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Entrevistas e dicas de espetáculos

Entrevista com o ator Marcos Damigo - O ator, em cartaz com o espetáculo As Sombras de Dom Casmurro no Sesc Ipiranga, fala de sua carreira e desse trabalho
Publicado em 15/04/2016, 00:00
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As Sombras de Dom Casmurro estreia no Teatro da Livraria da Vila
Temporada vai de 7 a 29 de maio na loja do JK Iguatemi
Aos sábados, às 20h00, e domingos, às 18h00. Até 29/5.
Teatro da Livraria da Vila do Shopping JK Iguatemi – Av. Presidente Juscelino Kubitschek, 2041 - Vila Nova Conceição – São Paulo, SP.
Capacidade: 125 lugares
Valores: R$ 60 inteira | R$ 30 meia-entrada
Meia entrada: crianças acima de 2 anos, deficientes físicos, estudantes, idosos, aposentados e professores da rede pública.
Os ingressos estão à venda no site www.ingressorapido.com.br e nas unidades da Livraria da Vila.


O paulistano Marcos Damigo formou-se na Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (EAD/USP).
Desde então, tem trabalhado no teatro TV e cinema, com personagens diversificados e estilos de montagens também diferentes, mas sempre com uma ligação com o universo literário e algumas parcerias frequentes, em especial com o escritor Toni Brandão e a diretora Débora Dubois .
Entre os espetáculos que participou estão: Píramo e Tisbe, texto e direção de Vladimir Capella; Cuidado: Garoto Apaixonado e Grogue, de Toni Brandão, direção de Débora Dubois, com o Grupo Barata Albina; Cabra: Épico de Canudos, texto de sua autoria sob a direção de Georgette Fadel; Suburbia, de Eric Bogosian, e Hamlet, de Shakespeare, direção de Francisco Medeiros; O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, e Lampião e Lancelote, de Fernando Vilela, mais uma vez dirigido por Débora Dubois, Dueto Para Um, de Tom Kempinski, direção Mika Lins; Deus é Um DJ, de Falk Richter, direção de Marcelo Rubens Paiva, entre outros.

Damigo também é autor, diretor e produtor - Cabra: Épico de Canudos (autor e ator): Ladrão de Frutas (autor); O Retrato de Dorian Gray (autor da adaptação, ator e produtor); A Forma das Coisas, de Neil Labute e direção de Guilherme Leme, (diretor de movimento); A Noite Mais Fria do Ano, texto e direção de Marcelo Rubens Paiva (produtor); Os Visitantes, de Priscila Gontijo (diretor); RockAntygona, baseado no texto original de Sófocles, direção de Guilherme Leme; Caros Ouvintes, texto e direção Otávio Martins e Dias de Felicidade, de Leilah Assumpção, com direção de Regina Galdino (assistente de direção).

No momento, está em cartaz com AS SOMBRAS DE DOM CASMURRO, que traz as angústias de Dom Casmurro ao concluir que a sua esposa o traiu com o seu melhor amigo, Escobar, o qual seria o verdadeiro pai de seu filho, Ezequiel.

As sombras do passado o atormentam e ele expõe a sua história para a plateia, numa casa antiga onde estão apenas uma mesa, duas cadeiras e alguns objetos.

