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Live do ator e produtor Claudio Fontana realizada por Marcelo de Freitas
Publicado em 03/09/2020, 22:00
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LIVE CLAUDIO FONTANA – ATOR E PRODUTOR
Live do ator e produtor Claudio Fontana realizada por Marcelo de Freitas
@artecommarcelodefreitas
https://www.instagram.com/tv/CEnOceXjNvB/?igshid=ndy1q3iq6af7

“A CULTURA É A IDENTIDADE DE UM POVO. ARTE É RESPIRO E OTIMISMO". CLAUDIO FONTANA, ATOR E PRODUTOR DE TEATRO.

Questionado sobre como descobriu a vocação para as artes, disse que o interesse surgiu desde quando era criança, porque sua mãe é pianista e ele estudou acordeon e piano.
Contou que era atleta no Clube Pinheiros e, quando viu um aviso sobre o núcleo de teatro, decidiu, como hobby, participar (meados dos anos 80). Foram seis anos no Núcleo de Teatro do Clube Pinheiros.
O que era distração e um meio de desinibição se transformou em amor. Nunca tinha pensado em ser artista profissional e trabalhava como gerente de marketing em uma multinacional.
Até Vem Buscar-me que Ainda sou Teu, de 1990, com direção de Gabriel Villela (por quem foi dirigido também no Clube Pinheiros), se dividia entre a empresa, o atletismo e o teatro.
A paixão pela atuação, no entanto, falou mais alto, e quando foi convidado para fazer a novela Deus nos Acuda, de Sílvio de Abreu (1992), deixou o futuro promissor, com segurança financeira, para dedicar-se ao ofício que lhe traz felicidade. E Claudio é um dos nossos grandes atores! Sábia decisão!
Desde os tempos do Clube Pinheiros, em meados dos anos 80, Cláudio Fontana mantém com o diretor Gabriel Villela uma frutífera parceria profissional como ator e produtor.

Sobre Villela, declarou:
“Trabalhar com Gabriel Villela é um aprendizado constante. O ator precisa estudar muito, ler, saber falar o português para compreender o que diz no palco, e ao lado de Gabriel a possibilidade de estudo é gigante, ele é muito culto", elogiou.
Contou que os ensaios começam na mesa com leituras para o entendimento do texto e da época na qual a história se passa. Um processo de trabalho que proporciona ao ator subsídios importantes para a criação dos personagens.
Além disso, destacou que o diretor valoriza a imaginação do público através de metáforas e símbolos. Como exemplo, citou a montagem de Macbeth, em 2012, texto de William Shakespeare, no qual o sangue era representado por um fio de lã vermelho. Segundo Fontana, Gabriel transforma a metáfora em poesia e assim a imaginação aflora.

O arrebatador Estado de Sítio, 2018, foi muito elogiado pelo apresentador, que destacou o quanto o texto é atual.
Fontana explicou que a encenação foi premonitória e a decisão de montar o texto aconteceu após Villela presenciar a ocupação no Rio de Janeiro pelo exército, durante o governo Temer.
É uma obra que fala do autoritarismo e ganhou os palcos no momento em que os pensamentos de direita de Bolsonaro estavam ganhando eleitores. Neste sentido, salientou o quanto a arte (maravilhosa) espelha o que vivemos, visto que Camus fala do conservadorismo e a trama tem tudo a ver com o que o Brasil vive hoje.
Estado de Sítio foi um momento especial da carreira do ator, e vale muito assistir a entrevista para ouvir mais detalhes sobre a peça e o processo de criação da sua antológica personagem, A Morte.

