Rita Moreira: crônicas, memórias e videotape tem direção de Sérgio Santos Barroso, que usa a frase " a memória é uma ilha de edição", da veterana cineasta, jornalista, lésbica (militante), para revisitar a sua trajetória e apontar o papel do cinema na captação da nossa realidade.
São apresentados trechos de de seus filmes ( alguns encomendas e outros ideias próprias), imagens da Nova York dos anos 1970, onde a artista se autoexilou durante a ditadura militar brasileira, e trechos de obras mais recentes dos anos 2010.
Ao traçar a trajetória da artista, o filme reflete sobre a nossa política, sobre a sociedade e sobre como enfrentar preconceitos, afinal Rita é mulher, artista e lésbica!
Rita sempre realizou um cinema engajado e conhecemos a sua personalidade, modo de ser e de entender o mundo através de falas, imagens e vídeos.
A artista dá visibilidade aos seres humanos que estão à margem da sociedade e além de questões de gênero e sexualidade, faz um retrato do universo feminino da década de 70 e 80. Rita estudou cinema documentário na New School for Social Research, em Nova York, graduando-se em 1972. Ao lado de sua esposa e também jornalista Norma Bahia Pontes, Moreira produziu, entre outros filmes: "Mães Lésbicas" (1972), e "Ela Tem Barba" (1975), abordando os pelos faciais em mulheres; outro assunto presente em sua obra é a legalização do aborto. Rita sempre abordou falou de reais, interrogando as pessoas nas ruas. E entre o mais recente trabalho,o registro de um movimento por justiça para Marielle.
Durante a filmagem do documentário sobre a sua trajetória, Rita comentou que gostaria de fazer um filme sobre fim do mundo e o diretor teve a ideia de criar, ao lado de Rita, um curta que integra esse documentário. E lá foram eles ao parque Trianon, em SP, conversar com as pessoas.
Não conhecia essa mulher incrível, apaixonante!
Ver esse documentário é entrar em contato com o passado e verificar o quanto os temas trabalhados por Rita são atuais. Semana passada, por exemplo, o Senado anulou a norma sobre aborto legal em crianças vítimas de estupro.
As suas lutas referentes às questões de respeito à humanidade dos anos 70 são cada vez mais necessária, visto que a extrema-direitaestá ocupando espaço e gritar contra a homofobia, racismo e misoginia torna-se cada vez mais urgente.
Aplausos por esse resgate tão interessante e importante. O legado da obra de Rita Moreira é enorme e essa figura incrível tem que ser sempre reverenciada. |