ENTREVISTA
Nanda Rovere - Na sua opinião, qual a importância de Machado de Assis, em especial Dom Casmurro, nos dias de hoje? Além de Dom Casmurro, quais obras de Machado te chamam a atenção?
Pra você, Capitu trai Bentinho (ou não)?
Marcos Damigo - O próprio Machado deixou essa questão em aberto propositalmente, não só para que estejamos falando disso até hoje, mais de cem anos depois da publicação do livro em 1900, mas também porque sinto que, ao deixar essa lacuna na obra, ela acaba revelando muito de nós mesmos a partir do olhar que lançamos sobre a história. Essa questão inclusive vem evoluindo de maneira interessante ao longo desse tempo. No início, a adesão à versão de Casmurro (de que Capitu traiu Bentinho) era quase total. Com o amadurecimento do movimento feminista, a partir da década de 60 começou-se a dar mais ênfase ao "discurso envenenado" do Casmurro/narrador. Para isso, foi fundamental o lançamento do livro "O Otelo Brasileiro de Machado de Assis", da americana Helen Caldwell, também tradutora do Machado. Nele, ela faz uma defesa contundente de Capitu e desnaturaliza questões que estão tão enraizadas na nossa sociedade que passaram, e ainda passam, desapercebidas pela maioria dos leitores, vinculadas, por exemplo, à classe social do narrador, que vive do aluguel das propriedades herdadas pelo pai. Casmurro se diz dono da esposa (quando tem um dos primeiros ataques de ciúme, ainda na adolescência, ele diz: "Agora lembrava-me que alguns olhavam para ela, e tão senhor me sentia dela que era como se olhassem para mim, um simples dever de admiração e de inveja.") e também de certa forma dono da história (não é à toa que ele a decide contar quando todos os outros envolvidos já estão mortos). Confesso que, depois de ter lido o livro da Helen Caldwell, ficou muito difícil para mim não concordar com ela. O que cria um paradoxo interessante, porque em cena eu defendo o ponto de vista do Casmurro, para quem a traição é tida como certa.

NR - O texto de Machado é rebuscado. Como é falar com um público que nem sempre está acostumado a um linguajar mais ... ( vi que a garotada se interessa e faz várias perguntas).
MD - Sinto que a dificuldade maior é no início, porque não estamos realmente acostumados com a maneira como ele constrói seu raciocínio e, por consequência, seu discurso. Mas não demora muito para se acostumar, e a partir de um certo momento estabelece-se uma forte conexão entre a plateia e a história. O texto revela-se então em toda sua potência, e alcançamos juntos, eu e a plateia, dimensões que só uma obra dessa magnitude e complexidade pode proporcionar. É maravilhoso poder oferecer um mergulho assim tão raro nos dias de hoje.

NR - Na sua trajetória, você mescla trabalhos de autores ¨mais atuais, contemporâneos¨( como Deus é um DJ) com outros que já são considerados clássicos ( como O Retrato de Dorian Gray, do Wilde, Hamlet, Otelo ). Fale um pouco sobre essas experiências. Existe diferença na criação dos personagens?
MD - Cada obra é única, e exige abordagens e entendimentos próprios. Duvido um pouco de encenadores que tentam encaixar a mesma estética em tudo que fazem, e de atores que têm um estilo tão marcado que o imprimem a todos os personagens. Sei que meus interesses são bastante variados, mas me seduzo justamente pelo risco que cada obra oferece, e principalmente, pela importância de uma obra ser realizada naquele dado momento. Claro que as experiências também se somam, e ter feito "Deus é um DJ", por exemplo, uma peça que exigia um alto índice de interação com a plateia, me ajuda de alguma forma a fazer o Casmurro agora, apesar de aparentemente as duas serem tão distintas uma da outra.

NR - Fale também sobre a parceria que tem com o escritor Toni Brandão e a diretora Débora Dubois.
MD - Toni e Débora são meu pai e minha mãe no teatro. A primeira peça profissional que fiz foi com eles, o "Cuidado: Garoto Apaixonado". E foi uma experiência muito feliz, ganhamos prêmios, ficamos um ano e meio em cartaz. Então eu só tenho a agradecer aos dois, pela amizade, pelo talento e pela confiança que depositam em mim. E é muito bom trabalhar com pessoas que você conhece profundamente, pois você sabe exatamente o que esperar delas e como contornar desafios, que não são poucos numa produção teatral, de forma a fazer o melhor espetáculo possível.

NR - A sua ligação com a literatura é muito forte nos trabalhos que realiza. Essa mistura teatro e literatura é o que mais te atrai no teatro? Qual a importância da leitura no seu cotidiano? Quais os seus autores preferidos?
MD - Pois é, eu gosto muito de trabalhar com essa transcriação da literatura no teatro. Sou um leitor contumaz, adoro os clássicos, existem livros que me tornaram uma pessoa melhor, ampliaram minha visão de mundo. É difícil até dizer quais seriam os preferidos, de tantos autores maravilhosos que já passaram por esse mundo. Mas os clássicos, como eu disse, me atraem bastante, como Shakespeare, Dostoiévski, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Caio Fernando Abreu, Hilda Hilst, e por aí vai...

