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Entrevistas e dicas de espetáculos

ENTREVISTA - O diretor Iarlei Rangel, formado pela Unesp em Licenciatura na área de Teatro, é um dos fundadores do Grupo Esparrama
Publicado em 24/03/2016, 18:00
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Criado em 2012, o Grupo Esparrama tem como base de pesquisa o estudo do palhaço e das estruturas cômicas na rua e no palco, com trabalhos voltados para adultos e crianças. A primeira produção teatral foi 2POR4, concebida para o palco.

O grupo Esparrama realiza um trabalho que chama a atenção pela originalidade: espetáculos encenados na janela de um prédio localizado no Minhocão ( o elevado Costa e Silva).

Alguns dos integrantes do grupo moram há dez anos no apartamento onde a apresentação acontece e resolveram colocar em cena as suas percepções sobre o cotidiano de um lugar que representa a correria das grandes cidades ( nos dias de semana o movimento de carros é absurdo com muita poluição e barulho; aos domingos o espaço se transforma num lugar de lazer.

O objetivo é contribuir para que o Minhocão seja um local de arte e cultura.

A estreia aconteceu com a montagem denominada Esparrama pela Janela, que traz, na forma de esquetes, personagens que vivem no Minhocão, entre eles, uma menina que vive num mundo imaginário de contos de fadas; duas mulheres que vivem na janela bisbilhotando a vida alheia e um casal chamado Amaral e Gurgel.

No segundo trabalho no Minhocão, Minhoca na Cabeça, uma menina vem morar em uma cidade grande e fica abismada com o movimento e a violência que presencia. Nasce uma minhoca em sua cabeça. A sua mãe quer que ela saia pra brincar, fazer amizades, mas ela não consegue.

Assistindo aos espetáculos dá para perceber que o grupo já conquistou admiradores que residem na região, além de pessoas que residem em todos os cantos da cidade, claro. Além disso, o grupo conquistou também espaço na mídia e o reconhecimento da crítica com indicações ao Prêmio Femsa.

A linguagem é acessível para todo o tipo de público. O bom humor, aliado a uma trilha sonora animada e às cenas criativas, cativa espectadores de idades variadas.

O diretor Iarlei Rangel, formado pela Unesp em Licenciatura na área de Teatro, é um dos fundadores do Grupo Esparrama e já produziu espetáculos de outros grupos como a Companhia do Miolo, a Cia. Paulicea de Teatro, a Cia. Elevador de Teatro Panorâmico e a Cia. Circo de Bonecos .

Como diretor, assinou a primeira montagem de Meio dia do fim da Cia. Pessoal do Faroeste e fez assistência de direção em Trilogia Degeneradan e Os Crimes de Preto Amaral.


ENTREVISTA COM O DIRETOR IARLEI RANGEL

Nanda Rovere - Como surgiu a ideia de encenar espetáculo no minhocão? Fale sobre o processo de criação dos espetáculos e objetivos do grupo com esse trabalho.
Iarlei Rangel - Dois integrantes do Esparrama moram neste apartamento há cerca de onze anos. Desde a criação do grupo, o projeto da Janela estava na lista de desejos do coletivo. Após a estreia do nosso primeiro espetáculo, o 2POR4, nós começamos a planejar a nossa próxima pesquisa e foi num lapso de coragem que resolvemos colocar a Janela em foco. Todos os aspectos do projeto apresentavam obstáculos: a falta de recursos financeiros para o desenvolvimento, as dificuldades físicas que a janela impunha para a criação de um espetáculo teatral, as dúvidas de como o condomínio e os vizinhos receberiam a proposta, a expectativa da possibilidade real de diálogo com o público, tudo parecia ser um impeditivo para a continuidade do projeto. Resolvermos assumir todos os riscos e colocamos uma pergunta que nos pareceu a mais importante para aquele momento: O que gostaríamos de ver/fazer na janela? Esta pergunta foi importante, pois nos colocou dentro e fora da janela, nos permitiu mergulhar nos desejos estéticos, mas também nos fez sair da janela e nos deparar com a rua. Passamos a encarar a janela em relação à cidade e não apenas como simples local de apresentação. Este é o nosso principal objetivo com os projetos que desenvolvemos na janela: fazer uma reflexão sobre a nossa relação com a cidade. Achamos o tema de primeira importância nos dias atuais e acreditamos que esta discussão tem que ser apresentada também para as crianças. Nossos espetáculos são para todas as idades.

