espetáculo, fala sobre como é ter entrado nesse trabalho que fez temporada de sucesso no Centro Cultural São Paulo.
Vale a pena frisar que a atriz, aos 85 anos, está em plena forma e vê-la nos palcos é um privilégio
Sobre a sua carreira, Sonia conta que começou fazendo teatro de grupo, bem popular, para as pessoas rirem. ¨Faz parte da vida sorrir, diz, salientando o valor da comédia.
Fez também dramas e conta que trabalhou com grandes atores (entre eles Paulo Autran, Bibi Ferreira, Raul Cortez, Cleyde Yáconis) e com eles foi aprendendo a atuar e se aprimorando.
Um Berço de Pedra é o segundo trabalho de Sonia com o diretor William Pereira. Na sua opinião, o melhor trabalho que já fez no teatro foi Ismênia (2006), espetáculo em que foi dirigida por ele e que, apesar de ser excelente, teve menos repercussão do que merecia porque o texto é complexo, baseado na tragédia grega de Yannis Ritsos.
Assim que leu Um Berço de Pedra, Sônia ficou encantada com a obra. Realizar esse trabalho não está sendo fácil porque o texto é difícil e marca a sua volta aos palcos após uma ausência de dois anos devido a um acidente. Nunca havia trabalhado com ninguém que integra o elenco.
¨Estava bem insegura porque fazia tempo que não pisava no palco, mas o texto é belíssimo. É de autoria de um jovem, de um autor novo para o público brasileiro. Eu considero esse texto um clássico¨, diz.
Sobre entrar num espetáculo já em processo, afirma: ¨Dependemos muito das colegas. Um elenco precisa ser muito unido. Elenco que se dá bem na coxia faz um bom espetáculo porque você confia nos colegas e todos me aceitaram com muito carinho¨.
No espetáculo, Sônia faz o quadro As Mulheres de Duzentos anos, com a atriz Lilian Blanc. Elas interpretam duas personagens que serão apedrejadas e para a criação da cena tiveram acesso a fotos de mulheres que foram vítimas de apedrejamento.
¨Eu sou mãe e tive uma criança doente por dez anos. Sei bem o que é sofrer por um filho. Há momentos em que você deseja sofrer no lugar do seu filho¨. Mas a peça não fala só de mães. É universal. Ao tratar desse assunto, a peça toca também em outros assuntos, como política e as guerras no Oriente Médio¨, salienta, para frisar como é interpretar uma personagem num contexto em que as mulheres-mães estão em situações limites.
Para finalizar a conversa, Sonia diz que um Berço de Pedra é a oportunidade do público assistir a um trabalho diferente porque hoje temos muita comédia feito por atores de televisão. ¨Não tenho nada contra aos atores de TV, nem contra esse tipo de espetáculo (os colegas precisam trabalhar), mas o público está muito acostumado a ir ao teatro só para rir. O teatro também é para rir, já fiz muita comédia e gosto de fazer, mas o teatro não é só isso. Ele tem que fazer as pessoas pensarem, observarem o seu dia a dia e os seus ideais.


JAIRO MATTOS
O ator, diretor e palhaço (Chimarrão) tem larga experiência, com diversos trabalhos também no teatro, cinema e TV.
Entre os trabalhos: Ator - Concílio de Amor, direção Gabriel Villela, Budro, direção do Emilio Di Biasi; Novas Diretrizes em Tempos de Paz, direção de Ariela Goldmann; Esperando Godot, direção de Moacir Chaves; Lago 22, direção de Jorge Takla; Os Coveiros, direção de Hugo Possolo; Barrela, direção de Sérgio Ferrara; entre outros. Como diretor, destaque para Carro de Paulista, Amanhã é Natal, e Os Cata-Dores (também esteve no palco).
Mattos, que já tinha trabalhado com William Pereira em Aula Magna com Stalin e Sobre o Amor e a Amizade, texto de Caio Fernando Abreu, entrou em Um Berço de Pedra para viver dois personagens masculinos que pisam no palco no começo e no final do espetáculo.
Quem integrou o elenco na primeira temporada foi o ator Eucir De Souza, que foi chamado para fazer uma série na TV.
Um deles é um estuprador, que está preso e é visitado pela mulher que violentou e engravidou. No segundo momento, interpreta um homem que quando criança foi entregue a um desconhecido pela sua mãe, num semáforo.
Jairo conta que teve pouco tempo de ensaio, mas que para ele isso não é problema: ¨Comecei a ensaiar sete dias antes da reestreia e foram somente cinco ensaios, mas eu já cheguei a pegar, em 1992, um Esperando Godot em ensaio. Eu só decorei o texto, as marcas e as rubricas. A necessidade te obriga a ficar mais esperto¨.
É o único ator em cena e fala sobre a experiência de estar com as atrizes nesse trabalho: ¨São mulheres tão diferentes e atrizes tão incríveis! Desde a Luciana Lyra, que deve ter uns 30 anos, até a Sônia Guedes, que é uma mulher maravilhosa e tem uma história maravilhosa no teatro! Trabalhar com elas está sendo uma delícia porque eu assisti a peça no Centro Cultural, quase no final da temporada. Eu tinha adorado e gostado muito do Eucir, que depois foi indicado a prêmio. O William me mandou um whatsapp perguntando se eu estava disponível e eu aceitei na hora. Como foram poucos ensaios, cada espetáculo se transforma em mais um ensaio¨.
O ator salienta que o texto é lindo, poético, quase literatura e que está muito feliz com a possibilidade de atuar nesse espetáculo.
¨O monólogo final, por exemplo, é um deslumbramento. Como entro logo no começo e na última cena, tenho a oportunidade de ficar na coxia ouvindo as atrizes e ouvir é uma experiência muito interessante. A cada dia o espetáculo é diferente e poder acompanhar a transformação a partir da escuta é para mim uma grande experiência; não tinha vivido essa experiência ainda¨.
Além da temporada de Um Berço de Pedra, está em fase de preparação de vários projetos, entre eles: o espetáculo Toda Nudez Será Castigada, com a companhia do diretor Marco Antonio Braz e um projeto de teatro de rua, para o qual está treinando Globo da Morte, e estará em cena como um bufão velho que vai se apresentar pela última vez.


