Depois de sucesso no Rio de Janeiro, Os Realistas chega a São Paulo com direção de Guilherme Weber e traz um elenco de grandes talentos, Debora Bloch, Emílio de Mello, Fernando Eiras e Mariana Lima.
Os Realistas, que é montado pela primeira vez na América Latina, marcou a estreia de Will Eno na Broadway.
A atriz Debora Bloch, que já acompanhava e estudava a trajetória do autor, resolveu comprar os direitos da obra depois que assistiu uma montagem da peça.
Guilherme Weber, que assina a direção, encenou vários textos do autor: em 2003 trabalhou com o diretor Felipe Hirsch na montagem de Temporada de Gripe; depois atuou em Thom Pain – Baseado em Nada e Lady Grey – Em Luz Cada Vez Mais Baixa (2006) , além de Ah, a Humanidade e Outras Boas Intenções, reunião de cinco peças curtas do autor, num projeto junto com Murilo Hauser.
Mariana Lima integrou o elenco de Lady Grey no Rio de Janeiro, ao lado de Guilherme Weber e os demais atores já conheciam a obra de Will Eno e carregavam o desejo de encenar os seus textos.
Na trama, que fala sobre fraquezas, medos e fragilidades, dois casais de vizinhos se encontram e têm as suas vidas entrelaçadas.
Essas pessoas residem no campo e descobrem que têm as casas idênticas e sobrenomes iguais.
Com essa peça o autor pretende propor discussões sobre o casamento e mostrar que nem tudo é o que parece ser. Ele parte da premissa que as pessoas não devem ter medo de compartilhar os seus pavores porque assim é possível os seres humanos se fortalecerem, salienta o diretor Guilherme Weber.
Para o diretor, Os Realistas é um exercício sobre o gênero realista, o qual fica evidente através dos sentimentos dos personagens e não porque respeita os preceitos de uma dramaturgia desse gênero. ¨Os heróis dão lugar a pessoas comuns.¨, afirma
Nesta história, Eno desloca seus personagens para uma pequena cidade interiorana e campestre, como se nesse lugar todos os problemas ganhassem menos importância, em um movimento que lembra o teatro de Anton Tchekhov.
Este confronto com a natureza, o vasto e o desconhecido faz com que estes personagens se cruzem em uma comédia existencialista sobre vida, morte, amor e vizinhos’, analisa Weber.
Na coletiva de imprensa, realizada na última quarta, 30, que contou com a presença do diretor Guilherme Weber e dos atores Débora Bloch, Emílio de Mello e Fernando Eiras, os atores falaram sobre a peça e também sobre o ofício do artista, salientando que estar no palco é sempre um aprendizado. ¨Todo dia mergulho num abismo e a cada dia descubro algo novo, diz Emílio de Mello¨.
Os Realistas marca o encontro de artistas experientes, com histórias diferentes, mas com uma trajetória pautada pelo reconhecimento.
Elenco e diretor ressaltam que existe uma confiança muito grande entre toda a equipe . ¨O teatro é um lugar de intimidade artística e humana, onde todo mundo se expõe com uma convivência profunda, por isso é importante estar com pessoas de confiança¨, analisa Débora Bloch.
Indagada sobre o motivo que a deixou afastada alguns anos do palco, seu último espetáculo foi o monólogo Brincando Em Cima Daquilo (2007/2008), direção de Otávio Muller, Débora disse que produzir está cada vez mais difícil e não tinha encontrado nenhum texto que a empolgasse. ¨Estava buscando um texto que falasse ao coração para montar¨, declarou.
Com relação à trama da peça, Will Eno traz referências de obras teatrais do também norte-americano Edward Albee ( autor de peças como Quem Tem Medo de Virginia Woolf? e A Peça sobre o Bebê) , assim como o autor ... a peça fala de casais que se espelham: São aparentemente muito diferentes, mas no decorrer da peça é perceptível que têm muitas coisas em comum ( além das casas idênticas e do mesmo sobrenome).
Segundo Weber, que por já ter feitos vários trabalhos a partir de textos de Eno tem facilidade para reconhecer o que o dramaturgo sugere nas entrelinhas dos diálogos, existe a possibilidade desses casais serem os mesmos, só que em momentos diferentes da vida.
De qualquer maneira, o diretor deixa uma brecha para que o público tire também as suas conclusões.
Texto: Will Eno
Tradução: Ursula de Almeida Rego Migon e Erica de Almeida Rego Migon
Direção Geral, Adaptação e Trilha Sonora: Guilherme Weber
Elenco: Debora Bloch, Emílio de Mello, Fernando Eiras e Mariana Lima
Cenografia: Daniela Thomas e Camila Schmidt
Figurinos: Ticiana Passos
Iluminação: Beto Bruel
Direção de Produção: Alessandra Reis
Serviço:
De 2 de abril a 29 de maio
Sextas e sábados, às 21h. Domingos, às 19h.
Teatro Porto Seguro (508 lugares)
Alameda Barão de Piracicaba, 740 – Campos Elíseos
Ingressos: R$ 100 (plateia) e R$ 50 (balcão / frisa)
Duração: 100 minutos
Classificação etária: 12 anos
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