Live com a atriz Maria Padilha
@oficialpedroleao
Para quem perdeu:
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Pedro Leão abordou a trajetória da atriz carioca no teatro, cinema e TV.
O início no teatro:
O ator e produtor Claudio Fontana questionou se a atriz começou a sua trajetória no teatro.
A atriz disse que
começou a se interessar pelo teatro ainda muito jovem, fazendo encenações para a família.
Maria falou sobre as aulas no Tablado, a amizade com Miguel Falabella, O Despertar da Primavera, que lhe rendeu indicação a prêmio de melhor atriz revelação, a sua experiência no Teatro Ipanema, no Teatro dos Quatro, entre outras realizações marcantes nos palcos.
A TV:
Logo após despontar no palco, a atriz foi para a TV Globo.
Maria falou um pouco sobre as inseguranças dos trabalhos, especialmente Água Viva, de Gilberto Braga. Inseguranças comuns a artistas que primam pela realização de trabalhos de qualidade, pois, na verdade, Maria sempre interpretou com muita competência.
Muitas participações inesquecíveis nas novelas.
Atriz e produtora:
Fontana também perguntou se a atriz continua produzindo os espetáculos em que atua.
Maria disse que produz desde o seu primeiro espetáculo e que considera praticamente impossível não produzir, pois começou no teatro integrando um grupo e o único jeito de viabilizar um projeto era atuar como produtora.
Também frisou que poucas vezes a convidaram para integrar um elenco e por isso sempre teve que ir em busca de realizações, não tem temperamento de esperar as coisas acontecerem.
O diretor Gabriel Villela, que dirigiu o inesquecível espetáculo A Falecida, de Nelson Rodrigues, 1994, estava presente e obviamente essa experiência de sucesso teve um espaço especial na conversa.
A Falecida:
Maria Padilha tinha assistido a Vem Buscar- me que ainda sou teu, em 1990, e desde então carregava o desejo de trabalhar com o diretor.
A Falecida foi sucesso de público e crítica, e recebeu prêmios.
Foi a atriz quem sugeriu que a parceria fosse brindada com um texto de Nelson Rodrigues, Villela propôs A Falecida.
Na live, o diretor pediu para Maria (que cuidou da produção) contar como conseguiu a verba para a montagem. Uma boa lembranca visto que a paixão pelo projeto a fez pousar para a Revista Playboy.
Segundo a atriz, eles já tinham o patrocínio da Sharp fechado, mas a parceria foi desfeita porque o dono da empresa decidiu lançar um Prêmio de Teatro e não era ético manter o patrocínio.
Com equipe e teatro já acertados, e uma importante participação no Festival de Viena já programada, aceitar o convite para posar para a revista masculina foi a melhor solução encontrada na época.
Isso aconteceu após o mandato do Collor, antes da Lei Rouanet e conseguir patrocínio era muito complicado.
Importante frisar que foi um trabalho feito com esmero, para que o resultado fosse além de uma nudez, tivesse um conteúdo artístico. Maria convidou Gringo Cardia para a direção de arte (primorosa). Os textos foram assinados por Ruy Castro. Villela sugeriu que a atriz levasse para as fotos o universo da Zulmira e, especialmente da montagem, que levou para a cena o jogo, o futebol.
Na época, essa atitude gerou várias matérias na mídia porque é uma capa antológica da revista.
Uma ação de amor pelo teatro e respeito aos artistas que já participavam do projeto.
Para a atriz, ter sido dirigida por Villela foi um grande prazer, um momento especial.
O que mais chamou a atenção da atriz no processo de criação do diretor foi que ele conseguiu criar um espírito de grupo entre atores que pouco se conheciam, reforçando assim a sua ideia do quanto o trabalho realizado em grupo é essencial no teatro. Um trabalho onde todos os artistas têm importância na busca da linguagem a ser apresentada e contribuem, cada um na sua função, para a obtenção de um bom resultado.
"Quando eu penso no Gabriel, penso que bom que sou atriz, que bom que faço teatro".
"A mulher mais linda do teatro naquele instante. Orgulho de você, Maria". Gabriel Villela.
O diretor fez um convite à atriz. Que o projeto se concretize porque será mais um lindo encontro, com certeza.
-Admirada por muitos:
Como a live contou com a presença de muitos fãs de Maria na TV, claro que não faltaram elogios às suas participações em novelas como O Dono do Mundo, O Cravo e a Rosa, Mulheres Apaixonadas, entre outros destaques.
-A sua jovialidade também foi mencionada. Segundo a atriz, a genética a auxilia bastante, mas ela acredita que mantém o espírito jovem buscando o bom humor.
Maria tem um filho de oito anos e é especialmente por ele, para que a convivência entre os dois seja longeva, é que ela dá muito valor ao seu bem estar, evitando, por exemplo, nesses tempos de pandemia, a exposição maçante aos trágicos noticiários.
-No teatro, mais dois momentos foram citados:
Amor em tempos de guerra: #oteatrosalva
A experiência de levar espetáculos para comunidades carentes do Rio, lugares de violência e onde muitas pessoas nunca viram teatro:
O projeto denominado Amor em tempos de guerra contou com leituras dramáticas de textos de Shakespeare, Medida por Medida e Antonio e Cleópatra, ambas com direção de Paul Heritage.
A atriz salientou que nem sempre era fácil apresentar os textos porque muitas plateias eram ariscas. Por outro lado, foi uma experiência inesquecível. Um aprendizado que mostrou " a potência de um autor como Shakespeare", que consegue cativar todo o tipo de público.
O outro espetáculo citado foi Diários do Abismo, baseado nos textos da escritora mineira Maria Lopes Cançado (direção Sergio Módena).
A atriz ganhou do amigo Ney Latorraca o livro O Hospício é Deus e ficou encantada com o bom humor da escritora. Na obra, na forma de um diário, ela relata as suas inquietações e as internações num hospital psiquiátrico.
-Live é teatro?
Já no final da live, a questão batizada como "pergunta Claudio Fontana", Live é Teatro?
(uma indagação que o ator e produtor tem feito constantemente e que agora Pedro Leão também coloca sempre em pauta no seu canal de entrevistas).
Para a atriz, live não é teatro. Pode ser uma ferramenta utilizada pelo teatro, com descobertas de linguagens para as lives através do vídeo, mas nada supera a magia do encontro presencial entre ator e público.
-#teatroéessencial
O apresentador sempre termina as suas lives pedindo para o entrevistado definir por qual motivo as pessoas precisam ir ao teatro:
Maria disse que quem não vai ao teatro não sabe o que está perdendo.
" Quem passou pela vida e não foi ao teatro não viveu. Teatro é vida"
Maria Padilha
Sobre A Falecida:
Elenco: Maria Padilha, Marcelo Escorel, Adriana Esteves, Yolanda Cardoso, Edson Fieschi, Lourival Prudêncio, Oscar Magrini, Sérgio Mastropasqua e Tatiana Issa
indicações para o Prêmio Shell de Melhor Atriz; Prêmio Sharp de Melhor Atriz, Melhor Direção, Melhor Iluminação; e Prêmios SATED de Melhor Atriz e Melhor Espetáculo
Os figurinos foram inspirados em uniformes de times de futebol e os atores atuavam atuarão sobre uma mesa de bilhar. Um jogo entre Zulmira e os demais personagens.
Zulmira sonha com um enterro chique, já que sempre foi pobre e infeliz no casamento. A pequenez humana, a traição, a ignorância.
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