LILIAN BLANC E LUCIANA LYRA
Luciana Lyra é atriz, professora, performer, encenadora, diretora, dramaturga e escritora.
Entre os destaques como atriz no teatro estão os espetáculos com o grupo Os Fofos Encenam, Assombrações do Recife Velho (2005), Memória da Cana (2009) e Terra de Santo (2012), premiados nacionalmente. Dirigiu, escreveu e atuou em Conto, Calunga e Joana In Cárcere (Companhia Duas de Criação), entre outros trabalhos. Para saber mais: http://duasdecriacao.blogspot.com.br
Lilian Blanc faz TV, teatro e cinema. Integrou o grupo Tapa, realizando vários trabalhos sob direção de Eduardo Tolentino, trabalhou com o grupo Arte Ciência no palco, e entre os seus últimos trabalhos estão Terrorismo, direção de Cristiane Cavalcanti, Mambo Italiano, direção Clarisse Abujamra, O Convite de casamento, texto e direção de Clovys Torres, O Casamento do Pequeno Burguês, direção de Moises Miastkwosky, Avental Todo Sujo de Ovo, direção de Bruno Guida, Não se brinca com o amor, Anne Kessler (da Comédie-Française), e Single Singers Bar, direção Dagoberto Feliz.
Luciana conta que entrou em contato com Um berço de Pedra há cerca de dois anos e fez a primeira leitura no Masp, dentro do evento Letras em Cena.
A atriz, que é de Recife, conterrânea de Newton Moreno, e já tinha trabalhado com ele nos espetáculos Assombrações do Recife Velho, Memória da Cana e Terra de Santo, dos Fofos Encenam, diz que foi muito especial receber o convite para integrar o elenco da montagem, em especial para interpretar a figura da Medeia, foi um presente: ¨Tem muito a ver com a minha história, com a minha trajetória de migrante que veio há quinze anos de Recife para São Paulo. O retorno da migrante à sua terra natal é um tema que sempre me ronda¨, conta.
Na nova temporada, a atriz participa do primeiro texto Chamado Canteiros, dividindo a cena com Lilian Blanc. O texto fala sobre o período da Ditadura, mostrando como mães vivenciaram o desaparecimento de seus filhos.
O interessante no encontro entre as atrizes é que Luciana (que procura pelo filho desaparecido) vive agora o papel que era de Lilian (que no momento interpreta a mulher do general que possivelmente foi o assassino do garoto).
Luciana e Lilian salientam que todas estão vivendo uma situação limite: ¨Um grito de resistência”, ressalta Luciana.
Lilian diz que ainda não tinha trabalhado com Newton Moreno e que ficou muito feliz quando foi convidada para fazer esse trabalho. Com relação ao diretor, com quem também trabalha pela primeira vez, ressalta o quanto ele é cavalheiro e a delicadeza do seu olhar com relação à história dessas mulheres.
Ela acredita que ser mãe a ajudou na construção de suas personagens e salienta que está sendo muito interessante viver os dois lados da história e ainda ter a oportunidade de participar de uma cena nova, criada pelo autor para as novas apresentações, ao lado da atriz Sonia Guedes. ¨Acabou sendo dois espetáculos diferentes para mim¨, diz.