NR - Como é morar na Amaral Gurgel e ter o Minhocão como a frente de casa?
IR - É incontestável os danos que o Elevado traz para o cotidiano de quem mora próximo dele: barulho, poluição, degradação etc., mas como tudo na vida, sempre existe dois lados. Estamos muito bem localizados entre um terminal de ônibus, duas estações de metrô e a proximidade de vários pontos importantes da cidade. Precisamos entender que quando o Minhocão foi criado ele trouxe uma desvalorização brutal para a região, mas foi exatamente este fato que permitiu que uma nova camada social pudesse ocupar o centro da cidade. Se não fosse a desvalorização, nós também não teríamos conseguido comprar um apartamento tão bem localizado. Precisamos agora, diante das novas mudanças da região, garantir que esta camada mantenha o direito de permanecer na região, resistindo à ação predatória da especulação imobiliária.

NR - O que mais te assusta e te encanta em São Paulo?
IR - Existe um poder presente em todas as grandes cidades que se alimenta da eterna destruição de espaços para dar lugar à construção de novos empreendimentos. Quem representa este poder e ao que ele serve me assustam muito. Por outro lado, existe também uma legião de pessoas que, organizadas em grupos, coletivos ou de forma individual, lutam diariamente para transformar a cidade em um lugar prazeroso e mais justo. Isso me encanta e me dá vontade de ficar para sempre em SP, para estar do lado deles.

NR - Todos os personagens e situações mostradas nas montagens estão presentes no cotidiano do minhocão? O que as peças trazem de ficção e realidade?
IR - Sim, estão. É claro que nosso trabalho é dar uma dimensão poética para o cotidiano. O que o espectador vê em cena não é o acontecimento literal do cotidiano do Minhocão, mas uma leitura metafórica dele. Mas o que o espectador vê não é só este cotidiano. Nos nossos espetáculos existe o lugar para a ficção, um lugar que reservamos para o utópico, para aquilo que desejamos que aconteça. É ele que nos faz ir além, para superarmos o cotidiano, para construir o novo.

NR - Como é a relação do grupo com os moradores do prédio onde a peça acontece e dos prédios do entorno?
IR - Os moradores do nosso prédio sempre foram muito parceiros. Sabemos que por um período de tempo intervimos no cotidiano do domingo deles e sempre foi encarado tranquilamente, pois sempre tomamos o cuidado de não ultrapassar os limites do conveniente. Acreditamos que eles entendam que ao apoiar as nossas apresentações, eles também estão participando das nossas apresentações.
Nas ruas podemos perceber que o projeto cada vez mais se insere como uma ação local. As pessoas dos outros prédios nos abordam para saber quando voltaremos em cartaz, para comentar as cenas e muitas vezes chamam nosso projeto de “o teatro do bairro”. Isso demonstra uma apropriação que nos deixa muito felizes.

NR - Na sua opinião, qual o papel do teatro hoje?
IR - Provocar uma reflexão sobre nós mesmo, sobre nossa relação com os outros e com o mundo.

NR - No dia em que vi Esparrama pela Janela uma turma de Pedagogia estava assistindo ao espetáculo empolgada e tinha como tarefa analisar a montagem. Imaginava que o espetáculo pudesse gerar tanto interesse por parte do público e ainda ?
IR - Isso é algo que continua nos surpreendendo sempre. Mesmo depois de quase três anos de apresentação do primeiro espetáculo, ainda vemos pessoas que desafiam uma chuva forte e permanecem em frente à janela para nos ouvir. É claro que a gente sempre quer que nossos projetos tenham este impacto, mas o projeto superou e supera a cada dia as nossas expectativas.

