Mississipi é a vida num dos lugares mais emblemáticos da cultura paulistana, a Pça Roosevelt, em São Paulo..
Os Satyros conhecem profundamente a vida nesse lugar. Revitalizaram a praça e transformaram um lugar que era de prostituição e venda de drogas, num local onde a arte pulsa.
Claro que como centro de uma grande metrópole, os problemas não terminaram. Muitos moradores de rua e habitantes do local que não gostam dos moradores e reclamam dos Satyros também.
Mississipi é o nome de um estado americano e do personagem que apresenta ao espectador a praça e quem habita nela.
Moradores de rua com seus sonhos, erros, neuroses e devaneios. Moradores dos prédios do entorno da praça, com seus sonhos.erros, neuroses e devaneios. Uma relação que pode ser amistosa, mas também muito trágica.
Enxergar o outro e ter compaixão ... Alguns personagens têm essas capacidades, outros querem mesmo é exterminar quem está na rua. Seres sem alma e doentes numa lama de maldade e ignorância.
O metateatro se faz presente e Mississipi é uma enxurrada de emoções. Em cena, a busca da sobrevivência. Muitas vezes as ações são condenáveis, mas a dureza da vida nas ruas é cruel demais e perder a noção do certo e errado não é nada difícil ... O limite tênue entre vida e morte, amor e ódio, desejo e repulsa. Personagens marginalizados, considerados esquisitos e que trazem consigo a dor da solidão.
Relaçoes que se entrelaçam e traçam um panorama da Roosevelt hoje. Um momento complicado, onde os preconceitos estão acirrados e em nome de uma falsa moral, seres humanos são capazes de cometer atrocidades.
Mississipi é um espetáculo forte, intenso e impactante. Arrebata o coração porque tem uma força incrível, mas sem deixar de lado a poesia. E a força poética está no texto, na encenação e na trilha, que é um oásis dentro de uma história que promove muita emoção.
Rodolfo Garcia Vázquez, diretor dos Satyros, denomina o trabalho musical como teatro karaokê, com os atores interpretando canções bregas dos anos 1970 e essas cenas coreografadas e com legendas.
Um fio de humor mediante atuações arrebatadoras. Ivam Cabral, visceral, com equilíbrio perfeito entre técnica e emoção. Mississipi mostra que o ser humano merece respeito e leva para o palco um grupo pelo respeito à diversidade. Um grito contra qualquer violência.
Entre os destaques do elenco, que merece muitos aplausos, Nicole Puzzi, que mostra o seu talento para o teatro e está plena no palco.
O teatro sem amarras, sem a necessidade de se enquadrar, engessar, num gênero específico. O teatro que dá voz aos marginalizados. Nesses tempos sombrios, os Satyros realizam um espetáculo político sem nenhum panfletarismo. A arte pulsa e luta contra seres das trevas que não tem a capacidade de perceber que o amor e o respeito é que garantem um mundo melhor.
Os 30 anos dos Satyros comemorados com maestria.
Ivam Cabral começou a sua vida no teatro em Curitiba e foi em São Paulo que fundou a Cia com Vázquez. Já mantiveram sede aqui na cidade e nada mais justo do que a estreia de Mississipi ter ocorrido no Festival.
Cabaret TransPeripatético’
Onde: Teatro Paiol
Quando: 30 de março, às 21h, e 31 de Março, às 19h
‘Todos os Sonhos do Mundo’
Onde: Teatro Paiol
Quando: 1º e 2 de abril, às 21 horas
‘O Rei de Sodoma’
Onde: Teatro Paiol
Quando: 4 e 5 de Abril, às 21 horas
Após a estreia em Curitiba, a peça faz temporada no Sesc Consolação, em São Paulo, a partir de 20 de abril. |