É preciso falar com alma para a criança! DIB CARNEIRO NETO
O papo correu de uma maneira leve, com a presença de amigos, amantes do teatro, que realizaram comentários e indagações.
O diretor Gabriel Villela, o ator e produtor Claudio Fontana, amigos e parceiros de trabalho, a atriz Tuna Dwek, Cadu Fávero e Rodrigo Audi estavam entre os presentes.
Dib Carneiro Neto jornalista, crítico e dramaturgo
Dib Carneiro Neto, além de um jornalista que nos faz amar a arte e o teatro, o infantil especialmente, é um dramaturgo sensível e talentoso e merece todos os elogios pelo trabalho precioso de valorização do teatro infantil como crítico.
A entrevista começou com o Pedro Leão salientando que o entrevistado nasceu em São José do Rio Preto.
O ator e produtor Claudio Fontana sempre participativo e com o seu bom humor, lançou a seguinte questão (que tem pautado as nossas conversas nas redes sociais): Live é teatro?
Segundo Dib, ¨LIVE NÃO É TEATRO¨. Dib contou que esse assunto começou a ser fomentado no seu site Pecinha é a vovozinha - www.pecinhaeavovozinha.com.br - a partir da participação de Claudio Saltini, ator, diretor e bonequeiro, comentou que live não é teatro e Dib transformou as considerações num artigo. A partir daí, surgiram outros textos de artistas defendendo ou criticando essa questão.
Em essência isso nem deveria ser discutido, segundo o entrevistado.
¨TEATRO PARA SER TEATRO TEM QUE TER PÚBLICO¨.
Frisou que não desmerece quem realiza as apresentações on line, salientando que muitas são tão bem feitas que emocionam, mas as classificou como experimentos louváveis de várias linguagens, mas não teatro.
A CÂMERA DIRECIONA O OLHAR, ENQUANTO NO TEATRO QUEM DIRECIONA O OLHAR, FOCA NO QUE DESEJA PRESTAR MELHOR ATENÇÃO, É O ESPECTADOR.
Dib defendeu o registro de espetáculos em vídeo para que o momento da criação de um artista seja preservado, para reforçar mais uma vez que não é contra as realizações que estamos presenciando através da tela do celular ou do computador, mas reforçou que teatro só será teatro quando as pessoas puderem ir às salas de espetáculos.
Fontana lançou a seguinte questão: Você tem cerca de 10 peças escritas pra teatro, sendo que algumas delas adaptações de livros, maravilhosas, aliás. Por que você não escreve mais pra teatro? O que te inspira para escrever?
Como resposta, Dib disse que Fontana é um irmão que o conhece tão bem que tem a sensibilidade de fazer perguntas certeiras. Afirmou que irá voltar a escrever. Adoro escrever. ¨Estou parado com a ficção, mas estou usando a pandemia para escrever um livro sobre a dramaturgia do teatro infantil e jovem. Eu estou completando 30 anos de teatro infantil este ano e resolvi contar o que eu vi esses anos todos¨, declarou. Adiantou que ainda está sistematizando o conteúdo, mas que está abordando o teatro de bonecos, o teatro de bebês, e também já tem espaço para analisar o trabalho realizado pelos contadores de histórias.
Sobre a sua inspiração: ¨a inspiração vem de convites (um deles veio do próprio Claudio), já tive inspiração a partir de momentos da minha vida, já vi um filme ou uma cena que me inspiraram, e estou aberto a sugestões¨, afirmou
Contou que já adaptou livros por vontade própria e também a pedido do diretor Gabriel Villela, no caso, Crônica da Casa Assassinada, de Lucio Cardoso. Um trabalho que ele define como ¨uma responsabilidade maluca¨. Um dos romances mais importantes, e epistolar, segundo Dib, com cada capítulo contendo cartas de personagens, o que foi complexo para transformar em dramaturgia.
Pedro Leão, que é autor de 60 peças infantis, fez questão de dizer o quanto Dib o inspira desde que assistiu na sua cidade, Ribeirão Preto, ao espetáculo Adivinhe quem vem para rezar, com Paulo Autran e Claudio Fontana no palco, e Elias Andreato assinando a direção.
15 ANOS DE ADIVINHE QUEM VEM PARA REZAR! INESQUECÍVEL!
O nome do Dib nunca saiu da sua cabeça e anos depois, quando precisou escrever textos infantis para um projeto, descobriu que além de excelente dramaturgo, o autor de ¨Adivinhe¨ que tanto o marcou, era também jornalista dedicado ao teatro infantil.
Além disso, o admira por ele ser um jornalista que saiu do interior e conquistou o sucesso profissional em São Paulo, tendo como ponto de destaque a sua atuação como editor-chefe do caderno cultural do jornal O Estado de São Paulo.
Um outro momento da parceria entre Dib, como dramaturgo, e Gabriel, na direção, foi a montagem de Um Réquiem Para Antonio.
