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O Brasil invadido pelo interesse estrangeiro
Coletiva de Imprensa
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Longa de brasileiro de ficção científica Yellow Cake faz a sua estreia nacional no Olhar de Cinema Festival de Curitiba Com sessão especial do filme, a abertura do Olhar de Cinema ocorreu na Ópera de Arame. O público ovacionou a atriz potiguar Tânia Maria (sensação em O Agente Secreto), que integra o elenco e esbanja carisma e talento.
Com um ar realista e posteriormente, com a estética do absurdo, com alucinações e uma fotografia que resgata um clima seco, uma luz que incoloda os olhos, o brilho do árido e da mineração, o sol a pino, e paisagens incríveis de crateras de grutas de mineração, Yellow Cake fala de um fato que, apesar de ser ficção, explora os perigos de um projeto científico internacional que pretende acabar com a dengue e o seu transmissor, sem levar em conta os perigos da empreitada.
A vida não vale nada, o que importa é prestígio e poder. Nesse projeto, secreto, cientistas usam o urânio (um elemento metálico radioativo perigoso) para tentar acabar com o mosquito transmissor da dengue.
Só que mexer com a sua extração é proibido devido ao seu alto poder de causar câncer!
O projeto denominado Yellow Cake é ambientado na região de Picuí, no seridó paraibano, rica em urânio e famosa pela grande quantidade de garimpeiros.
Yellow Cake é um filme instigante, que traz um elenco muito bom. Rubia, Rejane Faria, é a física nuclear responsável pelo projeto. Ela é a única brasileira e é nativa da região Tânia Maria, sensação de O Agente Secreto, é Rita, filha do garimpeiro mais antigo do lugar.
Durante um experimento, ocorre um acidente pela falta de respeito a protocolos e mosquitos Aedes aegypti, começam a invador a cidade de modo desesperador e descontrolado . Rubia precisa da ajuda dos garimpeiros para salvar a população de uma tragédia.
Se na primeira parte do filme a linguagem é realista, a partir da tragédia que assola a localidade, as cenas são guiadas pelo realismo fantástico. Tudo é enlouquecedor, com imagens cheias de simbolismos.
Os cientistas estrangeiros morrem devido a radioatividade e Rubia não mede esforços para tentar conter os mosquitos com o urânio, mesmo correndo risco de morte.
É decretado isolamento obrigatório e Picuí se transforma num deserto assombrado por uma névoa contínua e espessa de mosquitos que são mostrados com um foco ampliado atacando de modo voraz as pessoas e causando feridas na pele.
O olhar de arte adentra nas entranhas do mosquito para o público também sentir na pele o resultado dessa invasão.
A população está a beira de um ataque de nervos. Rubia tem alucinações, numa mistura de imaginário e realidade, e dona Rita fica apática e entra num estado de loucura.
A trilha, diversa, ajuda a desenhar o tom das cenas.
Efeitos especiais incríveis provando que é possível fazer filme de ficção científica de qualidade no Brasil.
Uma mistura de drama, suspense, terror e pitadas de humor.
Impossível não lembrar do famoso desastre do Césio-137 que devido à sua radioatividade até acomete quem teve contato com o produto, em Goiânia no ano de 1987. A direção é de Tiago Melo que tem relação afetiva com Picuí porque seu pai nasceu na localidade.
O roteiro é assinado coletivamente por Amanda Guimarães, Anna Carolina Francisco, Jeronimo Lemos, Tiago Melo e Gabriel Domingues. Este último concorreu ao Oscar de Melhor Seleção de Elenco pelo longa O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho.
Filme surge após o curta Urânio de Picuí, que fala dos EUA agindo na região para a extração do material radioativo que foi usado na Segunda Guerra no ataque a Hiroshima. Uma terra que até hoje tem estrangeiros interessados no urânio. Segundo o diretor, Yellow Cake crítica ao brasileiro achar que a ciência de fora é melhor do que os profissionais daqui.
Para a atriz Rejane Faria foi encantador e potente interpretar uma cientista brasileira envolvida num projeto estangeiro de extração de urânio em Picuí, sertão paraibano. |