Live sobre a trajetória da antropóloga da voz italiana Francesca della Monica e Os Gigantes da Montanha, de Luigi Pirandello, direção Gabriel Villela e atuação do Grupo Galpão.
Eduardo Da Luz Moreira, do Grupo Galpão, conduziu muito bem o bate-papo.
Disponível no canal IGTV do Galpão
Instagram @grupogalpao
"A VOZ BROTA COMO IMPULSO DO CORPO"
"A MENSAGEM DOS ARTISTAS É A IMATERIALIDADE"
FRANCESCA DELLA MONICA
Não fiz um resumo detalhado porque o trabalho de Francesca é de uma profundidade incrível e é preciso assistir a live para verificar a importância da sua fala.
A conheci através do Gabriel e Claudio Fontana.
Francesca é daquelas pessoas que transmitem luz. Contar com a sua amizade é um presente, e a sua essencial contribuição para que o #imaginai de Villela tenha alta qualidade é nítida. A voz e a fala dos atores são de uma potência ímpar. Aulas do entendimento da fala, da expressão vocal, que como ela mesmo define, bota do corpo, da expressão corporal. E quem se beneficia com isso, mais do que tudo, é o público porque prestigia montagens com preciosismo na direção e interpretação dos atores.
O Grupo Galpão, que realizou a conversa, Gabriel e Claudio Fontana sempre enaltecem a preciosidade do conhecimento de Francesca sobre a voz, em especial a voz do artista - elogiando também a Babaya Morais como preparadora vocal e diretora musical.
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Para Francesca trabalhar com a antropologia da voz é voltar para as raízes.
No teatro é realizado o trabalho mais profundo com a voz, "a voz que usamos no dia a dia e que no teatro busca a dramaturgia da música que se casa com a palavra e o gesto".
Segundo Francesca, no teatro A VOZ BROTA COMO IMPULSO DO CORPO.
No seu trabalho de antropologia da voz é essencial a construção das palavras pelas vogais que possuem a função de articulação - vogais e consoantes têm pulsões diferentes (assistindo a live existe um aprofundamento dessa questão).
Francesca também sinaliza que o aquecimento da voz precisa levar em conta a fragilidade humana, sobretudo pós pandemia".
O aquecimento de voz deve ser feito com delicadeza já que já que o corpo estará coberto de feridas pela pandemia". " A partir da crise manifestamos a nossa individualidade", diz.
"O PODER ESTÁ MATANDO A POSSIBILIDADE DE SE FAZER ARTES" - FRANCESCA DELLA MONICA
Entre tantos artistas com os quais Francesca já trabalhou, foi através de Ernani Maletta que conheceu o Grupo Galpão e o Gabriel (Hécuba, Macbeth, Os Gigantes da Montanha, Um Réquiem Para Antonio, A Tempestade, Boca de Ouro, Cordel do Amor Sem Fim (com Os Geraldos que estava em fase de ensaios quando a pandemia chegou são as montagens que contaram com a sua contribuição); Cacá Carvalho Carvalho, Dario Fo.
Francesca falou também sobre a importância de Os Gigantes da Montanha na obra de Pirandello, autor por quem Francesca é apaixonada.
"EU RENASCI NO BRASIL" FRANCESCA DELLA MONICA
Frisou tambén a questão do mito na obra do dramaturgo italiano.
"Os Gigantes é uma tragédia metahistórica que vai tomando sentido nas diferentes eras", afirmou.
A obra apresenta "o que mata a arte" e, segundo Francesca, pensando nos dias atuais, "é o poder que gera o vírus".
Abordou também a contraposição entre espetáculo e teatro no universo da obra Os Gigantes da Montanha; o espetáculo é mercadológico - o lugar dos gigantes, e o teatro é o lugar imaterial dos artistas.
Com relação à direção de Gabriel, destacou a trilha com canções italianas: "ESCOLHA GENIAL. MILAGRE"... um trabalho que teve como mérito tornar a palavra de Pirandello inteligível, valorizando a cultura popular e a história das cias italianas que viajavam pelo país. Relembrou o quanto foi marcante a estreia em Belo Horizonte - um público de 15 mil pessoas.
Eduardo leu um texto de Francesca sobre o atêlie de Gabriel (no final do post) que exemplifica com precisão a arte feita com delicadeza.
"O ATELIÊ DE GABRIEL VILLELA É UMA OBRA DE ARTE TOTAL"
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O Atelier renascentista de Gabriel Villela
" Ambasciata teatrale" - Firenze
O atelier de Gabriel Villela é, ja por si, uma obra de teatro total onde a dramaturgia é um percurso de vida cujos fios, mais ou menos sutis, sao os tantos discursos deixados em suspenso da tradiçao.
Penso nesse originalissimo artista e no seu antepor aos ensaios de um espetaculo a “fabrica” (no sentido renascentista do termo) do atelier no qual serao paridas as formas corporais de personagens e ambientes, como à açao de chocar um ovo cosmico.
O germe de todos os fenomenos e do inteiro unverso se encontra ali e a casca do ovo representa os confins do espaço mundo, e o germe ocluso dentro é o simbolo do dinamismo inexaurivel da vida "in natura".
Um atelier de conhecimentos refinados e de sabia manifattura, que o inefavel da criaçao artistica torna nao repetitivos e sujeitos à surpresa.
Gabriel, como o filho do fabbricante de sinos de Andrej Rubliev, è herdeiro de uma sabedoria antiga que se revela, quase inesperada, somente no ultimo instante do processo criativo, sempre incidioso, mas ineroxabelmente coroado do som do sino, do gemito e das lagrimas da poesia e do despertar da palavra do artista depois do longo silencio claustral que antecipa o nascimento de um objeto de arte.
francesca della monica
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Sobre Francesca
Artista, pedagoga e pesquisadora italiana, Francesca Della Monica conduz uma pesquisa original sobre as diversas possibilidades da voz e da musicalidade no âmbito teatral contemporâneo, por meio de uma metodologia própria.
É considerada uma das maiores especialistas na Europa, seja pelo aspecto técnico quanto pelo criativo, com um sólido conhecimento tanto das técnicas tradicionais quanto das experiências experimentais e de vanguarda – fruto de uma formação eclética que reúne a Filosofia, a Arqueologia, a Música, o Teatro e as Artes Visuais. Destaca-se também pela sua experiência e predileção pelo estudo das notações não convencionais da voz, próprias da música contemporânea. |