Nesse espetáculo, Thiago é um garoto que descobre que é soro positivo. Essa notícia o obriga a repensar a sua vida.
Um espetáculo muito oportuno, pois, segundo pesquisas, o número de pessoas contaminadas tem aumentado ano a ano, mesmo com o acesso mais fácil às informações sobre prevenção.
Enfrentar o preconceito de cabeça erguida exige força. O protagonista enfrenta o abandono paterno e precisa aprender a lidar com a sua sexualidade e a se relacionar com os amigos.
Fernanda Maia, que assina o texto e as letras das canções e faz parte da banda, é parceira de Zé Henrique de Paula em produções como Urinal e Carrossel, além de O Senhor da Mosca, que entrou em cartaz no Teatro Popular do Sesi.
Uma dupla muito competente e que tem recebido o merecido reconhecimento do público e crítica.
Foi de uma vontade do músico Rafa Miranda, portador de HIV, que surgiu o musical. Ele quis dividir com as pessoas angústias que são comuns a todos que recebem a notícia que são portadores do vírus.
Segundo o músico, ele encontrou muito apoio em Zé e a Fernanda, que foi atrás de informações para que o amigo se sentisse amparado.
A concepção cênica está em conformidade com a linha de pesquisa do Núcleo Experimental, que nas suas produções trabalham essencialmente com a integração entre música e teatro, seja através de musicais ou de montagens musicadas.
O Núcleo estava em busca de um projeto original e a ideia de Miranda foi colocada em prática através de um texto que fala de HIV, mas fala também da complexidade das relações humanas e do preconceito que impera na sociedade. ¨Como não somos da área da saúde e não detemos o conhecimento científico, o que nos interessa é falar das relações humanas. Como é contar para alguém que se é soropositivo?, assinala.
Para a criação desse espetáculo foram feitas pesquisas de campo com jovens portadores de HIV e instituições de amparo a esse grupo. Além disso, o compositor e regente, foi uma fonte de pesquisa.
O repertório é formado por treze canções originais (música de Rafa Miranda) com influências de vários gêneros, como pop, bolero, disco, jazz e música de jogos digitais.
Zé Henrique dirige e também está no palco. O ator e diretor fez questão de frisar que a montagem não teria acontecido sem o Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo. Em outubro de 2016, foram feitas três leituras cantadas abertas ao público.
São colegas de cena: Davi Tápias, Gabriel Malo, Bruna Guerin, Anna Toledo, Fabio Augusto Barreto e Fabio Redkowicz, que interpretam doze personagens. Os cantores estão acompanhados por uma banda e cantam a trilha ao vivo. Fernanda Maia está ao piano, Abner Paul toca bateria, Benjamin Bernardes, violino; Branco Bernardes (viola), Clara Bastos (contrabaixo elétrico) e Felipe Parisi (violoncelo).
Fernanda Maia declarou que com relação à ciência o tratamento para quem é portador do vírus HIV teve um amplo desenvolvimento, mas que no campo das relações ainda impera muita rejeição devido ao desconhecimento sobre o assunto.
Fernanda também afirmou que as informações são muito insatisfatórias e que, portanto, é preciso que exista um diálogo consistente para que os jovens compreendam o que significa o HIV, saibam que atualmente o tratamento, a base de remédios, é eficaz, e que com o devido controle os portadores não transmitem mais o vírus. ¨Falta um olhar afetuoso para o soropositivo¨, opina.
¨Falta uma boa informação sobre como prevenir e é preciso que se fale sobre saúde e sexualidade¨, reforça Rafa.
Todo o elenco citou que o processo de criação da montagem foi muito prazeroso. Todos elogiam o talento de Zé Henrique e a sua generosidade enquanto diretor, já que aceita a opinião de todos com relação à criação das cenas.
Ficha Técnica
Texto/letras e direção musical: Fernanda Maia. Música: Rafa Miranda. Direção: Zé Henrique de Paula. Colaboradores: Herbert Bianchi e Zé Henrique de Paula. Elenco: Anna Toledo, Bruna Guerin, Davi Tápias, Fábio Augusto Barreto, Fabio Redkowicz, Gabriel Malo e Zé Henrique de Paula. Músicos: Fernanda Maia (piano), Abner Paul (bateria), Benjamin Bernardes (violino), Branco Bernardes (viola), Clara Bastos (contrabaixo elétrico) e Felipe Parisi (violoncelo).
Serviço
Lembro Todo Dia de Você. Estreia dia 18 de maio, quinta-feira, às 20h, no CCBB São Paulo Temporada: Sextas, sábados e segundas, às 20h, e domingos, às 19h. Até 26 de junho. Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). Capacidade: 140 lugares. Classificação Indicativa: 16 anos. Duração: 100 minutos.
CCBB São Paulo
Aberto de quarta a segunda, das 9h às 21h
Rua Álvares Penteado, 112 – Centro – SP
Próximo às estações Sé e São Bento do Metrô
Informações: (11) 3113-3651/3652
Acesso e facilidades para pessoas com deficiência física // Ar-condicionado
Estacionamento conveniado: Estapar Rua Santo Amaro, 272
Valor: R$ 15,00 pelo período de 5 horas (Necessário validar o ticket na bilheteria do CCBB)
Traslado gratuito até o CCBB. No trajeto de volta, tem parada no Metrô República.
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