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SP | Sesc Consolação – Com direção de Gabriel Villela, Medea, de autoria de Séneca, sobe ao palco do Teatro Anchieta a partir de 29 de janeiro
Publicado em 12/01/2026, 22:00
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Por Nanda Rovere

Três atrizes protagonizam a tragédia: Rosana Stavis, Mariana Muniz e Walderez de Barros, em participação especial, no esplendor de seus 85 anos.
Medea é uma tragédia escrita pelo tragediógrafo e filósofo estoico latino Lúcio Aneu Séneca (Corduba, c. 4 a.C. – Roma, 65 d.C.), que chegou a ser conselheiro de Nero, e baseia-se na tragédia homônima de Eurípides.
A Medea de Séneca não apresenta os acontecimentos como um destino traçado exclusivamente pelos deuses, como ocorre em Eurípides. Aqui, quem conduz as ações e seus respectivos desdobramentos é o homem.
A obra de Séneca revisita o clássico de Eurípides de forma mais enxuta e violenta. Por esse motivo, é menos conhecida na história do teatro e menos encenada.
Nas palavras do diretor Gabriel Villela:
“De modo geral, suas tragédias ampliam o que se chama de desmedida: a fúria, a ira, estão no centro de tudo o que escreve.”
Assistir a uma tragédia grega é mergulhar no que há de mais doloroso na existência humana. São tramas que dilaceram o coração.
Medea chega em um momento oportuno.
Ser mulher já é complexo; ser feiticeira, em um universo marcado pelo desrespeito à diversidade religiosa, é ainda mais. Além disso, Medea não aceita as ordens dos poderosos e jamais abaixa a cabeça.
Trata-se de uma obra extremamente atual. A violência contra a mulher, em pleno 2026, é algo estarrecedor.
Em nome de um amor que, na verdade, é doença e sentimento de posse, vidas são cerceadas. Apesar de tantos avanços tecnológicos, a alma humana continua doente — e, muitas vezes, crianças também se tornam vítimas de atos horrendos.
No caso de Medea, ela é abandonada por Jasão, com quem tem dois filhos. Após anos de dedicação, ele a descarta “sem dó nem piedade” para realizar um casamento por interesse.
Na flor da idade e bem mais jovem do que Medea, Jasão une o útil ao “agradável” ao selar o acordo matrimonial com Creusa, uma jovem princesa.
Desesperada, Medea comete um ato insano como vingança, amplamente conhecido: tira a vida dos próprios filhos.
Uma tragédia ficcional que atravessa séculos, mas que encontra paralelos inquietantes na vida real. Na obra de Séneca, há ainda um detalhe importante: o etarismo — mais um tópico de reflexão que essa trama nos oferece.
A trama, em síntese:
A feiticeira Medea envolve-se com Jasão, líder dos Argonautas. Ele a abandona para se casar com Creusa, filha do rei Creonte, que determina o exílio de Medea. Ela, porém, não aceita tal imposição.
Jasão aconselha-a a partir, mas a ira toma conta de seu coração.
Medea arquiteta então o envio de um presente envenenado para o casamento de Jasão e Creusa. Cria uma poção com venenos, sangue de cobra e ervas, invoca os deuses do submundo e embebe um manto destinado à noiva. Assim que Creusa o veste, o fogo consome seu corpo.
Ao tentar apagar as chamas da filha, Creonte também se incendeia.
A morte do pai e da filha não satisfaz Medea, que deseja punir Jasão com uma dor infinita. Apesar de amar os filhos, ela os mata em um ato extremo de desvario.
É o coro que narra a fúria e a dor do abandono dessa mulher que deixou o ódio guiar seus atos.
O imaginário de Gabriel Villela possui uma força cênica expressiva e ímpar.
É a arte que nos arrebata pelo cuidado extremo com os mínimos detalhes da cena e pelo talento dos atores, permitindo que seu teatro épico ganhe os palcos com absoluta maestria.
Para dar vida a esse imaginário artístico, cores, texturas, panos sobrepostos e a música — com canções de Carlos Zimbher — ajudam a construir o sentido da trama.
Em Medea, as simbologias das máscaras são especialmente marcantes na narração de uma tragédia escrita há séculos e que continua dolorosamente pulsante.
No palco, três grandes atrizes interpretam Medea: Rosana Stavis, Mariana Muniz e Walderez de Barros.
Medea é mulher e mãe. É a estrangeira traída e silenciada que não aceita o abandono de Jasão nem a sentença de expulsão.
“O texto é primoroso e parece importante, hoje, apontar sua relação com a violência que ronda o nosso dia a dia. Temos nos confrontado com a barbárie o tempo inteiro: na política, nos assassinatos festivos, na internet que julga e sentencia. Tornamo-nos o vírus capaz de acabar com o planeta”, observa Villela.
A equipe de criação destaca ainda a potência retórica de Séneca e sua capacidade de unir a palavra ao poder da imagem. “Isso é um valor importante de seu texto”, completa o diretor.
O elenco reúne grandes nomes do teatro, com quem Villela já manteve parcerias.
Claudio Fontana é parceiro profissional desde os anos 1980, quando Villela era estudante de Direção Teatral na ECA/USP e o ator integrava o Núcleo de Teatro Amador do Clube Pinheiros. Rosana Stavis, Walderez de Barros, Letícia Teixeira e Mariana Muniz também já foram dirigidos por Villela. Plínio Soares estreia agora essa parceria.
A equipe técnica e criativa conta igualmente com colaboradores de longa data: JC Serroni, na cenografia; Claudinei Hidalgo, no visagismo; Wagner Freire, na iluminação; Ivan Andrade, como diretor-adjunto; e Gabriel Sobreiro, ator e diretor assistente.
Além de estar em cena, Fontana é o produtor e conta com a ajuda de Augusto Vieira (produção executiva).
Gabriel Villela mantém ainda longa parceria com o Sesc. No Teatro Anchieta, do Sesc Consolação, encenou Vem Buscar-me que Ainda Sou Teu, de Carlos Alberto Soffredini; A Vida é Sonho, de Calderón de la Barca; A Guerra Santa, de Luís Alberto de Abreu; A Rua da Amargura, com o Grupo Galpão; Ubu Rei, de Alfred Jarry, com Os Geraldos. No saguão do teatro, ocorreu também o lançamento do livro Imaginai – O Teatro de Gabriel Villela, escrito por Dib Carneiro Neto, com pesquisa iconográfica de Rodrigo Audi.
Além de todo o talento artístico, destaca-se a preocupação em criar um espetáculo belo, com cuidado extremo em cada detalhe da cena.
Em uma época em que tudo é microfonado, a essência do teatro é respeitada: as vozes dos atores ecoam sem interferência tecnológica, revelando a potência vocal como valor fundamental da arte teatral.
Elenco: Rosana Stavis, Mariana Muniz, Jorge Emil, Claudio Fontana, Plínio Soares e Letícia Teixeira.
Gabriel Sobreiro, assistente de direção e integrante do coro.
Fotos de João Caldas