DÉBORA DUBOC
Na sua cidade natal, Ribeirão Preto, a atriz fez teatro amador de 1980 a 1988, com o grupo Agnosart. Atriz formada pela Unicamp, chamou a atenção do público e da crítica por seus trabalhos no Grupo Razões inversas, de Márcio Aurelio. Atua no teatro, cinema e TV.
Foi idealizadora, curadora e atriz, junto com Renato Borghi, das duas edições da Mostra Contemporânea de Dramaturgia. Em 2000, fundou a sua própria companhia, Olhar Imaginário – Núcleo de Teatro, com a qual produziu as Mostras de Dramaturgia Contemporânea e o musical contemporâneo Espírito da Terra.
Entre os trabalhos mais recentes no teatro: O Homem, a Besta e a Virtude, direção de Marcelo Lazzaratto, Um dia quase igual aos outros, direção Neyde Veneziano e o musical Sou Toda Coração, direção Elias Andreato.
No cinema, destaque para os filmes em que foi dirigida pelo marido, Toni Venturi: A Comédia Divina, Estamos Juntos, Cabra-cega e Latitude Zero. Na TV, destaque para a novela Passione, da TV Globo.
Para Débora estar em cena hoje faz muito sentido porque o texto é muito atual, na medida em que é mostrado no palco é o que vemos acontecer, de alguma maneira, no mundo. ¨Esse texto é um libelo contra a barbárie¨, opina.
A atriz salienta que a união entre o texto do Newton, mais a encenação incrível do William e os atores, que estão muito comprometidos com o espetáculo, faz com que o lirismo do texto transborde. ¨Apesar de falarmos de maternidades tão doloridas, é um prazer estar aqui¨, ressalta.
Também destaca a qualidade de toda a equipe: ¨A nossa coxia é excepcional. Além de estar com grandes talentos, imagina o que é pisar no palco com a Sônia Guedes? Essa mulher é a história do teatro brasileiro, está com 85 anos! E ainda tem a Lilian Blanc, a Luciana Lyra, a Cristina Cavalcanti e mais a chegada do Jairo, que é uma luz! São pessoas de um excelente humor e de um talento potente!” elogia.
O William é um encenador como poucos no Brasil. Ele conseguiu fazer com que o texto ganhasse mais poesia ainda. Ao trazer três toneladas de areia para o palco, ele traz um olhar próprio para a terra devastada, que não é fértil. E tem a Miló também que trouxe uma luz incrível, que representa o desejo das mães de ir ao encontro de um lugar onde elas possam criar os seus filhos, além do Leo de Leo que é um produtor irmão... Está muito gostoso, não quero parar com esse espetáculo, complementa.
Sobre o processo de criação, declara que foi muito intenso devido ao pouco tempo de ensaios (menos de dois meses) e doloroso porque teve muitos pesadelos no momento em que o espetáculo estava sendo desenhado.
Com o decorrer da temporada, no entanto, afirma que conseguiu organizar as suas energias e mesmo o texto abordando assuntos tão tristes, ela consegue interpretá-lo com muita alegria.
Débora afirma que todas as histórias são especiais, mas diz que se identifica muito com a primeira, Canteiro. Além de ter muita afinidade com o tema da ditadura, com a procura das mães pelos seus filhos desaparecidos, acredita que hoje os jovens estão sendo vítimas de uma brutalidade que lembra muito a violência do período. ¨Estamos vivendo hoje no Brasil ares muito fortes de um estado de exceção, onde existe uma brutalidade muito intensa em cima dos jovens¨. ¨Por isso, esse texto me encanta e mexe muito comigo¨.
Para finalizar a conversa, a atriz faz um pedido: Aqui no TUSP estamos fazendo um libelo pela cultura da paz, onde a maternidade é uma forma de resistência. Venham pro Tusp fazer esse grande ritual com a gente. Quinta, sexta e sábado às 21h00, e domingo às 19h00. ¨Quero pedir para que as pessoas se atentem que esta semana é a última do espetáculo. Quem tiver vontade de ver, corra!”


