Dentro de Exibições Especiais, Histoires de la bonne vallée
(Histórias de um bom vale), de José Luis Guerin, integra a programação do Olhar de Cinema.
Um grande documentarista da atualidade.
Com belas imagens, o filme espanhol revela aspectos da relação humana onde envelhecer não é fácil e é preciso enfrentar um cotidiano onde conflitos de gerações e sociais se misturam. Apesar de todos os percalços, existe poesia.
Um olhar precioso sobre a vida de pessoas comuns, muitas vezes invisíveis em uma sociedade.
A trama é ambientada em Vallbona, um pequeno povoado perto de uma cidade grande Barcelona. Uma periferia que é dormitório, habitado por ter preços mais baratos do que em Barcelona, com casas muito simples, muitas ocupaçôes ilegais, e prédios populares. Cresceu a partir da ocupação de imigrantes e é um local onde o tempo quase parou, um lugar cercado por rio, linhas férreas e uma rodovia e esses detalhes são mostrados a partir de uma excelente direção de arte e fotografia.
Acompanhamos o cotidiano de inúmeras pessoas, entre elas, de Antonio, que é filho de trabalhadores catalães e cultiva flores há quase 90 anos. Essa profissão o coloca em contato com o belo e ao lado de Makome, Norma e Tatiana, de diferentes origens sociais, a vida transcorre num emaranhado de emoções e sensações, perspectivas, os preconceito de uma localidade onde banhos proibidos e amores num mundo em ebulição e desenvolvimento resistem a visões arcaicas e paradas no tempo.
O choque Cultural e Urbano, entre os primeiros migrantes do pós-guerra, de inúmeras localidades do mundo, e os novos moradores que ocupam a cidade-dormitório é o foco da produção.
São diferentes visões de mundo, diferentes modos de se conectar com a natureza, diferentes modos de viver e enxergar o mundo, e todos tentando viver da melhor maneira possível.
Um olhar simples e profundo sobre o Capitalismo, sobre os modos de ser e viver, um olhar sobre o ser humano, e muito mais, nas lentes de um diretor que traz a música como personagem e que atua como amenizador de um dia a dia conflituoso, que é na Espanha, mas poderia ser em qualquer lugar do mundo.
Uma questão importante: num certo momento, um projeto de melhoria da estrutura ferroviária da região, mas a invisibilidade dessas pessoas mais humildes faz com que as autoridades locais não pensem em uma estação para a localidade! Um possível desenvolvimento, mas não para a região.
Até que ponto vale ter mais barulho e movimento num local calmo, que só ouve barulho, o do trem quem mora perto dos trilhos.
O diretor viveu algum tempo no meio da população dessa localidade e apesar do filme ter um roteiro ficcional tambén, ele traz as dores, amores, lembranças e visões de mundo que refletem o quanto viver é resistir através de memórias e lutas cotidianas para o "ganha-pão" e para a felicidade.
O filme é um pouco longo, mas isso não diminui a qualidade.
São relatos baseados num chamado para o filme sobre o povoado.
Mais uma exibição 10 de junho
quarta-feira
Horário
16:15
Local
Cine Passeio Ritz
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