NR - Muitas pessoas defendem que o Minhocão deve ser implodido (como aconteceu com a Perimetral no Rio). O que vc pensa sobre isso?
IR - É preciso sair deste lugar da disputa FLAxFLU entre o desmonte e a transformação definitiva do Minhocão em Parque. A disputa das opiniões apaixonadas deve dar lugar a uma discussão mais embasada sobre os prós e contras de cada uma das propostas. Isso ainda não aconteceu de fato.

NR - Vocês começaram bancando a produção e depois conseguiram apoio para as apresentações, através de editais. Como é manter o grupo hoje?
IR - A pesquisa que realizamos na janela chegou num ponto que exige um aprofundamento cada vez maior. Tornou-se efetivamente uma pesquisa de linguagem, o que demanda tempo e parcerias com outros profissionais, para tornar o projeto cada vez mais potente e coerente com o que buscamos dizer. Hoje não conseguimos mais desenvolvê-lo sem apoio. Já estamos enviando as novas ideias para editais e vamos torcer para conseguirmos manter uma ocupação contínua deste espaço.

NR - Além desses trabalhos na janela, vcs continuam apresentando 2POR4. Fale sobre esse espetáculo e a diferença de criar um espetáculo para um palco tradicional e para a janela (conhecem algum artista que realiza um trabalho parecido?).
IR - O 2POR4 foi o nosso primeiro espetáculo e foi através dele que chegamos à ideia da Janela. Foi durante os ensaios dele, que aconteciam na sala deste mesmo apartamento, que percebemos que os passantes do Minhocão se interessavam pelo que saia pela nossa janela. O 2POR4 foi uma parceria com a maestrina Ester Freire. Desenvolvemos uma pesquisa para inserir a música como um personagem na cena e não apenas como sonoplastia e dai nasceu um espetáculo que reúne dois palhaços e um quarteto de cordas. Já realizamos mais de 140 apresentações em mais de 40 cidades e este ano participaremos novamente do Viagem Teatral SESI, onde visitaremos mais 11 cidades do interior do estado. Na verdade, existe uma diferença em criar um espetáculo para a janela ou para um espaço mais tradicional de teatro. Apesar de se tratar da mesma linguagem artística, o teatro, existem especificidades que exigem de todos do grupo uma maleabilidade, conquistada com muito tempo de preparação e pesquisa.

NR - Já pode falar sobre o novo projeto?
IR - Já estamos em sala de ensaio para a criação de um novo espetáculo para sala de teatro. Logo, logo poderemos falar mais dele, porque agora estamos apenas nas exaustivas experimentações para nos tirar do lugar comum e encontrar algo que realmente seja potente. Estrearemos no segundo semestre. Para a janela também existe um projeto que prevê uma pesquisa longa que permita ao Esparrama navegar pela cidade, fazer um encontro mais real e próximo com as crianças e retornar cheio de histórias para a nossa janela. Estamos agora torcendo para os editais.

Esparrama pela Janela que vai até o dia 27 de março, com apresentações aos domingos, 16h00, no Minhocão!
Entre as alças de acesso do metrô Santa Cecília e Rua da Consolação.
https://www.facebook.com/esparrama/?fref=ts
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DE OLHO NA CENA BY NANDA ROVERE - TUDO SOBRE TEATRO, CINEMA, SHOWS E EVENTOS Sou historiadora e jornalista, apaixonada por nossa cultura, especialmente pelo teatro.Na minha opinião, a arte pode melhorar, e muito, o mundo em que vivemos e muitos artistas trabalham com esse objetivo. de olho na cena, nanda rovere, chananda rovere, estreias de teatro são Paulo, estreias de teatro sp, criticas sobre teatro, criticas sobre teatro adulto, criticas sobre teatro infantil, estreias de teatro infantil sp, teatro em sp, teatros em sp, cultura sp, o que fazer em são Paulo, conhecendo o teatro, matérias sobre teatro, teatro adulto, teatro infantil, shows em sp, eventos em sp, teatros em cartaz em sp, teatros em cartaz na capital, teatros em cartaz, teatros em são Paulo, teatro zona sul sp, teatro zona leste sp, teatro zona oeste sp, nanda roveri,

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