Com exibição no Museu Oscar Niemeyer, Cine Passeio e Cinemateca, espaços que receberam o Festival e um olhar apurado para novos talentos do Brasil e do mundo, sem deixar de reverenciar clássicos, Salvação, direção de
Emin Alper, fechou uma programação com mais de 80 filmes, entre 4 e 13 de junho.
Um evento que contou com Mostras Competitivas, Novos Olhares, Olhares Clássicos, seminários, oficinas, laboratório, encontros, coletivas de imprensa, lançamento de livros e muito mais.
Se na abertura o filme foi o brasileiro Yellow Cake, direção de Tiago Melo, e contou com a presença da atriz que é hoje é a "sensação do cinema" Tânia Maria, mostrando o quanto o nosso cinema é potente, Salvação - Kurtuluş - representa o talento do exterior, numa coprodução entre Turquia, França, Países Baixos, Grécia e Suécia.
Dois longas que abordam assuntos urgentes. Yellow Cake fala dos interesses internacionais, imperialistas, em nosso pais que coloca uma cidade em perigo ao realizar um experimento científico para acabar com o mosquito transmissor da dengue; Salvação fala de disputa de terras numa região cheia de tensões pelo poder.
Na trama, inspirada num fato real e ambientada numa aldeia remota no alto das montanhas turcas, acompanhamos o quanto o regresso de um clã exilado reacende uma antiga disputa de terras e faz com que ressentimentos renasçam de modo avassalador.
Mesut, irmão do líder local, começa a ter visões perturbadoras e acredita que são avisos divinos. Esse fato acentua as crenças religiosas da localidade e as lutas pelo poder colocam em risco a vida da comunidade.
A partir de uma trama cheia de dramaticidade e insanidade, num país onde a turbulência política é constante e a religião exerce forte influência no Governo, o diretor, que conhece a fundo a história do seu país, traça um panorama do quanto a religião entrelaçada aos desejos de poder pode ocasionar o caos.
Acompanhamos o perfil psicológico dos personagens, com paisagens turcas incríveis e uma tensão que explode com mais fervor cena a cena. Imagens estonteantes, uma fé doentia que promove a discórdia porque acreditam terem o direito à Terra concedido por Deus.
Uma história que conhecemos bem e se estende pelo mundo há séculos, sem nunca ter um fim.
Uma violência ferrenha retratada sobretudo pelo texto evidenciando o quanto as guerras são horrendas.
Nada mais triste do que a morte de uma criança. Nada justifica uma guerra.
Salvação é extremamente atual!
O vilarejo montanhoso e cheio de pedraa é um labirinto onde os ânimos se acirram.
Interpretações fortes, potentes, com olhares penetrantes.
Filme Vencedor do Festival Internacional de Cinema de Berlim, onde conquistou o Grande Prêmio do Júri (Urso de Prata). Em julho nos cinemas. |