CRISTINA CAVALCANTI
Como integrante da Visceral Companhia, assinou a direção e atuou em Terrorismo. Como atriz, participou de Alguém vai vir, Blackbird e A Serpente e o Jardim, direção Alexandre Tenório,
Está para estrear, dia 13 de maio , Atlântica, na Vila Maria Zelia, e dia 15 de junho, Swallow, direção de Bruno Perillo, no teatro da Cultura Inglesa de Pinheiros.
Foi assistente de Kiko Marques no processo dramatúrgico do espetáculo Sínthia.
Como todos do elenco, a atriz começou a conversa dizendo que esse trabalho é incrível, foi um presente. ¨É muito bacana porque o texto do Newton é uma dádiva e o William é uma pessoa muito generosa (dá vontade de fazer várias peças com ele)¨.
A atriz integrou o elenco desde os primeiros ensaios, mas não participou da Leitura do texto que foi realizada no Masp, nem do processo de estudos e pesquisas que durou cerca de dois anos. Isso fez com que o mergulho nesse trabalho fosse uma surpresa.
¨Foi um processo muito delicado e ao mesmo tempo muito gostoso. Nunca tive medo de fazer qualquer trabalho, mas mexer com filho é explorar lugar bem delicado. No começo, eu tinha muito medo de levar a energia do espetáculo para o meu filho, depois passou¨, conta, frisando que o processo de criação do espetáculo foi uma experiência difícil pela temática e pela poesia, devido às imagens dessas histórias que o autor constrói.
¨ Esse trabalho mexeu muito comigo. Aprendi muito como atriz porque fiz algo que não tinha nenhuma apropriação. Traz muita dor pensar na possibilidade de ter que entregar um filho, como acontece na história da Guerra Síria. Hoje entendo as tragédias dessas mães com outro olhar¨, finaliza.


Ficha Técnica:
Texto de Newton Moreno
Direção e Cenografia: William Pereira
Elenco:
Cristina Cavalcanti, Debora Duboc, Jairo Mattos, Lilian Blanc, Luciana Lyra e participação especial Sônia Guedes
Figurinos: Cristina Cavalcanti
Trilha sonora: William Pereira
Iluminação: Miló Martins
Programação Visual: Eduardo Reyes
Fotografia e Registro em Vídeo: Marcos Frutig
Projeções: Daniel Mantovani
Visagista: Leopoldo Pacheco
Cabelos: Paolo Biagiogli
Aderecista: Michele Rolandi
Divulgação: Adriana Monteiro
Operador de Luz: Fernanda Guedella
Operador de Som: Janice Rodrigues
Direção de Palco (estagiários): Andieli Gorci, Henrique Pina e Rodolfo Portal
Produção Executiva: Rafaela Penteado
Assistente de Produção Executiva: Paloma Rocha
Assistente de Direção de Produção: Adriana Florence
Direção de Produção: Leopoldo De Léo Junior

Serviço:
“Um Berço de Pedra”, de Newton Moreno
Estreia em 13/04, quinta-feira, às 21h
Temporada de 13/04 até 07/05/2017
De quinta a domingo, quinta a sábado, às 21h e domingos, às 19h
Ingressos: Inteira: R$ 50,00 e meia: R$ 25,00
TUSP
Endereço: Rua Maria Antônia, 294 - Consolação – São Paulo, SP - (Metrô Santa Cecília)
Telefone: (11) 3123.5223/5233
DURAÇÃO: 90 minutos
CAPACIDADE: 100 lugares
RECOMENDAÇÃO ETÁRIA: 14 anos
Montagem vencedora do Prêmio Shell de melhor iluminação e indicada em seis categorias aos prêmios SHELL, APCA e Aplauso Brasil
Página no Facebook: https://www.facebook.com/umbercodepedra/


O De Olho Na Cena conta com o apoio do Pimenta Romã
Alameda Lorena, 521 - Jardins
pimentaroma.com.br
https://www.facebook.com/restaurantepimentaroma/?fref=ts
Buffet do Pimenta Romã de 2a a 6af!
No almoço executivo, vale dizer, você tem direito ao Buffet de pratos frios e quentes, além de sobremesa.

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DE OLHO NA CENA BY NANDA ROVERE - TUDO SOBRE TEATRO, CINEMA, SHOWS E EVENTOS Sou historiadora e jornalista, apaixonada por nossa cultura, especialmente pelo teatro.Na minha opinião, a arte pode melhorar, e muito, o mundo em que vivemos e muitos artistas trabalham com esse objetivo. de olho na cena, nanda rovere, chananda rovere, estreias de teatro são Paulo, estreias de teatro sp, criticas sobre teatro, criticas sobre teatro adulto, criticas sobre teatro infantil, estreias de teatro infantil sp, teatro em sp, teatros em sp, cultura sp, o que fazer em são Paulo, conhecendo o teatro, matérias sobre teatro, teatro adulto, teatro infantil, shows em sp, eventos em sp, teatros em cartaz em sp, teatros em cartaz na capital, teatros em cartaz, teatros em são Paulo, teatro zona sul sp, teatro zona leste sp, teatro zona oeste sp, nanda roveri,

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