Elias Andreato e Claudio Fontana encomendaram um texto, pois queriam encenar uma obra que abordasse a inveja.
Segundo Dib, os personagens não eram clowns, mas foi Gabriel Villela quem teve (a genial) idéia de levar a história para o picadeiro, que em São Paulo foi encenada na arena. E sobre o trabalho do diretor, disse que uma das características que mais o agradam é que ele ouve o autor, o convida para acompanhar ensaios e permite que lhe dê palpites sobre o processo de criação.
¨MOMENTO INESQUECÍVEL TER RECEBIDO ESSA ENCOMENDA E CONTAR COM A DIREÇÃO DE UM GÊNIO COMO GABRIEL VILLELA, AGRADECEU DIB CARNEIRO NETO¨.
Vale lembrar que foi Dib, em companhia de Rodrigo Audi, quem escreveu Imaginai o teatro de Gabriel Villela, prêmio Jabuti. Na live, ele abordou um pouco como foi o processo de criação do livro, o qual foi gerado através de depoimentos de Villela gravados no sítio em Carmo do Rio Claro/MG.
O diretor Gabriel Villela lançou a seguinte pergunta: ¨Dib, querido, você tem saudades da redação de um jornal? E, rapidinho, qual a capital da Lituânia¨? A partir dessa pergunta do diretor sobre a Lituânia, de caráter ¨mais pessoal¨, dá para perceber o tom descontraído do bate-papo, visto que a citação da Lituânia aconteceu porque no ano passado Dib, e Villela realizaram uma viagem à Europa, e ,nessa viagem, Dib sempre se mostrou esquecido com relação aos nomes dos locais pelos quais eles passavam).
Respondendo ao Villela sobre a saudade da redação, declarou que sente muita saudade e que no Caderno 2 do Jornal O Estado de São Paulo, a sua experiência foi maravilhosa porque ele podia fazer a seção cultural do tamanho que quisesse e lá tinha espaço para falar de teatro infantil. ¨Queria voltar para a redação como ela era antes¨, disse, salientando a falta de espaço que o teatro em geral, sobretudo o infantil, tem hoje nos jornais.
Tuna Dwek, que em breve será entrevistada, perguntou: ¨O que você acha que emociona a criança de hoje na dramaturgia. A pandemia vai gerar novos conteúdos¨?
Segundo Dib, quando a questão é emoção, a criança é sempre espontânea, independente do tempo em que ela vive.
¨A CHAVE PARA O DRAMATURGO ACESSAR UMA CRIANÇA É A HONESTIDADE. CRIANÇA SABE QUANDO ESTÁ SENDO ENGANADA¨, AFIRMOU.
O sucesso não está em fazer algo frenético, tecnológico, mas sim em tocar a criança pela emoção, pelo colorido.
Com relação à dramaturgia, confirmou que já tem obras surgindo: ¨Todo mundo vai querer escrever sobre a pandemia, sobre a solidão, dando uma mexida não somente na área da dramaturgia, mas em tudo¨. Como é uma incógnita como será o futuro, quando o teatro vai voltar, não é possível condenar quem está criando para as lives na pandemia. E com relação a essas criações, muitas serão excelentes, outras não, como acontece no teatro.
Claudio Fontana impulsionou a reflexão sobre se há diferença entre as interpretações para o teatro adulto e para o infantil. Segundo Dib, existem excelentes atores e maus atores, tanto no teatro infantil, quanto no adulto.
Na sua opinião, o maior problema, que o irrita muito, é quando um ator interpreta uma criança de forma caricata, estereotipada, o que soa falso e compromete a qualidade de um espetáculo.
Outra questão muito importante, é que os adultos precisam deixar as crianças livres para as descobertas, têm a obrigação de evitar direcionar o olhar dos pequenos, senão tudo fica chato. Não podem subestimar a inteligência do público infantil.
O que mais encanta Dib quando ele está no teatro, além de prestigiar os espetáculos, claro, é prestar atenção no comportamento da criança na plateia. ¨Observar as crianças na platéia é muito rico para mim como crítico. Até hoje eu me emociono quando olho para a criança vidrada, é lindo observar uma criança no teatro¨.
Vladimir Capella é um grande nome do teatro infantojuvenil - dramaturgo, diretor e músico - e não poderia faltar menção ao seu trabalho, que serviu de inspiração para muitos artistas.
¨Cada coisa que ele fazia era um sopro de vida no teatro, renovação¨, elogia Dib destacando que suas produções eram primorosas em todos os quesitos. ¨Era um diretor completo¨, complementa.
Fiquem ligados! Além do livro sobre a dramaturgia no teatro infantil que está escrevendo, Dib tem assistido a um curso de roteiro (quem se interessar deve procurar Roteraria no Google) e está aberto a convites para escrever para o cinema e para a TV.
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