NR - Além de ator, você dirige, escreve, produz. Você consegue separar bem cada função. Ser ator te ajuda na hora de dirigir e vice-versa?
MD - Sim, percebo que me tornei um ator melhor depois que comecei a dirigir. O trabalho do ator é muito imersivo, e sinto que às vezes o ator fica tão mergulhado na sua própria subjetividade que deixar de ver coisas que são até óbvias quando se olha de fora. Também adoro o trabalho de fora da cena, o dia da montagem do cenário, de afinação da luz, de colocar tudo junto para funcionar. É cansativo e demorado, mas também muito mágico. Fernanda Montenegro disse uma vez que temos que amar a nós mesmos no teatro e não o teatro em nós. Essa ideia é bonita porque te coloca a serviço do ofício, e não o contrário, que seria obviamente uma postura bastante egocêntrica. Eu me coloco a serviço do teatro de várias formas, como assistente de direção algumas vezes, como preparador corporal, tradutor, produtor, diretor, autor e também como ator, pois é claro que eu sinto um grande prazer em estar no palco.

NR - Algo que queira acrescentar? ( falar algo dos seus trabalhos no cinema e TV, por exemplo)
MD - Sinto que a trilha principal do meu trabalho é no teatro. E sou feliz por isso. O teatro é o espaço do ator, por excelência. Pois nele a relação com o público se dá de forma direta, sem a intermediação de uma edição que pode alterar completamente o sentido do seu trabalho. Além disso, num mundo cada vez mais virtualizado, o teatro é o lugar do encontro real, e por mais que eu considere importantes todas as inovações tecnológicas, e até as use algumas vezes em cena, nada se compara a isso. Sinto também que o excesso de celebridade é prejudicial ao ator, pois a natureza do nosso trabalho é justamente apagar nossa identidade para dar lugar a uma outra. Mas me orgulho muito dos trabalhos que fiz na televisão, em obras que provocaram debates interessantes, como o Hugo em "Insensato Coração", que foi o primeiro personagem da teledramaturgia brasileira a assinar uma união estável com outro homem, ou a trama de "Joia Rara", que trazia a filosofia budista para um público mais amplo. Sou movido a paixão, e estou sempre aberto a projetos desafiadores e que tenham alguma relevância no mundo de hoje, seja no teatro, na televisão ou no cinema.

Ficha Técnica
Obra de Machado de Assis
Direção: Débora Dubois
Intérprete: Marcos Damigo
Adaptação: Toni Brandão
Assistência de Direção: Luis Felipe Corrêa
Luz: Wagner Pinto
Figurino: Alexandre Herchcovitch
Cenário: Duda Huck e Márcio Macena
Trilho sonora original: Gustavo Kurlat
Pesquisa literária: Gilberto Martins
Fotografia: Matheus Heck e Dave Santos – Elemento Cultural
Direção de Produção: Fernanda Bianco e Guilherme Maturo – Elemento Cultural
Produção Executiva: Renata Nastari – Elemento Cultural
Comunicação: Dave Santos – Elemento Cultural


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DE OLHO NA CENA BY NANDA ROVERE - TUDO SOBRE TEATRO, CINEMA, SHOWS E EVENTOS Sou historiadora e jornalista, apaixonada por nossa cultura, especialmente pelo teatro.Na minha opinião, a arte pode melhorar, e muito, o mundo em que vivemos e muitos artistas trabalham com esse objetivo. de olho na cena, nanda rovere, chananda rovere, estreias de teatro são Paulo, estreias de teatro sp, criticas sobre teatro, criticas sobre teatro adulto, criticas sobre teatro infantil, estreias de teatro infantil sp, teatro em sp, teatros em sp, cultura sp, o que fazer em são Paulo, conhecendo o teatro, matérias sobre teatro, teatro adulto, teatro infantil, shows em sp, eventos em sp, teatros em cartaz em sp, teatros em cartaz na capital, teatros em cartaz, teatros em são Paulo, teatro zona sul sp, teatro zona leste sp, teatro zona oeste sp, nanda roveri,

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