Serviço
Medea
Sesc Consolação – Teatro Anchieta
Rua Dr. Vila Nova, 245 – Vila Buarque – São Paulo/SP
Informações: (11) 3234-3000
Temporada: 29/1 a 8/3/2025
Horários:
Quintas, sextas e sábados, às 20h
Domingos, às 18h
Sessões especiais:
* 14/2 (sábado), às 18h
* 26/2 e 5/3 (quintas), às 15h
Ingressos:
R$ 70 (inteira) | R$ 35 (meia-entrada) | R$ 21 (credencial plena)
Lotação: 280 lugares
Duração: 80 minutos
Classificação: 16 anos
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DE OLHO NA CENA BY NANDA ROVERE - TUDO SOBRE TEATRO, CINEMA, SHOWS E EVENTOS Sou historiadora e jornalista, apaixonada por nossa cultura, especialmente pelo teatro.Na minha opinião, a arte pode melhorar, e muito, o mundo em que vivemos e muitos artistas trabalham com esse objetivo. de olho na cena, nanda rovere, chananda rovere, estreias de teatro são Paulo, estreias de teatro sp, criticas sobre teatro, criticas sobre teatro adulto, criticas sobre teatro infantil, estreias de teatro infantil sp, teatro em sp, teatros em sp, cultura sp, o que fazer em são Paulo, conhecendo o teatro, matérias sobre teatro, teatro adulto, teatro infantil, shows em sp, eventos em sp, teatros em cartaz em sp, teatros em cartaz na capital, teatros em cartaz, teatros em são Paulo, teatro zona sul sp, teatro zona leste sp, teatro zona oeste sp, nanda roveri,

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