Outro trabalho lembrado pelo apresentador foi Boca de Ouro, 2017, com direção de Villela e produção de Fontana (no palco como Leleco).
Sobre esse excelente espetáculo, Fontana disse que sempre admirou o dramaturgo Nelson Rodrigues, mas só o conhece com profundidade quem encena os seus textos.
Destacou que o maior desafio foi interpretar três versões do Leleco, o qual era apresentado ao público através da personagem dona Gugui, ex-amante de Boca de Ouro.
"Interpretar Nelson é obrigação de todo ator brasileiro. Ele reflete o nosso universo através das nossas tragédias do dia a dia", pontuou.
Afirmou também que quando os estrangeiros entram em contato com o dramaturgo ficam embasbacados ao constarem que as suas tragédias dizem muito de como é o nosso país.
Adivinhe quem Vem para Rezar, direção de Dib Carneiro Neto, 2005, também é sempre lembrado por quem entrevista o ator e produtor.
Uma linda interpretação realizada por Fontana e Paulo Autran.
Uma doce lembrança que levava para o palco uma história muito sensível de reconciliação entre pai e filho.
Fontana sinaliza que o texto é muito bonito por mostrar a alma de dois personagens masculinos revendo o passado num mundo em que as mulheres têm mais facilidade para expor os sentimentos (geralmente existe muito mais abertura entre mãe e filha).
Sempre que Claudio Fontana fala de como foi conviver e atuar com Paulo Autran, fala com muito carinho e existe emoção na sua voz.
Lembra do quanto era prazeroso estar com um artista que "era mestre das palavras". Destaca que era vibrante conviver com ele desde o trabalho de mesa, momento em que pontuava precisamente o que poderia ser cortado no texto para a encenação fluir melhor.
Uma curiosidade é que durante a temporada carioca da peça era Fontana quem levava o amigo de cena para almoçar na casa de Tônia Carreiro, e isso era para ele um presente, porque era bonito estar diante de dois grandes atores, que cultivavam uma longínqua amizade, e era também uma aula de teatro!

Na conversa também foi abordada a experiência na TV.
Quem conhece Claudio Fontana sabe que nunca a fama o deslumbrou. Ele frisou que sempre a sua presença na TV foi consequência do seu trabalho no teatro.
"Na TV você encontra colegas, faz amizade e é gostoso de entender a dinâmica da TV", disse.
Um aprendizado importante para aprender a lidar com a câmera, mas a sua grande paixão é mesmo o teatro, pois a TV acaba sempre chamando o ator para interpretar sempre o mesmo tipo de papel, enquanto no teatro é possível viver os mais diversos personagens.
Não deixou de citar, no entanto, trabalhos marcantes por apresentar temáticas diferenciadas e personagens instigantes, como Rei Davi (2012), na TV Record, Um Só Coração (2004), na TV Globo, e As Pupilas do Senhor Reitor (1995), novela do SBT.

A arte na pandemia também foi um assunto abordado. Marcelo de Freitas pediu para o ator falar um pouco sobre o futuro do teatro.
Para Fontana, apesar da arte ser tão desrespeitada, o futuro do teatro pós pandemia será promissor porque as artes cênicas já passaram por épocas piores.
Salientou que vivemos uma peste sanitária e também política, com falta de investimento na cultura, mas que deseja que a pandemia acabe com a cegueira das pessoas e elas entendam que investir em arte é salvar um povo da sua falta de identidade. " As pessoas precisam entender o planeta, valorizar o meio ambiente e apoiar a cultura", afirmou o ator e produtor.
Defendeu a formação de plateia subsidiada pelo governo para que a população tenha acesso gratuito ao teatro (porque na sua visão, certeira, sobre o poder da arte, “ teatro é educação, respiro, otimismo e tem o poder de nos recuperar do caos”!).
Uma observação muito pertinente foi sobre o quanto seria importante se os governantes criassem companhias de teatro, como ocorre especialmente nos países europeus.
O maior sonho de @claudiofontanaator é que as pessoas comecem a valorizar mais a arte após a pandemia - a arte que tem o poder de nos recuperar de toda a dor pela qual estamos passando atualmente.
Segundo Fontana, falar sobre o fazer teatral nesses tempos sombrios é o que mais lhe dá ânimo.
Clique nas imagens para ampliar:



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DE OLHO NA CENA BY NANDA ROVERE - TUDO SOBRE TEATRO, CINEMA, SHOWS E EVENTOS Sou historiadora e jornalista, apaixonada por nossa cultura, especialmente pelo teatro.Na minha opinião, a arte pode melhorar, e muito, o mundo em que vivemos e muitos artistas trabalham com esse objetivo. de olho na cena, nanda rovere, chananda rovere, estreias de teatro são Paulo, estreias de teatro sp, criticas sobre teatro, criticas sobre teatro adulto, criticas sobre teatro infantil, estreias de teatro infantil sp, teatro em sp, teatros em sp, cultura sp, o que fazer em são Paulo, conhecendo o teatro, matérias sobre teatro, teatro adulto, teatro infantil, shows em sp, eventos em sp, teatros em cartaz em sp, teatros em cartaz na capital, teatros em cartaz, teatros em são Paulo, teatro zona sul sp, teatro zona leste sp, teatro zona oeste sp, nanda roveri,

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