Tuna Dwek falou sobre o teatro, cinema, TV, a paixão pelo ofício, as premiações e o merecido reconhecimento pelo seu talento, a experiência como crítica de cinema e autora de livros - biógrafa de Alcides Nogueira, Denise Del Vecchio e Maria Adelaide Amaral, para a Coleção Aplauso; a paixão pelos amigos, a experiência do exílio, a importância das lives nesses tempos sombrios para os encontros virtuais aquecerem o nosso coração, e o desejo de que esse momento passe logo para rever os amigos e poder pisar no palco; a preciosidade de atuar e estar com as pessoas.
Uma oportunidade para comungar com essa grande atriz a paixão pela arte e pela vida. Uma trajetória que merece muitos aplausos.
Agradeço muito por contar com a sua amizade e poder vê-la atuando.
A LIVE COM PEDRO LEÃO
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TUNA é daquelas atrizes que nunca se repetem. A cada trabalho, ela fica irreconhecível e cede a sua alma aos personagens.
Poliglota, é uma exímia tradutora e intérprete. Filha de imigrantes sírios, foi alfabetizada numa escola francesa e fez cursos de inglês, italiano e espanhol.
Contou que o contato com o inglês vem desde a escola, quando estudou a obra de William Shakespeare.
#ditaduranuncamais:
Pedro não pôde deixar de mencionar o seu exílio na Ditadura.
Ligada a movimentos culturais, sofreu na pele e na alma toda a arbitrariedade de um governo violento, desumano.
Um exemplo do quanto temos sempre que gritar #ditaduranuncamais. Um momento triste e que nos faz admirá-la mais ainda enquanto atriz e cidadã. Lutar por justiça é o seu lema, em prol da sua felicidade e também em nome do bem-estar do próximo.
Foi morar na Itália, onde tem parentes, ficou um tempo distante das artes, mas quando voltou ao Brasil, o teatro, a TV e o cinema tomaram conta da sua vida, pois a sua paixão pelo ofício é enorme.
Trajetória na arte:
Tuna é formada em Ciências Sociais e começou a trabalhar profissionalmente como atriz aos 30 anos. Cursou a EAD, já fez inúmeros espetáculos de sucesso e novelas. A sua paixão pela sétima arte também é tão grande que sempre exerceu a função de crítica nessa área.
A atriz disse que se sentia velha para começar a atuar e a resposta do ator Antônio Petrin é a prova do quanto não existe idade para se dedicar ao que amamos.
¨É uma sorte começar aos 30 porque é bom contracenar com quem tem conteúdo¨, disse Antônio Petrin.
Amizade - Tuna é daquelas pessoas que prezam muito as amizades e ela sempre faz questão de elogiar os artistas que admira.
Na live estavam presentes Cláudio Fontana, Dagoberto Feliz e Elias Andreato. Destacou o talento desses grandes atores, salientando que eles conseguem como ninguém transformar as experiências de vida, em especial o contato com as dores humanas, em arte (e de uma maneira linda).
Ensinamentos na quarentena e sonhos:
No decorrer da live, Tuna falou bastante sobre o confinamento. Disse que não está sendo fácil, mas a internet tem ajudado no contato com as pessoas. Ela tem sido entrevistada, realizado leituras dramáticas e colaborado com o prof. Guilherme Bryan, da Faculdade de Belas Artes, cuidando da curadoria do Projeto BA Em Cena – conversas on line com artistas de alto quilate, como Gabriel Villela, Eva Wilma, Tony Ramos, Osmar Prado, Cacá Diegues e Elisabeth Savalla. É um evento para a Faculdade, presencial até surgir a pandemia, e que tem conquistado os alunos pela qualidade desde 2018.
Para Tuna, a quarentena é um momento de aprendizado, reflexão e transformação. Ela usou uma frase do personagem Coriolano, de William Shakespeare, para sinalizar o quanto essa pandemia deveria servir para melhorar a humanidade:
¨A diversidade põe à prova os espíritos¨. Coriolano, de William Shakespeare.
“TENHO A UTOPIA DE VER O MUNDO MELHOR, MAIS LIVRE, MAS AMOROSO”, DECLAROU A ATRIZ.
Ela acredita que um dos maiores ensinamentos que a arte propõe e que o confinamento está provando ser correto, pois ¨imaginamos que não podemos sobreviver a certas coisas, mas sobreviveremos¨.
Teatro, cinema e TV:
A atriz falou sobre as experiências no teatro, na TV e no cinema, sobre trabalhos que lhe renderam diversos prêmios e indicações:
Sempre teve muito carinho e respeito pelas três áreas de atuação, mas frisou que ¨no teatro é que o artista conquista a plenitude¨.
Na TV, contou como conseguiu o papel de Marinette, na minissérie Um Só Coração, de Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira. Com sotaque francês, a personagem é um marco na carreira da atriz, pois as pessoas a elogiam até hoje pela interpretação.
Sueli Pedrosa, das Novelas TiTiTi e Sangue Bom, é outro trabalho muito lembrado.
