Live de Pedro Leão com o diretor IVAN ANDRADE
Ivan Andrade falou sobre como descobriu o teatro, a entrada na ECA/USP para cursar direção, os trabalhos como assistente de direção, os projetos individuais e mostrou a sua maturidade enquanto um artista de grande talento e que contribui para que o nosso teatro ganhe encanto.
Como a conversa não segue uma cronologia, citei a coincidência incrível que aconteceu quando ele e Gabriel Villela montaram textos de Camus.
Em Curitiba, durante os ensaios de Hoje é dia de rock, Villela comentou sobre o projeto de levar ao palco Estado de Sítio e Ivan contou que estava com o projeto de O Mal- Entendido.
Experiências diferentes e excelentes. Estado de Sítio, que contou com a assistência de Ivan, falava do autoritarismo e da paz através do amor. Já O Mal-Entendido abordava o também o amor, mas como forma de destruição. Um momento muito especial!
Outro projeto de Ivan, que fez temporada antes da pandemia, foi Dos Prazeres.
Claudio Fontana pediu para Ivan falar um pouco sobre a peça.
Dos Prazeres foi um projeto de Ivan com Maristela Chelala que levou ao palco um conto de Gabriel Garcia Márquez. O que mais o encantou foi ver que muitos detalhes narrados no conto (como afogamento e o amor) lembravam, e muito, fatos vividos pela atriz.
Impulsionado pelo pedido de Villela, para que citasse os diretores internacionais com os quais trabalhou, Ivan citou Frank Castorf e Bob Wilson, trabalhos realizados para o Sesc.
Com Castorf, descobriu que no Brasil não havia nenhum entendimento da função de assistente de direção.
O diretor com quem Ivan mais trabalhou foi Gabriel Villela.
O encontro com Gabriel foi casual. Ivan era assistente de Zé Celso quando Salmo 91, produção de Claudio Fontana, foi apresentado no espaço. Ambos fizeram direção na Eca, tiveram muitos professores em comum e a relação foi amistosa desde o início. O primeiro trabalho que realizaram juntos foi Vestido de Noiva, também produção de Fontana, e desde então, já são 18 (excelentes espetáculos). Um encontro profissional prazeroso e de confiança, sem muitas palavras eles já conseguem saber o melhor caminho a seguir no processo de criação. Também possuem diversas coincidências com relação à vida pessoal e isso os uniu mais ainda no teatro.
Pedro Leão pediu para Ivan citar o espetáculo de sua preferência nessa união profissional com Villela.
Segundo Ivan todas as experiências foram importantes, cada espetáculo com a sua peculiaridade.
Com Sua Incelença, Ricardo III, com os Clowns de Shakespeare, no entanto, viajou pela primeira vez por causa de um trabalho e se dedicou totalmente a ele.
Já com Macbeth, também produção (e atuação de Fontana como Lady), fez a sua primeira turnê.
Disse que tem um imenso carinho pela montagem de A Tempestade, por ser um belo texto de Shakespeare e também difícil. " É um desafio para qualquer diretor e o resultado foi lindo, poético, brilhante", elogiou.
Por fim, citou Estado de Sítio, mais uma produção de Fontana (em cena como A Morte), pelo caráter premonitório, e Hoje é dia de rock, produção do Centro Cultural Teatro Guaíra, de Curitiba, por reunir um elenco jovem e maduro artisticamente. Uma realização marcante porque uma resolução técnica fez com que o final do espetáculo, em especial, deixasse Gabriel Villela emocionado. Um céu de estrelas que Ivan criou junto com o iluminador e que com a visão mágica de Villela para o espetáculo como um todo, se transformou num final impactante pela beleza.
A pergunta "claudio fontana" live é teatro? foi respondida com a profundidade que Ivan sempre imprime nas suas reflexões. Para ele, live não é teatro porque o encanto do teatro é ser presencial. No entanto, são válidas para o artista mostrar que está vivo e produzindo...a live pode originar uma outra linguagem diferente da realizada pelo teatro.
Com relação à questão que Leão sempre lança, sobre por qual motivo é preciso ir ao teatro, Ivan indagou até que ponto hoje, com as tecnologias, é possível convencer alguém sobre o valor do teatro enquanto um local fundamental de encontro.
E ivan recebeu elogios do Gabriel, que sempre sinaliza a sua competência, do ator Chico Carvalho e de Claudio Fontana (Ivan foi fundamental para o aprimoramento do seu trabalho de interpretação, especialmente o trabalho de corpo em cena). |