Mostra Competitiva Brasileira
Olhe para Mim.
Direção Rafhael Barbosa -"Eu queria fazer um filme envolvente" Criança apaixonada por filme de terror, esse projeto é a realização de um sonho do diretor.
Um road-movie com efeito especial, produzido em Alagoas, com artistas nordestinos e de outras localidades, como a mineira Rejane Faria.
Mais um trabalho com a Rejane, atriz incrível (ela integra o elenco de Yellow Cake, também produção nordestina, que abriu o Olhar de Cinema).
Era um desejo do diretor, natural de Arapiraca, criar um filme " fora dos padrões", com um roteiro instigante por contar uma história dinâmica e que mistura realidade e imaginação, com cenas onde a alucinação do protagonista Marcelo, único meio que ele encontrou para sobreviver, impacta o olhar do espectador com cenas cheias de símbolos, sensações, enigmas e cenas macabras, onde o limite entre vida e morte é tênue.
Imagens e silêncios, muitas vezes, dizem muito mais do que o texto falado e saímos do cinema com a cabeça ainda fervilhando para conseguir entender o emaranhado de símbolos apresentados na tela.
A mãe de Marcelo desapareceu quando ele tinha 10 anos de idade, após uma festa religiosa, e o fato o deixou tão desconcertado que começou a vagar por cemitérios para tentar fugir do sofrimento. No fundo ele queria encontrar a sua mãe e para suportar o cotidiano ele inventa memórias e entra em contato com figuras que representam, de forma simbólica, o universo materno do qual ele tanto sente falta. O seu mergulho num mundo estranho e sombrio é tão grande que um dia ele encontra dois seres misteriosos,
Sandra e Ivan, e com eles e por causa deles, acaba atravessando um perigoso portal que separa os vivos e os mortos.
Preciosos trabalhos de arte, fotografia, cenografia, com a ajuda da trilha sonora e de ótimas locações às margens do Velho Chico, com seus segredos, magias, belezas, dão ao filme um ar alucinógino e místico instigante.
É a alegoria da descoberta da vida através da dor, o tormento de ter que conviver com desejos reprimidos numa localidade onde a fé religiosa é intensa e preconceitos estão arraigados num cotidiano sem grandes perspectivas.
Um menino que passa por um processo complexo de amadurecimento e que tem uma história aue dialoga com o universo queer.
Marcelo tem apenas 16 anos descobrindo os seus desejos num ambiente místico e arcaico, onde e as suas angústias e dúvidas pulsam de modo avassalador.
É através do encontro com as faces da lenda regional rasga-mortalha que garoto vence os seus traunas e tormentos, partindo para um rumo incerto, mas sem fastasmas do passado ( a rasga mortalha uma entidade, é um ser ancestral meio homem meio bicho, pássaro, que busca a alma de pessoas marcadas para morrer) . Talvez os fatos fora do comum pelos quais Marcelo passa sejam apenas uma ponte para o amadurecimento.
Como todo filme que dialoga com a estética do terror, a história traz simbolismos e o forte da narrativa são as imagens de efeitos especiais.
Primeiro longa alagoano realizado a partir de um edital público para a área.
Classificação
16 anos
FICHA TÉCNICA
Direção
Rafhael Barbosa
Roteiro
Rafhael Barbosa, Jasmelino De Paiva, Nivaldo Vasconcelos
Fotografia
Roberto Iuri
Direção de Arte
Nina Magalhães
Som
Leo Bulhões
Montagem
Paulo Silver, Rafhael Barbosa, Werner Salles
Música
Luiz Martins
Produção
Felipe Guimarães
Elenco
Rejane Faria, Ulisses Arthur, Luciano Pedro Jr, Aura do Nascimento |