Os participantes realizaram diversas perguntas e comentários, os quais serão melhor compreendidos assistindo ao vídeo.
Biógrafa de grandes artistas
Questionada, por Pedro Leão, sobre a experiência de escrever os livros biográficos Maria Adelaide Amaral: A Emoção Libertária, Denise Del Vecchio: Memórias da Lua, e Alcides Nogueira: Alma de Cetim, ela informou que entrevistou os biografados, mas que não fez uma simples narrativa. Olhou nos olhos dos artistas para extrair a essência dos mesmos.
A idéia foi dar às obras um caráter literário e folhetinesco. ¨A vida humana é um folhetim real¨, opinou. Escrever os livros foi um grande desafio e também um grande prazer.
Prêmios
O entrevistador Pedro Leão também pediu para Tuna citar um prêmio que a marcou, entre tantos no cinema e teatro.
Ela disse que não tem como escolher um prêmio porque todos são importantes na sua trajetória profissional. Frisou que apesar de não trabalhar visando os prêmios, os considera um reconhecimento que traz alegria para o artista (gratificação) e, ao mesmo tempo, traz também mais responsabilidade para os futuros trabalhos.
De qualquer maneira, citou o prêmio Bibi Ferreira por ser o mais recente e carregar o nome de uma das nossas maiores atrizes (ela foi premiada por sua atuação na peça A Noite de 16 de Janeiro, de Ayn Rand, com direção de Jô Soares).
Comentou sobre a qualidade do diretor e da sua personagem, a governanta Magda Svenson. Segundo ela, uma composição delicada de uma mulher que amava o patrão e odiava a sua esposa.
Tuna aproveitou a oportunidade para reverenciar outra personagem que viveu no teatro, no espetáculo Troilo e Cressida, de William Shakespeare, também com direção de Jô Soares, por tocar com sutileza na essência mais profunda de uma mulher: a trágica e emblemática Cassandra (que tem o dom de premonição, mas, devido a uma maldição, ninguém acredita nela). Ela interpretou essa personagem na época da EAD e ela tem um lugar especial no seu coração.
Fez questão de comentar que o trabalho de um artista depende do próximo para o seu sucesso; depende da força do próximo para não desistir diante das adversidades.
Aproveitou para reverenciar todos que acreditam no seu talento e disse que o caráter é fundamental na profissão para que o ator enfrente as barreiras da profissão. Ser ator, pra ela, é muito mais do que representar.
A amizade com o ator e produtor Cláudio Fontana:
Cláudio Fontana comentou que ¨encontrar a Tuna Dwek no calçadão é poesia pura¨. Uma fala que gerou elogios ao ator e amigo de longa data.
Tuna contou que fez uma novela com Fontana e todos os dias eles iam passear no calçadão da praia, passeios esses que ela considera preciosos.
¨Cláudio é uma das pessoas mais generosas e talentosas. É uma pessoa que me emociona profundamente porque tem uma pureza! ... eu sempre falava que ele é um pedacinho de Deus na terra. Ele tem uma timidez delicada e como grande ator que é, se entrega no palco. Ele é superlativo e sua sensibilidade toca a gente profundamente”, elogiou a atriz, citando a magnitude, em especial, do seu último personagem no teatro, A Morte, em Estado de Sítio, de Albert Camus, direção de Gabriel Villela.
Para finalizar, ¨trocar confidências com ele é muito precioso, e ele me ajudou muito como atriz e pessoa¨, agradeceu.
A pergunta batizada de ¨Cláudio Fontana"não faltou: Live é teatro?
Na sua opinião, live não é teatro. É uma ferramenta, uma linguagem, usada pelo desespero de não se fazer teatro. É um afeto (companheirismo) pela impossibilidade de um encontro presencial. ¨É a sobrevivência do artista agora para ele não explodir¨.
Tuna tem realizado leituras dramáticas, tem recebido muitos convites e almeja que, assistindo as experiências artísticas on line, as pessoas tenham coragem de ir ao teatro, vivenciar a comunhão do teatro e ver pessoalmente os atores e atrizes.
Também não faltou a pergunta que Leão faz para todos os convidados: que falem, para quem nunca foi ao teatro, qual é a importância de se frequentar as salas de espetáculos.
¨O TEATRO FALA DE VOCÊ NO PALCO E FALA DA SUA ESSÊNCIA MAIS PROFUNDA. NO TEATRO ACONTECE O MILAGRE DE VOCÊ SE DESLIGAR, DURANTE ALGUMAS HORAS, DE TUDO O QUE ACONTECE LÁ FORA QUE NÃO ESTÁ RELACIONADO COM A ARTE E COM A EMOÇÃO.... NO TEATRO, VOCÊ PODE RIR OU CHORAR, SEM AS PESSOAS TE INCOMODAREM PORQUE AQUELA HORA É SÓ SUA. É A HORA DE VOCÊ SE APROPRIAR DE SI MESMO E DA ARTE, ¨DEFINE TUNA.
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